5 Dicas para orientar a criança que descobriu o prazer de tocar seu próprio corpo

Quando as crianças começam descobrir seu próprio corpo, entre ano e meio e três anos , começam explorar as sensações, descobrem como são boas as carícias, os abraços, os beijos. Começam perceber as diferenças entre meninos ou meninas. Enquanto acontece o processo de desfralde, a região genital ganha bastante atenção, as crianças começam identificar a vontade de fazer xixi, cocô, os puns, as cólicas, as coceiras, e inevitavelmente também vão descobrir o prazer de tocar nas suas partes íntimas. É nessa fase que aparecem os nomes mais curiosos. Pinto, pintinho, pepeca, perereca, vulva, pênis, vagina, bumbum, são alguns dos nomes carinhosos que as famílias dão aos genitais dos pequenos.

Entre os três e cinco anos, tocar os genitais se torna uma fonte constante de prazer, que exerce uma sensação de calma, pelo que é comum  acontecer quando estão chateadas, agitadas, nervosas, ou buscando relaxar num momento de tensão ou na hora de adormecer.

Tocar seus genitais é normal, as crianças não o fazem com nenhuma maldade, e não existe conotação sexual naquilo. Uma vez a criança deixa a sucção (sua primeira forma de se acalmar e relaxar), outras fontes de prazer se tornam importantes para equilibrar o emocional, acalmar e relaxar. As carícias, as conversas, o contato físico com terceiros são tão importantes quanto a auto estimulação genital.


Mães, pais e educadores devemos orientar a criança sobre os cuidados de higiene, comportamentos socialmente aceitáveis (ou não) , autopreservação. Por isso, quero deixar algumas dicas para guiar as crianças nesse processo.

5 Dicas para orientar a criança que descobriu o prazer de tocar seu próprio corpo

1- Trate de forma natural, a malícia está nos olhos de quem vê, não na criança. Não faça, nem permitas as piadinhas ou comentários de terceiros sobre este comportamento, antes que nada preserve a autoestima de seu filho.

2- Observe o comportamento da criança e tente identificar as situações nas que ele recorre ao toque genital. É estresse? cansaço? vergonha? desconforto em situações sociais? é vontade de fazer xixi ou cocô? Assim poderá se antecipar, atendendo a necessidade, mudando o foco, distraindo ou oferecendo uma alternativa antes dele recorrer a este comportamento.

3- Introduza os conceitos de partes íntimas e privacidade. Ajude a criança conhecer seu corpo e criar limites pessoais, para que tenham noção do que é um toque aceitável e o que não é. Um material excelente para trabalhar com as crianças pequenas é o livro Pipo veja Pipo e fifi: Prevenção de abuso sexual infantil . Ele ensina a criança quais são as partes de seu corpo, quais carinhos são legais, quais carinhos não são legais e o que fazer quando alguém faz carinhos desconfortáveis e inadequados.

4- Explique claramente porque não é adequado o toque genital em qualquer local, e em qualquer hora. Mostre que as partes íntimas devem ser cuidadas e acariciadas nos espaços privados. Muita conversa e observação é importante para ajudar a criança desenvolver autocontrole. Criem m comando curto, ou um sinal (uma ou duas palavras) que sirvam para alertar a criança do comportamento em locais inadequados (vale lembrar da primeira dica). Evite escândalos e exposição da criança, use um sinal sutil, previamente combinado entre vocês.

5- Explique claramente os cuidados de higiene com a região genital. Tudo bem fazer um carinho, mas as mão devem estar limpinhas. Conte o que pode acontecer tocar com as mãos sujas na região genital. Em meninas, não é raro assadura, candidíases ou até mesmo infecção urinária por transferência. Em meninos, fimoses, inflamação da glande que pode levar à dor na micção também é comum. Como às vezes santo de casa não faz milagre, uma visita ao pediatra ou mesmo uma aula de higiene com nosso corpo na escolinha para reforçar as orientações pode ajudar.  Incentive a autolimpeza na hora do banho, caso seja necessário ajudar, peça licença para criança.

Vale lembrar que a repetição constante e o reforço positivo são essenciais. Tenha paciência, aprendizado requer tempo.

Referência:
Lúcia Alves da Silva Lara, Adriana Peterson Mariano Salata Romão e Flávia Raquel Rosa Junqueira. Capítulo 21 “Sexualidade na infância e adolescência” contribuição de  Lúcia Alves da Silva Lara, Adriana Peterson Mariano Salata Romão e Flávia Raquel Rosa Junqueira (289-310 pp) em: Artmed 2012. REIS, R. M.; JUNQUEIRA, F. R. R.; ROSA-E- SILVA, A. C. J. S. (Org.). Ginecologia da infância e adolescência. Porto Alegre: Artmed, 2012. 448p

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Texto original de Zioneth Garcia


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