10 situações para levar a criança ao pronto socorro.

A grande maioria dos motivos para levar a criança ao pronto atendimento é evitável.  Mas se não teve jeito, algo deu errado, seguem abaixo algumas dicas  da minha amiga e pediatra Dra. Lilian Nakachima Yamada , de Ribeirão Preto, sobre o que é importante saber:

10 situações para levar a criança ao pronto socorro.

por Dra. Lilian Nakachima Yamada

1- Traumatismos – crianças brincam e se machucam constantemente. Importante sempre é ver o impacto que teve o trauma. É obviamente diferente uma criança que tropeça e cai no tapete do que uma que cai do trocador direto para o chão, certo? Para uma criança que cai do trocador o impacto é quase o de um adulto caindo do telhado da casa, 2-3x a nossa altura. A cabeça de uma criança pequena é quase 1/3 do corpo, então geralmente ouvimos o impacto dessa parte com o chão e a criança refere mesmo dor local. É preciso imaginar que o crânio (osso) é uma proteção para algo imensamente importante para o organismo chamado cérebro. Fazer um “galo” (hematoma subgaleal) não quer dizer nada isoladamente (mas que de fato é o que infarta pai e mãe). Precisamos investigar se o cérebro foi lesado pelo trauma. Para isso observamos a magnitude do impacto, se na hora do impacto houve desmaio, convulsões, e se nos momentos seguintes houveram vômitos, sonolência (geralmente a criança chora muito pós susto e dorme no carro indo pro hospital, mas se ela reage ao ser manipulada está apenas dormindo cansada e não inconsciente), irritabilidade intensa (choro sem consolo no colo de quem ela confia). Esses seriam os indicativos mais graves. Lembrando que apenas um rx de crânio não garante que nada tenha acontecido lá dentro do cérebro, visto que ele apenas mostra o osso (crânio) e não o cérebro. Em casos mais graves avaliação de neurologista e exames como tomografia podem ser indicados.  Traumas simples necessitam apenas de observação da criança nas primeiras 12hs do trauma com vida normal, comendo e dormindo (mexendo na criança constantemente para ver se está apenas dormindo ou desmaiada), sendo o plantão procurado se sinais de alerta acima mencionados. Observar os 4 membros, se há desvios, dor ou inchaços, alteração de movimentação e observar se há dor nas costas ou dor abdome, cor da urina.

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2- Intoxicações – sim, a criança não tem obrigação de saber que aquele líquido rosa dentro de uma garrafa de água é desinfetante e não suco de morango e vai sim tomar. E aquele comprimido que parece “confete de chocolate” faz hummmmmmmmm na cabeça deles… Antes de sair correndo para o plantão ou enquanto alguém leva a criança, alguém precisa saber o que a criança ingeriu/respirou/derramou sobre si, quantidade e há quanto tempo. Induzir vômito não é adequado em todos os casos pois pode piorar o quadro. Cada medicamento ou produto químico ou até biológico (há também plantas tóxicas) tem uma forma de desintoxicação. Normalmente no rótulo do produto existem os telefones para orientação e há também centrais de toxicologia em grandes hospitais públicos ou o 0800 721 3000. Médicos também consultam esses grupos devido a especificidades de cada tratamento.

3- Insuficiência respiratória. Falta de ar. Criança cansada aos esforços, com tosse intensa, mudança do tom da pele, movimentos respiratórios de esforço. Sim, essa criança precisa ir para o plantão. Se já for algo que ela tenha com frequência medicar conforme os pais já estão acostumados e ir para o médico. Seja qual for a causa, ela será auxiliada a respirar visto que em casa muitas vezes não temos o suficiente.

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4- Sufocamento – recém nascidos podem engasgar com leite (seja por refluxo ou vômitos) e crianças podem colocar objetos na boca ou mesmo os alimentos (cuidado com milho de pipoca e amendoim por ex) . Temos 2 caminhos a partir da boca: via respiratória e via digestiva. Alimentos vão para o esôfago, e naturalmente se fecha a via aérea, e ar vai para as vias aéreas e naturalmente se fecha o esôfago. Eventualmente pode não haver essa sincronia e algo que não seja ar acidentalmente ir para a via respiratória impedindo que a criança receba oxigênio. A criança geralmente engasta como uma tentativa reflexa de expulsar o conteúdo de sua traquéia e normalmente dá certo, mas se ela persistir sem respirar temos uma emergência. Claro que o mais adequado é que a criança seja vista num pronto socorro, mas muitas vezes temos nós mesmos que proceder no salvamento, usando a manobra de Heimlich  Atenção: Sempre que a vítima perder a consciência, ligue para o Serviço de Emergência (192 ou 193).

 

5- Afogamento – parece impossível que uma criança “bem cuidada” vá se afogar certo? Errado! Muitas histórias de afogamento são tão simples como um bebê de 1 ano que se afoga num balde de água. A altura das perninhas permite que a criança se jogue dentro do balde, mas não o suficiente para que ele tenha apoio para sair… Quando falamos em afogamento pensamos em lagos e mar aberto. Mas sim, crianças de afogam em qualquer lugar que tenha água suficiente para cobrir o rosto, ou seja uma banheira ou bacia já é suficiente. Festas com muitos adultos “cuidando” das crianças são momentos propícios para um achar que o outro as está supervisionando, quando na verdade ninguém está, e de repente lá está a criança se debatendo ou até mesmo submersa na piscina. Muito cuidado sempre! Manobras semelhantes às acima de desengasgo pode ajudar, mas PS é a via de atendimento imediata.

6- Convulsões – crises convulsivas são sempre assustadoras de se ver. Quando nunca ocorreram então… Na criança saudável a crise convulsiva febril tem sua presença no pronto socorro. A parte “boa” da crise convulsiva febril é que ela é benigna, não deixa sequelas e não é o começo de uma epilepsia na imensa maioria das vezes e pode inclusive nunca mais acontecer. Ela normalmente passa sozinha. Mas claro, é uma urgência, até para investigar a causa da febre, podendo ser até mesmo meningite. Crise convulsiva não febril é mais importante e merece atendimento de urgência e seguimento neurológico após.

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7- Queixas abdominais, como dor, também assustam, pois pensamos em algo que vá acabar na mesa de cirurgia como apendicite. Crianças normalmente não apresentam problemas de vesícula e estômago como os adultos (mas não é impossível) sendo que crianças comem pouca fibra e podem sim ter constipação intestinal com cólicas doloridas como uma apendicite. Houve um aumento das queixas de pedra nos rins de crianças ultimamente. Novamente uma alimentação desbalanceada, sem ingesta de água pura e com excesso de alimentos cujos “metabólitos” se depositam nos rins (até formarem uma pedra) é dos principais causadores dos cálculos. Essa criança sempre merece ser vista, mas novamente, nem sempre será apendicite.

8- Desidratação – as viroses intestinais vêm em epidemias devastadoras. Vômitos, diarreia, febre e dor abdominal fazem com que a criança tenha perdas volumosas sem conseguir repor gerando desidratação. Na medida do possível hidrate a criança e se a “balança” pender mais para o prejuízo (mais perdas que reposição) com redução da eliminação de urina, essa criança merece ser vista. Somente febre também desidrata, visto que a criança transpira muito nas febres e dependendo do que causou a febre, essa criança não toma líquidos e a “balança” pende para o prejuízo também.

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9- Hemorragias não são comuns em crianças, mas acontecem de algumas formas como sangramento nasal por ex. Comprimir as narinas e elevar a cabeça podem resolver o problema rapidamente. Mas persistindo por mais de 20-25 min com intensidade moderada-grande deve ser visto no atendimento médico. Normalmente são as rinites ou resfriados que machucam as narinas por dentro.

10- Desmaios ou perdas de consciência também são raros em crianças, mas podem ter origem neurológica, metabólica, cardíaca, respiratória. Merecem investigação imediata.

Texto de Dra. Lilian Nakachima Yamada  escrito originalmente para o Geração Mãe em 16/11/2015, cedido gentilmente pela autora para o Mães com Ciência.

22728642_1922040711379553_751381677220936571_nDra. Lilian Nakachima Yamada é médica pela FAMERP (Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto – autarquia estadual) em 2001. Pediatra pelo HCFMRP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto SP), oncopediatra pelo HCFMRP, Hematopediatra pela Hospital São Paulo/ Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Estudiosa sobre o Transtorno do Espectro Autista desde 2009. Atendendo casos novos de atrasos de desenvolvimento desde 2011. Realiza atendimentos em pediatria geral e suspeitas de autismo pela Unimed e particular.

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