Como aumentar a produção de leite materno?

Muitas mulheres acreditam que precisam sentir o peito cheio e vazando leite o tempo todo para ter uma amamentação de sucesso, mas isto é mentira. A produção de leite materno é glandular, a glândula vai produzir na medida que há demanda, ou seja, durante a mamada. Quero deixar bem claro que a melhor forma de garantir adequada produção de leite materno, é amamentar com a técnica correta, tendo mamadas eficientes, onde há esvaziamento constante de dutos e trabalho continuo da glândula mamaria, garantindo a frequência de mamadas adequada para cada fase de desenvolvimento. O normal, e que deveria ser esperado pelas lactantes, é sentir o peito flácido na maior parte do tempo, “enchendo”apenas próximo ou na hora da mamada.

Para ter a quantidade de leite suficiente, os dutos têm que ser esvaziados continuamente, esse é o sinal que diz à glândula que deve produzir mais leite. Quanto mais o bebê mamar eficientemente, esvaziando os dutos, aquele momento que você observa que realmente há deglutição,  mais leite vai ser produzido e mais leite ele irá receber. Veja Como funciona a produção do leite materno

A produção de leite materno, quantidade e composição, é calibrada pela sucção do bebê e a frequência de mamadas. Podendo ter variações nessa força e frequência, em resposta às fases de crescimento. É normal passar períodos que o leite parece sobrar, e outros que parece faltar. Se o bebê está ganhando peso adequadamente, não há razão para se preocupar, e não precisa aumentar a produção com estímulos externos. Se não existe realmente baixa produção, o uso de medidas externas para aumentar a produção de leite materno sem necessidade pode levar à alteração da composição do leite materno, prejudicando o ganho de peso do bebê, e incluso levando à dupla desenvolver um quadro de hiperlactação (saiba mais sobre a hiperlactação aqui)

Foto por Dalila Dalprat em Pexels.com

Então, antes de aumentar a produção de leite materno de forma artificial, lhe convido refletir: porque você quer aumentar a produção de leite materno? Sua produção está realmente baixa ou está apenas no processo de adequando à demanda? Se a produção está baixa, já avaliou as causa? E o mais importante, procurou ajuda de um profissional? Algumas causas de baixa produção de leite materno podem ser: confusão de bicos, freio de língua curto, baixa força de sucção do bebê (hipotonia), pega errada, postura inadequada, limitação da livre demanda, mamadas ineficientes (com baixa transferência de leite), hipotiroidismo sem tratamento, privação de sono materno, entre outras. Só aumentar a produção de leite, sem a avaliação adequada, para corrigir as causas, não soluciona nada, o problema irá continuar, ou pode até mesmo piorar.

Veja a seguir alguns protocolos que costumam serem sugeridos para os casos nos que realmente é necessário aumentar a produção de leite materno:

ATENÇÃO: ANTES DE TOMAR QUALQUER MEDIDA PARA AUMENTAR A PRODUÇÃO DE LEITE MATERNO PROCURE A AJUDA DE UM PROFISSIONAL. CONSULTORA DE LACTANCIA SERIA IDEAL.

Método mecânico: ordenha

Há uma hiperestimulação da glândula mamaria, através da sucção com bombinha. Costumo combinar a ordenha com compressas mornas. A compressa morna ajuda aumentar a circulação na região da mama, e favorece a ejecção.

Atenção com o uso da bombinha, comece com potência baixa e vai aumentando gradativamente. Preste atenção à posição, não deve doer, se há dor, pare e reposicione a bombinha. 

Ordenha regular:

Após as mamadas, ordenhar por períodos de 5 – 15 minutos. Não espere obter leite nessa ordenha, lembre que a ideia é aumentar o estímulo da glândula mamária. A sugestão é realizar estas ordenhas de forma regular, 3-4 vezes ao dia, até perceber aumento do fluxo que o bebê recebe, durante as mamadas. Pode ser utilizada bombinha manual, recomendo os modelos de gatilho. Essa técnica e muito eficiente especialmente quando a intenção é armazenar leite materno para uma eventual ausência, como na volta ao trabalho ou estudo.

Power pumping

Esse método oferece uma hiper estimulação da glândula mamaria, é muito mais potente que a ordenha simples. Você estará recriando as condições de um pico de crescimento. Eu costumo sugerir realizar o protocolo Power pumping durante uma hora, uma vez por dia, alternando a ordenha com descanso e compressa morna, durante 2 -3 dias seguidos (final de semana ou feriado, p.e.), assim:

  • Início 5 min compressa morna 
  • 10 -15 min ordenha 
  • 5 min descansa com compressa morna
  • 10 -15 min ordenha 
  • 5 min descansa com compressa morna
  • 10-15 min ordenha 
  • 5 min descansa com compressa morna 
  • 10 -15 min ordenha
  • Fim

Para realizar o power pumping é melhor contar com bombinha elétrica. Tomando cuidado de não machucar a mama. Pode repetir o mesmo protocolo cada 10-15 dias.

Se prepare para não ver nada, ou quase nada de leite durante maior parte do tempo de ordenha. Talvez colete uns poucos ML no primeiro ciclo, e depois não ver nada. Não desanime, o resultado poderá ser observado nos dias seguintes, durante as mamadas, com o aumento do fluxo e o ritmo de deglutição do bebê.

Disponivel em Joiville-SC. Entre em contato atraves do whatsapp da Dra. Zioneth Garcia – 47 988213869

Galactogogos 

São substancias reconhecidas por estimular um aumento na taxa de prolactina, favorecendo o aumento da produção de leite materno. Muitas substancias tem sido utilizados ao longo dos anos, algumas apresentam reais riscos para a saúde da mãe e do bebê. Sempre que apelar para uso de galactogogos, lembre que qualquer medicamento esta sujeito a efeitos colaterais. Leia a bula, discuta com seu medico a melhor forma de usar.

Domperidona 

O medicamento deve ser prescrito e acompanhado com pediatra ou ginecologista, o protocolo sugerido por Jack Newman para aumento da produção de leite materno é 30 mg (três comprimidos de 10 mg) 3 vezes ao dia. Você pode usar a domperidona a cada 8 horas, quando for conveniente (não há necessidade de acordar para manter uma programação de 8 horas – isso não faz uma diferença real). Muitas mães tomam a domperidona durante 3 a 8 semanas, mas às vezes é necessário mais tempo do que isso, e às vezes é impossível para as mães manterem seu suprimento de leite sem permanecerem em domperidona .  Nesses casos é muito importante conversar co o medico sobre riscos e benefícios da manutenção do medicamente em longo praço.

A retirada da domperidona, como qualquer outro medicamento de uso prolongado deve ser gradual, reduzindo a doses diária em um comprimido cada 2-3 dias, até parar definitivamente.

Depois de iniciar a domperidona, pode levar três ou quatro dias até você perceber qualquer efeito, embora às vezes as mães notem um efeito em 24 horas. Parece levar de duas a três semanas para obter um efeito máximo. 

Feno grego

Não há evidências robustas sobre o real efeito no aumento da produção de leite materno com o uso de Feno grego ou Trigonella foenum- graecum , as evidências existentes são anecdóticas, Porém, também não há nenhuma forte contraindicação em seu uso, é compatível com a lactância materna, similar a um suplemento proteico. Pode ter efeito laxativo na mãe e causar sensação de fraqueza, podendo também modificar aspecto e frequência do cocô do bebê. Se percebe qualquer desses desconfortos suspenda imediatamente. 

Em geral se usam de 2-3 capsulas, 3x/dia (6-9cp/dia) ( considerando cápsulas de ~600mg ), sendo a dosagem diária sugerida de 3600mg a 7200mg. Algumas mulheres relatam que a pele e urina passaram a ter um cheiro diferente (cheiro adocicado parecido com açúcar queimado ou caramelo). Sendo esse um sinal associado ao efeito galactogogo.

O uso é contraindicado no caso de ter dieta restritiva de castanhas, oleaginosas ou amendoim (o feno grego pode causar reação cruzada) ; em caso de uso de anticoagulantes (heparina, clexane, varfarina…); uso de alguns antidepressivos; diabetes, asma, hipotiroidismo não deve ser usado.

A tintura de algodoeiro

Existem poucos estudos sobre a eficiência do uso do óleo extraído da sementes do algodoeiro Gossypium herbaceum L.  no aumento da produção de leite materno. Em um estudo feito na India, com 138 mães, os relatos mostraram uma diferencia significativa na satisfação com o aleitamento materno entre as mães que tomaram o oléo e aquelas que usaram um placebo. A dosagem utilizada foi de 10 gramas ao dia, divididos em 3 doses. O equivalente a 20 gotas, 3 vezes ao dia.

Estudos em roedores e suínos tem sugerido que o uso da tintura de algodoeiro durante a lactância pode alterar a gametogêneses e em consequência a fertilidades da prole. Porém, não existem ainda estudos relevantes sobre os possíveis efeitos da tintura de algodoeiro nas crianças.

Alimentos ou chás

Não existem evidências que alimentos ou chás possam aumentar significativamente a produção de leite materno. Porém, existem relatos de mulheres que apontam melhora após uso de chás ou alimentos que oferecem sensação de conforto, utilizados especialmente para controlar estresse. É importante tomar cuidado com o consumo de chás. Verificar que sejam de fonte confiável, já que podem ocorrer intoxicações por confundir uma planta com outra. Evitar tomar em excesso, os produtos “naturais” não são bons em qualquer quantidade, as plantas contem substancia ativas que podem causar alterações ou intoxicações se consumidas em excesso ou tempo prolongado.

Para concluir, vou repetir o que já falei no começo do texto: a melhor forma de garantir adequada produção de leite materno, é amamentar com a técnica correta, tendo mamadas eficientes, onde há esvaziamento constante de dutos e trabalho continuo da glândula mamaria, garantindo a frequência de mamadas adequada para cada fase de desenvolvimento.

Referências

Antonio Alberto Zuppa, Paola Sindico, Claudia Orchi, Chiara Carducci, Valentina Cardiello, Costantino Romagnoli, Piero Catenazzi . (2010). Safety and Efficacy of Galactogogues: Substances that Induce, Maintain and Increase Breast Milk Production. J Pharm Pharmaceut Sci (www.cspsCanada.org) 13(2) 162 – 174.  https://doi.org/10.18433/J3DS3R

Forinash, A. B., Yancey, A. M., Barnes, K. N., & Myles, T. D. (2012). The Use of Galactogogues in the Breastfeeding Mother. Annals of Pharmacotherapy, 46(10), 1392–1404. https://doi.org/10.1345/aph.1R167

Jack Newman MD, FRCPC, IBCLC and Edith Kernerman, IBCLC, (2009). Domperidone, Getting Started

Manjula S, Sultana A, Rahman K. Clinical efficacy of Gossypium herbaceum L. seeds in perceived insufficient milk (PIM) supply: A randomized single-blind placebo-controlled study. Orient Pharm Exp Med. 2014;14:77-85. DOI: 10.1007/s13596-013-0121-7.  https://doi.org/10.1007/s13596-013-0121-7


Drugs and Lactation Database (LactMed). Gossypium. Acesso set 2019. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK500729/

Rodrigo N Etdes. 2007 . Avaliação toxicológica pré-clinica do fitoterápico contendo Gossypium herbaceum (Tintura de Algodoeiro Cangeri) em ratos wistarEtges, Rodrigo NestorAvaliação toxicológica pré-clinica do fitoterápico contendo Gossypium herbaceum (Tintura de Algodoeiro Cangeri) em ratos wistar. Disertação de mestrado UFRGS . https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/19018

Té de hierbas. Pesquisa elactancia

Precisando ajuda?

A consultoria Mães com Ciência pode ajudar no sono, amamentação,  desmame, desfralde e educação positiva. Saiba como funciona aqui ou  Agende uma consulta virtual aqui.

*texto original de Zioneth Garcia

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s