Mães adotivas podem amamentar

A amamentação de filhos adotados é completamente possível para as mulheres. O sucesso da lactação em uma adoção envolve vários fatores psicobiológicos, a disponibilidade de amamentar e a aceitação do bebê. Veja a seguir como este processo pode ser possível. 

Apesar da mãe não passar pela bomba hormonal da gestação e do parto, pode se induzir a lactação através de indutores hormonais aliados à sucção do bebê e o vinculo afetivo em desenvolvimento. Como em um nascimento normal, a mãe e o bebê estarão numa fase de reconhecimento desde o seu primeiro contato. Porém, o período de estabelecimento da amamentação vai depender de vários fatores, tanto da mãe como do bebê. Ter uma rede de apoio emocional e profissional fará uma enorme diferença para obter sucesso na indução da lactação.

Amamentar não é apenas alimentar o bebê com leite materno, a amamentação é um vinculo emocional muito forte, é na construção deste vínculo afetivo que deve estar seu foco durante o processo de indução da lactação. A descida de leite materno vai ser uma consequência lógica no processo.

Mother Care

O primeiro passo, antes de ao menos ter o bebê no colo é visitar um ginecologista ou obstetra para avaliar qual será a melhor conduta de indução hormonal.  A produção de leite materno acontece quando a prolactina se encontra em maior proporção no sangue que outros hormônios. Por isso é importante avaliar não apenas os indutores de prolactina, mas também inibidores desse outros hormônios, cada caso é um caso. Existem vários métodos galactogogos que podem induzir um aumento da produção da prolactina no organismo. É importante testar e estar acompanhada do seu médico para saber qual será o melhor método para você, nem todos funcionam de igual forma em todas as mulheres, podem provocar desde sonolência até reação extrapiramidal, é importante avaliar os efeitos colaterais também. Lembre que não existe uma medicação específica para induzir a prolactina, todos esses fármacos apresentam esse efeito como uma reação colateral.

Uma vez com seu bebê nos braços, é importante avaliar seu histórico. Ele mamou na sua primeira hora de vida? Usa chupeta, toma na mamadeira? Qual é sua idade? Bebês que usam chupeta e mamadeira podem ter maiores problemas para induzir a lactação na sua mãe já que esses artifícios modificam a tonicidade muscular. Para garantir o sucesso da amamentação é bom ficar longe desses artifícios. Se ele for maior de 3 meses é importante fazer uma retirada gradual desses artifícios para não causar maiores traumas na criança.

Marque metas pequenas, viva um dia de cada vez. A primeira meta é conseguir que o bebê se acalme no seu colo, para isto usar as técnicas de exterogestação, embrulho bem apertadinho, rede, ninho, banho de balde e principalmente sling serão de muita ajuda. Pense que o lugar de seu bebê é no colo. O contato físico é o primeiro requisito para formar o vínculo afetivo.

adop

A segunda meta será conseguir que seu bebê sugue o seu peito de forma correta, a ideia é que ele procure o seio para conseguir nele a sensação de conforto, consolo e segurança. Se seu bebê não mamou logo que nasceu ou usa chupeta e mamadeira há um tempo, pode ser necessária uma visita ao fonoaudiólogo para avaliação, receber orientação sobre exercícios que irão lhe ajudar desenvolver a força de sucção ao seio adequadamente. Chupetas e mamadeiras utilizam e desenvolvem grupos musculares muito diferentes aos usados na hora da mamada no seio, o que pode gerar perda da tonicidade dos músculos usados no seio. Pode ser preciso exercitar novamente essa musculatura para garantir um adequado estímulo do seio e ter sucesso na indução da lactação.

Se você consegue que seu bebê aceite o seio como consolo, considere-se vitoriosa!  Poderá passar a oferecer o seio em livre demanda e usar a técnica de relactação quando for hora da alimentação. Lembre que o bebê que mama do seio, mama para satisfazer suas necessidades nutricionais e afetivas. Assim que nem toda mamada precisa de leite e sonda.

A partir daqui você pode seguir o mesmo processo que uma mãe que procura voltar ao seio após a interrupção da amamentação. Leia sobre sobre aqui.

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Texto de Zioneth Garcia.

 

Referências

Guerra de Almeida J A,  Reis Novak F. 2004. Amamentação: um híbrido natureza-cultura. J Pediatr (Rio J). 80 (5 Supl): S119-S125 .http://www.scielo.br/pdf/jped/v80n5s0/v80n5s0a02

Santana, Maria da Conceição Carneiro Pessoa de, Moroni, Bárbara Cavalcante Silveira, Alpino, Luana de Lima, & Porto, Vanessa Fernandes de Almeida. 2014. Atuação fonoaudiológica hospitalar junto a um processo de relactação e adoção: relato de caso. Revista CEFAC, 16(6), 2048-2052. https://dx.doi.org/10.1590/1982-021620148913

Gomes Chaves R , Alves Lamounier J , Borges Santiago L , Oliveira Vieira G. 2008.  Uso de galactagogos na prática clínica para o manejo do aleitamento materno. Rev Med Minas Gerais 2008; 18 (4 Supl 1): S146-S153

 

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