Morte: um assunto delicado e real!

A  morte faz parte da vida, mas como explicar para uma criança? É complicado, seja a  perda do seu animalzinho de estimação ou a perda de um parente próximo, é importante tratar com sutileza e clareza. Eu mesma me enrolo toda ao ratar de explicar esses assuntos aos pequenos, por isso trouxe para vocês esse texto excelente, do Psicologo Michel Pachiega, nada melhor que um profissional nos explicando como abordar nossos pequenos  da melhor maneira.

Morte: um assunto delicado e real!

Por Michel Pachiega

Falar sobre morte ainda é um tanto complexo para adultos, e quando se diz em explicar a morte para crianças, este assunto se torna um “bicho de sete cabeças”. Nós, adultos, temos dificuldades em lidar com a morte, falar e explica-la de forma clara e direta. Sendo assim, torna-se um assunto a ser evitado e introduzido no mundo infantil.

Com o passar dos anos, as crianças na faixa etária entre 4 e 5 anos passam a compreender um pouco mais sobre a vida e seu desenvolvimento. É nessa idade que surgem muitas dúvidas, e com isso, surgem também alguns aprendizados que servirão de lição e podem se estender para toda as fases do ciclo vital. Tais aprendizados são importantes para o desenvolvimento social, emocional e psíquico da criança.

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Não se tem estabelecido qual a melhor idade para falar sobre morte e luto com uma criança, mas os adultos à sua volta podem inserir atividades práticas diárias e com isso explicar o processo dos ciclos da natureza. Plantar algum tipo de grão ou semente e mostrar à criança como esta planta nasce, cresce, se desenvolve e morre pode ajudar no processo de entendimento sobre a morte, que todas as coisas do mundo passam pelas mesmas fases da plantinha mas, chega uma hora que elas morrem e que, infelizmente, a vida termina.

Um erro muito comum que se nota, são adultos exemplificando a morte de um ente querido para as crianças de forma que os confundem. Tais frases como: “ela virou uma estrelinha”, “a vovó foi fazer uma longa viagem”, “a titia está dormindo para sempre” podem atrapalhar o entendimento sobre a morte. Crianças de até 8 a 10 anos não conseguem pensar de forma abstrata, elas pensam de forma concreta, e se pensarem sobre a “viagem da vovó” de forma concreta, podem esperar pelo retorno desta avó todos os dias, e todos os dias a vovó não chega, gerando frustração e recorrentes sentimentos negativos que podem ficar no âmbito da fantasia infantil sobre culpa, dúvida, e até mesmo medo de viagens (já que a vovó não volta mais dessa viagem, eu também não quero viajar). 

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Falar sobre a morte de forma direta e sem rodeios, e por vezes usando o exemplo dos ciclos das plantinhas, é a melhor forma de colocar as crianças a par do assunto. É sempre bom usar conceitos que fazem sentido para você, pense sobre o conceito de morte que faz parte de sua vivência, tente explicar outros conceitos de morte como de certas religiões, com isso, você estará sendo franco para com você mesmo e a criança. Inserir, de forma coerente e sensata, a criança num ambiente de luto como velório e sepultamento pode amenizar as fantasias sobre a morte e o morrer.

É importante e saudável para as crianças verem os adultos demonstrarem que estão sofrendo e sentem saudades. Com isso, será mais fácil para a criança passar pelo processo do luto percebendo que as pessoas à sua volta também sofrem, choram e sentem saudade do ente querido. Após a criança se dar conta da falta da pessoa querida, é provável que tenha alguma reação emocional. Pode vir com comportamento de raiva, choro (sem saber porque está chorando), queda no rendimento acadêmico, conflitos mais visíveis no âmbito social, podem ficar hiperativos ou muito acanhados, ter episódios de enurese noturna, entre outros fatores.

 

“A mãe morta e a criança” (1899), Edvard Munch
Pintura “A mãe morta e a criança” (1899), Edvard Munch

Neste momento, se a criança já estiver em idade escolar, é importante buscar apoio na escola com professores e coordenação informando da perda na família e como a escola pode ajudar em tal processo. Procurar ajuda psicológica é de grande valia, para adultos e crianças, no caso de luto. Cada ser humano vivencia o luto de uma forma, o acompanhamento psicoterapêutico visa, neste caso, ajudar o indivíduo a passar pelo processo de luto sem perdas profissionais, sociais e emocionais consideráveis. Perder um ente faz parte da vida, já estacionar no sofrimento pode ter sérias consequências.

A morte e o luto são naturais da vida. A lembrança do ente pode ficar em nossa memória afetiva por muito tempo e é normal que permaneça para lembrarmos o quanto amamos e tivemos momentos felizes ao lado da pessoa que perdemos. E com o tempo, crianças e adultos passam a lembrar do ente querido sem sofrimento. 

Dicas de livros sobre a temática “morte” voltado para crianças:

  •  Um gato tem 7 vidas | Luísa Ducla Soares, Civilização Editora
  •  Para Onde Vamos Quando Desaparecemos? | Isabel Minhós Martins, Planeta Tangerina
  •  Menina Nina – Duas razões para não chorar | Ziraldo, Melhoramentos
  •  O Meu Avô Foi Para o Céu | Maria Teresa Maia Gonzalez, Editorial Presença
  •  A Arte de Falar da Morte para Crianças | Lucélia Elizabeth Paiva, Ideias e Letras

 

Michel Pachiega |  www.paulolimafotografia.com.br

Michel Pachiega
Psicólogo e Palestrante
CRP 06|132728

Atendimento clínico em Araraquara/SP
Palestras sobre Educação, Comportamento e Relações Humanas. Treinamentos e desenvolvimento de equipes
Mestrando pela Unesp|Araraquara em Educação Sexual.

Instagram e Fanpage @psicologiamp
Contato: 11 9 5075 6222 (whatsapp)
Email: michel.pachiega@gmail.com

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