Dormir junto do bebê é uma prática segura e aprovada pelos especialistas

 

Dormir junto com o bebê é seguro, e garante o bom descanso, desde que cada um conte com seu espaço na cama familiar e mantenhamos umas regrinhas de segurança mínimas. Veja o que a evidência cientifica diz sobre a seguir:

Recomendações da American Academy of pediatrics (APP) para o sono seguro

Em 24 de outubro de 2016 a American Academy of pediatrics (APP)  anunciou as novas recomendações para o sono seguro e prevenção da morte súbita infantil (SUID pela sua sigla em Inglês). O anúncio original pode ser assistido no site da AAP aqui (em inglês)

Por que são importantes essas recomendações? Bem, as recomendações da AAP direcionam as políticas públicas e iniciativas particulares para a prevenção da morte súbita infantil em vários países, não estamos falando apenas dos Estados Unidos, mas em vários outros países no mundo todo, incluindo o Brasil. Para não ir muito longe, as recomendações do Ministério da Saúde e a campanha da Pastoral da Criança que incentivam colocar  o bebê para dormir de barriga para cima são inspiradas justamente nas recomendações de um dos relatórios da AAP.  

Mas você sabe porque deu tanto rebuliço nas redes sociais, nos blogs maternos e grupos de mães? Bem, até o relatório anterior da AAP, a cama compartilhada era considerada um fator de risco que poderia aumentar as chances de morte súbita de bebês, principalmente dos mais pequenos. Por anos, organizações promotoras da lactância materna, criação com apego e co-leito do mundo todo  criticaram essas recomendações. Para estas organizações dormir ao lado do bebê só traz benefícios para a amamentação e o desenvolvimento de forte laços afetivos entre pais e filhos, mas classificando a prática como sendo de risco, colocava os pais em uma decisão difícil, instinto ou razão? No mais recente relatório, que foi oficialmente publicado no Jornal científico Pediatrics em 5 de novembro de 2016 (disponível aqui ). A AAP recomenda aos profissionais que orientem os pais para dormir ao lado do bebê durante o primeiro ano, ou pelo menos durante os primeiros seis meses de vida da criança, como uma medida preventiva da síndrome de te súbita. Uma mudança e tanto. A razão nos deu argumentos para seguirmos nosso instinto!

Dormir a noite toda
Consultoria de sono

Agora você estará se perguntando por que essa mudança tão abrupta de posição da AAP? Pois bem, o que acontece é que as recomendações da AAP são baseadas em evidências científicas, e a ciência não é uma verdade absoluta, a ciência é feita de hipóteses sustentadas através de evidências, que ao serem aceitas, geram teorias e recomendações (no caso direcionadas aos profissionais e pais de crianças pequenas). Essas hipóteses para serem mais fortes precisam ser avaliadas, através de novos estudos e novas evidências. Algumas hipóteses não passam à prova e são derrubadas, o que é o caso aqui. Essas recomendações foram baseadas num relatório técnico que está disponível aqui . Neste relatório os cientistas analisaram evidências apresentadas em mais de 63 estudos científicos sobre morte súbita em crianças e chegaram à conclusão que não existe evidência suficiente para afirmar que dormir junto ao bebê aumenta os riscos de morte súbita, pelo contrário, com uma análises de dados mais ampla e robusta, que considerou variáveis que não foram consideradas em outros estudos, as evidências mostraram o oposto. Dormir ao lado do bebê não só é seguro, mas importante para prevenir a morte súbita (além de favorecer a amamentação que também entrou como recomendação).

Praticando Co-leito ou cama compartilhada em segurança

Há um aspecto importante que o relatório técnico da AAP faz questão de definir é as formas de co-leito, deixando claro que dormir junto, seja lado a lado ou no mesmo cômodo só é seguro se cada um dorme no seu próprio espaço, tendo superfícies separadas para cada membro participe da cama familiar. Ou seja, não é colocar a criança no meio dos pais, de fato essa é uma das formas consideradas pouco seguras do co-leito. 

De acordo com o esse relatório técnico  os termos de cama compartilhada (bed sharing)  e co-leito (cosleeping ) são muitas vezes utilizados indistintamente, mas eles não são sinônimos. Cosleeping é quando pais e filhos dormem em estreita proximidade (na mesma superfície ou superfícies diferentes), de modo a ser capaz de ver, ouvir, e / ou se tocarem um ao outro. Arranjos de co-leito podem incluir a cama compartilhada (bed sharing) ou o quarto compartilhado (room- sharing) em estreita proximidade. A cama compartilhada segura é aquela na que o bebé tem seu espaço, costumo falar dela como cama familiar, ou seja, se tem cama de casal para tornar esta uma cama familiar segura é preciso anexar uma superfície para o bebê, um berço sem uma das grades ou uma cama de solteiro com grade lateral.

O arranjo no qual a criança está dormindo na mesma superfície com outra pessoa, ou seja, quando se coloca o bebê na cama do casal sem lhe dar o seu próprio espaço (sem uma superfície anexa como berço ou colchão) ou se dorme com ele numa cama de solteiro, não é seguro e não é recomendado pela a AAP.  A prática segura, promovida por instituições e organizações de incentivo à lactância materna, criação com apego e sono seguro, nos novos termos da AAP, é o quarto compartilhado (room sharing), ou seja, colocar o bebê no seu próprio espaço, seja este o berço, cama de solteiro ou colchão em proximidade com a cama (ou colchão do casal), essa proximidade pode ser 1m, 50 cm ou 0 cm. O importante é que cada um tenha sua superfície separada para dormir. 

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A AAP recomenda esses arranjos para dormir com os filhos porque as evidências mostraram que este arranjo diminui o risco de SIDS por até 50%, e é mais seguro do que a cama compartilhada (na definição da AAP – bed sharing) ou deixar a criança dormir sozinha (Quando a criança está num quarto separado). Além disso, no quarto compartilhado há mais probabilidade de evitar asfixia, estrangulamento, e aprisionamento, que podem ocorrer quando a criança está dormindo na cama do adulto e, é claro, permite proximidade do lactente, o qual vai facilitar a amamentação, o conforto e acompanhamento da criança. A maioria dos estudos epidemiológicos em que estas recomendações são baseadas incluem crianças até 1 ano de idade. O quarto compartilhado durante os primeiros 6 meses é especialmente crítico porque as taxas de morte súbita infantil, e particularmente aquelas causadas em situações onde o bebê dorme compartilhando a mesma cama do adulto, são mais elevadas durante esse período. 

Então, você deve estar perguntando porque tanta festa sobre essas recomendações se já se sabia que era seguro? Muito simples, essas recomendações oferecem um forte argumento para as mães e pais que praticam e defendem a cama compartilhada segura (ou quarto compartilhado nos termo da AAP). Se você sofre com o preconceito por dormir com seus filhos, agora já sabe o que responder se alguém, seja profissional ou não, vier lhe dizer que está errado por dormir com seu bebê. Pode responder em um lindo e bom tom: sigo as recomendações da AAP (Academy American  of pediatrics) para prevenção da morte súbita infantil. É importante esse tipo de evidência especialmente porque, por incrível que pareça, sustenta que nosso instinto está certo e vem tirar a culpa daqueles que dormem com seus pequenos “às escondidas” porque recebem críticas de todos os lados. Ainda mais importante porque orienta os profissionais para não mais interromper essa prática, e sim orientar para que seja realizada de forma segura.  Então, sim gente, é para celebrar. Dormir juntinho, lado a lado está liberado pelos especialistas.

Apenas se lembrem que dormir junto com o bebê é seguro, e garante o bom descanso, desde que cada um conte com seu espaço e mantenhamos umas regrinhas de segurança mínimas.

Texto original de Zioneth Garcia

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