Educação sexual na infância

Amar -se, respeitar o próprio corpo e cuidar dele,  é um habito que podemos ensinar desde cedo, faz parte do desenvolvimento do individuo. Isto é a sua sexualidade, e é nossa responsabilidade como mães, pais e educadores propiciar o ambiente seguro e saudável para que se desenvolva.

A seguir compartilho com vocês as orientações para o desenvolvimento saudável de bebês e crianças, oferecidas pela Dra. Flavia Raquel Junqueira. Ginecologista, obstetra especialista em Sexologia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, e uma das autoras do livro “Ginecologia da Infância e Adolescência”. Atualmente, é docente do curso de Medicina do Centro Universitário Barão de Mauá. Atua principalmente nos seguintes temas: ginecologia endócrina, contracepção, reprodução humana e sexualidade.

Orientações para a educação sexual na infância

por Dra. Flávia Raquel Junqueira

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a sexualidade é uma necessidade básica e um aspecto central do ser humano, do começo ao fim da vida, envolvendo sexo, identidade de gênero, orientação sexual, erotismo, prazer, intimidade e reprodução e que não pode ser separado de outros aspectos da vida. Ela influencia pensamentos, sentimentos, ações e integrações e, portanto, a saúde física e mental. Se saúde é um direito humano fundamental, a saúde sexual também deve ser considerada como direito humano básico.

A sexualidade caracteriza-se pela necessidade que o indivíduo tem de sentir e exprimir afeto e prazer através do contato consigo mesmo e com o outro, utilizando a linguagem de gestos, palavras, toque, olhar e atitudes que induzem ao compartilhamento de sensações agradáveis.

Essas são as orientações sugeridas para que os profissionais repassem aos pais e cuidadores que acompanham o desenvolvimento da saúde sexual de bebês e crianças. Essa tabela foi apresentada no capítulo 21 “Sexualidade na infância e adolescência” do livro“Ginecologia da infância e adolescência” (pág 289 – 310).  Compartilhado conosco por uma das autoras, a Dra. Flavia Raquel Junqueira. 

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Recém nascido

Necessidades:   Sucção, toque (base para segurança, confiança e capacidade futura de dar afeição física, são estabelecidos agora)

Orientações:  As mãe e pais precisam perceber a importância do toque e carinho, a amamentação e o contato na hora da alimentação é essencial. 

6 meses

Necessidades:   A criança descobre o próprio corpo,  Auto-estimulação e toque dos genitais

Orientações: Saber que este comportamento pode acontecer, é importante para reconhecer como normal.  Faça uma autoanalise sobre suas atitudes relacionadas à auto-estimulação infantil. Lembre de não retirar as mãos da criança, pois pode transmitir uma mensagem negativa, de que aquela parte do corpo é ruim. Comece nomear as partes do corpo, usando os nomes corretos, inclusive da genitália.

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1 ano

Necessidades:  Curiosidade sobre a aparência do pai e da mãe sem roupa.

Orientações:  Ao tratar a nudez em casa, a melhor atitude é aquela na qual vocês se sintam confortáveis. Nessa fase a criança começa a estabelecer a identidade de gênero pela observação das diferenças entre o corpo feminino e masculino. Utilize figuras, se a nudez for desconfortável. Evite mensagens que transformem a nudez em algo “sujo” ou “pornográfico”

1,5 – 3 anos

Necessidades:  Desenvolvimento da auto-estima, sentimentos sobre ser menino ou menina. Eficácia da disciplina nesta idade determina posterior capacidade de lidar com frustração e ter autocontrole. Exploração de partes do corpo é comum. Atividades de banho são de grande interesse. O senso de privacidade desenvolve-se.

Orientações: Forneça mensagens positivas sobre ser ou menina ou menino. Deixe as crianças procurarem as próprias preferências acerca dos papéis de gênero (é normal meninos brincarem com bonecas ou meninas com caminhões). Discutir disciplina. Fornecer reforço positivo (“eu gosto quando você…”) . Ensine os nomes corretos dos genitais e das funções corporais (pênis, vagina, movimento do intestino). Nessa fase acontece o treino do controle de esfíncter  – use reforço positivo.

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3-5 anos

Necessidades:   Crianças necessitam respostas para os questionamentos sexuais, apropriados ao nível de desenvolvimento cognitivo. Tocar os genitais é prazeroso, pode acontecer quando estão chateadas. Crianças tornam-se sedutoras em relação ao pai do sexo oposto. Há assimilação das características do modelo do mesmo sexo. As crianças começam a aprender o que é aceitável socialmente, que comportamentos são públicos ou privados e como mostrar respeito pelos outros.

Orientações: Esperem os questionamentos sexuais (“de onde vêm os bebês?”)
Avalie o nível de entendimento (“de onde você pensa que eles vêm?”). A criança deve sentir que é normal falar sobre sexo. Utilize material educacional. Estejam cientes do comportamento sedutor dos filhos. Lembrem que vocês são o exemplo, que tipo de modelo de relacionamento homem-mulher desejam que seus filhos imitem? O apoio mútuo entre os pais é essencial (não é um bom momento para um divórcio)

5-7 anos

Necessidades:   “Brincar de médico” As crianças já aprenderam as limitações dos pais, começam a guardar segredos sobre sexo Escola.

Orientações: A exploração genital satisfaz a curiosidade acerca do sexo oposto. Tente lembrar sobre suas próprias experiências na infância. Discuta formas de lidar com a situação (“É normal ser curioso- mas o corpo de cada um faz parte de sua privacidade– gostaria que você se vestisse e brincasse de outra coisa”).  Crie coragem e para a conversar sobre sexo com os filhos. Agora é importante discutir sobre o risco de abuso sexual e ensinar técnicas de prevenção à criança. 

Referência: 

 

Lúcia Alves da Silva Lara, Adriana Peterson Mariano Salata Romão e Flávia Raquel Rosa Junqueira. Capítulo 21 “Sexualidade na infância e adolescência” contribuição de  Lúcia Alves da Silva Lara, Adriana Peterson Mariano Salata Romão e Flávia Raquel Rosa Junqueira (289-310 pp) em:   Artmed 2012. REIS, R. M.; JUNQUEIRA, F. R. R.; ROSA-E- SILVA, A. C. J. S. (Org.). Ginecologia da infância e adolescência. Porto Alegre: Artmed, 2012. 448p

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A autora:

Dra. Flávia Raquel Rosa Junqueira  – CRM SP101066

È graduada em Medicina, com residência médica em Ginecologia, Obstetrícia e Reprodução Humana, além de mestrado em Tocoginecologia pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo (USP). Tem título de especialista em Sexologia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. É uma das autoras do livro “Ginecologia da Infância e Adolescência”. Atualmente, é docente do curso de Medicina do Centro Universitário Barão de Mauá. Atua principalmente nos seguintes temas: ginecologia endócrina, contracepção, reprodução humana e sexualidade.

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*Adaptado para Mães com ciência por   Zioneth Garcia

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