Princesas e igualdade de gênero

Todos os anos em março é a mesma coisa, se exalta a importância da mulher na sociedade, e refletimos sobre a necessidade de manter a luta pela igualdade entre os gêneros. Em anos passados escrevi sobre ensinar igualdade desde nosso lar . Esse ano quis fazer um pouquinho diferente, quis trazer um texto de minha amiga, advogada e escritora Christiane Nóbrega . Compartilho da sua visão e faço coro às suas palavras. 

Princesas e Igualdade de Gênero

Por Christiane Nóbrega

Março, mês do Dia Internacional da Mulher e sobre o que falar? Sobre princesas, claro! Qual o problema em ser? Qual problema em não ser? Por que elas têm sido tão duramente criticadas?

A verdade é que fomos criadas ouvindo contos de fadas maravilhosos recheados de princesas que povoaram e povoam nosso imaginário. Quem nunca sonhou em calçar o sapato da Cinderela? Em receber um beijo de príncipe?

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Poderia escrever um tratado sobre crianças e princesas, mas não será hoje. Hoje escolhi dizer cinco coisas que as princesas vêm ensinando há anos às nossas meninas e meninos. (antes que me crucifiquem, alguns filmes da Disney fogem a esse padrão: “A Princesa e o Sapo”, “Frozen”, “Valente”… e talvez, bem talvez “A Bela e a Fera”) Vamos à lista!

  1. Ideal de beleza inatingível. Elas são lindas, maravilhosas, perfeitas, coisa que ninguém é, nem eu e nem você.
  2. As mulheres são sempre inimigas entre si. Irmãs que disputam um príncipe, madrasta que odeia a enteada, bruxa que persegue a princesa.
  3. Sempre rola um amor à primeira vista.
  4. As princesas não são reais protagonistas da sua própria história. Quem é o herói? O “príncipe” que de tão ordinário nem nome tem e que ao final tem como prêmio o casamento (no livro “O Fantástico Mistério da Princesa Feiurinha” de Pedro Bandeira e que depois virou filme, é engraçado porque tem um monte de príncipe sem nome, todos nomeados Príncipe Encantado)
  5. Para o final ser feliz tem um casamento (lembrem-se das exceções que citei lá em cima)

Oh! Mundo cruel! Agora queimaremos Branca de Neve, Cinderela, Bela Adormecida na fogueira! Inquisição das princesas. Não, pessoal. Não é para tanto. Deixemos as “pobrezinhas perfeitas” com seus “príncipes sem nome” vivendo felizes para sempre. Mas, vejam bem, foco aqui e agora: vamos conversar com nossas filhas e filhos sobre o mundo real.

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Não, não podemos aceitar ideal de beleza, beleza perfeita. Sempre rola um cabelo diferente, uma canela meio fina, uma barriga que não some por nada e TUDO BEM, somos assim. Temos de ensina-las a se aceitar como são. (Cabelo da Merida de “Valente”, por exemplo)

Não, não precisamos esperar um “príncipe encantado sem nome” para roubar a cena e protagonizar nossa história (mesmo sem merecer nem mesmo um nome), podemos nós mesmas ser protagonistas e tchan tchan tchan: com ajuda de outras mulheres também! (Merida de novo, ela arrasa nesse quesito)

Sim! Podemos ser amigas e heroínas e protagonistas e nos ajudar sempre. Mostrem que mulheres são tão boas amigas quanto homens. Esqueçam que nos ensinaram que homens são mais confiáveis e melhores amigos que nós mulheres.

E, gente, vamos combinar, não existe amor à primeira vista. Beleza dura 15 minutos, depois que você conhece a pessoa que vai se encantando e a partir de identidades e verdades em comum, vão se amando. Quantos amores juvenis que tivemos que na mesma rapidez que vieram foram? (Ponto para Ana de novo). 

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Agora o alvo é o tal “felizes para sempre”. Existe? Há dias bons, dias maus, dias mais ou menos e dias excelentes. Assim é a vida. Por que criar uma expectativa de dia felizes sempre e para sempre? (Nenhum exemplo que eu me lembre…)

Já ia esquecendo! Preciso falar ainda de quem não quer casar. O ser/estar feliz não pode estar ligado ao casamento. Apesar de óbvio, importante dizer que quando era solteira eu era também feliz, tenho amigas solteiras bem felizes e lógico que também tem as que querem casar, mas nem de longe podemos ter esse ideal de felicidade por que não depende só de você e você pode até não querer e TUDO BEM.

Que tal, então, agora assistir feliz a todos esses filmes, mas com aquele bate-papo mamãe e filha, mamãe e filho, papai e filha e papai e filho? Estoura aquela pipoca da hora, se prepara para cantar e aperta o play sem dó!

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Christiane Nóbrega é brasiliense e advogada. Mãe de três, todos com alergia alimentar. Diante das dificuldades e, sobretudo, da solidariedade que encontrou pelos caminhos da APLV, resolveu ajudar outras pessoas assim como fizeram com ela, e uma das formas que encontrou foi escrevendo e contando histórias.  Tem dois livros publicados: “Júlio, um dinossauro muito especial”, lançado em junho de 2016, já conta com mais de 700 exemplares vendidos,  e “A Branca de Leite” lançado em agosto de 2017.  Adquira os livros da autora aqui

Não deixe de visitar o site https://christianenobrega.com.br/

 

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