Alimentação complementar e amamentação

Ao contrário do que muitos costumam dizer, amamentar não atrapalha a aceitação de alimentos, isto é um grande mito. O bebê que mama está se alimentando, o leite materno é sua principal fonte de nutrição até um ano de idade, e funciona como um suplemento alimentar perfeito acima de um ano. Durante a fase e introdução alimentar e alimentação complementar o foco não é na quantidade de alimentos, mas na qualidade e na formação de hábitos de alimentação saudáveis.

O leite materno: alimento completo

Até os 8 meses (aproximadamente)  o leite materno constitui mais de 70% dos nutrientes que o bebê precisa ¹. Mesmo quando o bebê come bem, podemos perceber que os alimentos ingeridos passam ao cocô quase inalterados, se come mamão, vai sair mamão, se come arroz, adivinhe só? vai sair arroz, experimente cm milho, feijão, e toda gama de alimentos que quiser. A mãe ou pai sabe o que o bebê comeu durante o dia, mesmo estando longe dele, apenas pelo cocô. Isto acontece porque o sistema digestivo ainda não consegue digerir e absorver todos os nutrientes dos alimentos, tão bem como digere o leite materno.

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Em algum momento após os 8 meses percebemos a mudança no cocô, o bebê começa melhorar a digestão, aceitar melhor os alimentos e começa gastar muita mais energia do que antes, se arrastando (minhocando), engatinhando, se levantando , ficando horas acordado brincando. Mesmo assim, o leite materno continua tendo um papel central na alimentação. Não se esqueça, até o primeiro ano, os alimentos é que são complementares². Mesmo que o bebê aceite muita comida, sempre precisará mamar, já que os alimentos ainda não são digeridos completamente, e não suprem as necessidade nutricionais tal qual o leite materno. Na medida que o sistema digestivo vai sendo aprimorado, o leite materno gradativamente vai cedendo espaço nutricional para os alimentos (mesmo continuando uma alta demanda emocional do seio, veja mais sobre a evolução da livre demanda aqui).

Alimentos sólidos: um novo mundo para o bebê

Na fase de introdução alimentar, o bebê está conhecendo os alimentos, sabores, texturas, tamanhos e cores. Devemos ter claro que existe uma grande diferença entre oferecer a experiência de se alimentar por outras fontes além do leite materno e suprir a demanda nutricional fora do peito. Durante a alimentação complementar, o melhor para que o bebê aceite os alimentos é deixar ele se divertir e compartilhar a refeição com a família. Quando comer, como comer e o que comer são comportamentos que aprendemos, na convivência, por imitação ³. Permitir que o bebê participe da experiência de sentar-se junto dos pais à mesa e experimentar os alimentos, fazendo da refeição uma hora feliz, sem estresse de quantidades de comida, sem forçar a comida para dentro da boca do bebê é o primeiro passo para incentivar um bom relacionamento com a comida.

 

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Limitar a amamentação não fará com que o bebê coma, pelo contrário – tornará o processo de introdução alimentar ainda mais difícil. Amamentar não é só alimentar. Quando você oferece o peito, seu bebê se sente protegido, confortável, seguro e principalmente se acalma. Negar o peito só vai deixá-lo irritado, e um bebê irritado come menos ainda. A maior armadilha é achar que, limitando as mamadas, o bebê comerá. Com isso, ele apenas se sentirá irritado e confuso, sem entender que você quer que ele coma. Simplesmente vai achar que você está negando o conforto, a segurança e a calma que ele sempre encontrou no peito.

Importante lembrar que o leite materno não atrapalha a absorção de ferro. Diferente do leite de vaca, o leite materno é completo, na sua composição possui ferritinas que favorecem a absorção de ferro 4 . A melhor estratégia para que o bebê aceite experimentar novos alimentos, sem ansiedade, é amamentar antes e imediatamente após as refeições. Inclusive, uma boa dica para satisfazer o paladar do bebê que está começando a alimentação com sólidos é misturar o leite materno na preparação do prato, não ferva o leite materno, só misture-o na comida pronta.

Por fim, é preciso encarar o processo de introdução alimentar com alegria, respeitando o tempo do bebê, sem obrigá-lo a comer, de acordo com o seu apetite. O que está sendo construindo nesta fase é o relacionamento da criança com a comida; e esse relacionamento, seja bom ou ruim, durará para sempre.

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*Texto original de Zioneth Garcia.

Referências:

(1) Elsa Giugliani, Cesar Gomes Victoria. 2000. Complementary Feeding. Jornal de pediatria v76 s3: 253-262. 

(3) Isabel Silva, J.L. Pais-Ribeiro,  Helena Cardoso. 2008. Porque comemos o que comemos? Determinantes psicossociais da selecção alimentar. Psic., Saúde & Doenças v.9 n.2 .

(4) Suzana de Souza Queiroz, Marco A. de A. Torres. 2000. Iron deficiency anemia in children. J Pediatr v76 s3:298-304.  

(2) MINISTÉRIO DA SAÚDE. 2009. SAÚDE DA CRIANÇA: Nutrição Infantil Aleitamento Materno e Alimentação complementar. Caderno de Atenção Básica, nº 23. Brasilia DF. 

(5) Sociedade Brasileira de Pediatria. 2012. Manual de orientação para a alimentação do lactente, do pré-escolar, do escolar, do adolescente e na escola/Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento de Nutrologia, 3ª. ed. Rio de Janeiro, RJ: SBP, 148 p. 

 

*Postado originalmente em 10 de junho de 2014 para o Grupo Virtual de Amamentação. 

Editado e atualizado em novembro de 2017

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