Adaptação do bebê aos cuidados de pessoas diferentes da mãe

Se está planejando delegar os cuidados de seu bebê na sua ausência, seja para trabalhar, estudar ou apenas para ter um tempinho para se cuidar, esse texto é para você.

Independente se a pessoa que irá cuidar do bebê mora com vocês ou não, se é parente ou não, é importante que dedique algumas semanas para acompanhar a adaptação do bebê aos cuidados dessa pessoa, assim você e ela poderão analisar a situação e ajustar a rotina e os diferentes jeitos de oferecer o leite e colocar para dormir na sua ausência. Seu bebê precisa conhecer e firmar o vinculo com essa outra pessoa antes de confiar o suficiente para ser alimentado e embalado por ela. Por mais que sejam pessoas próximas ou mesmo parentes muito queridos, o seu bebê precisa aceitar como cuidadores.

A ideia da adaptação é ir deixando a criança sozinha com essa pessoa, aumentando gradativamente o tempo que ficarão sem você. Inicialmente serão por períodos de segundos ou minutos com você no campo visual ou auditivo, e esses períodos irão aumentando gradualmente até chegar ao total do período que você se ausentará.

O comportamento da criança é pessoa específico, pelo que cada um dos cuidadores ( pai, mãe, avó, babá, tia) irá desenvolver através da convivência seu próprio jeito de alimentar, brincar, relaxar e adormecer o bebê. A adaptação gradual permite que o bebê e seus novos cuidadores estabeleçam esses sistemas sem estresse. O bebê só dormir sendo amamentado ou no colo da mãe não impede que desenvolva e aprenda dormir de outras maneiras com seus outros cuidadores. Não precisa se estressar tentando ensinar seu bebê dormir fora do seio antes de começar a adaptação aos cuidados de outras pessoas, melhor invista na amamentação como ferramenta para garantir um ritmo de sonecas adequado, que permita um bebê mais calmo para começar essa adaptação.

Imagem canva.com assinatura Zioneth Garcia

Organizar a rotina de aleitamento, atividades e sonecas vai facilitar muito o processo de adaptação aos cuidados de terceiros. Assim você poderá planejar a introdução à presencia dessa pessoa nos horários mais adequados, nos que seu bebê está mais calmo e receptivo. A maioria de bebês acordam e mamam, ficando alerta para brincar, e após um tempo mamam novamente procurando relaxar para dormir. Começar a adaptação pela alimentação e hora de dormir pode deixar a criança muito estressada, rejeitando a presencia de novos cuidadores, é melhor começar apenas brincando e pouco a pouco ir ganhando a confiança do bebê para lhe alimentar e só depois lhe ajudar relaxar para dormir. Caso você planeje ficar longe vários ciclos seguidos, acrescente um de cada vez  até completar o total de tempo longe de seu bebê. Veja esse cronograma de adaptação:

  1. Brincar após a mamada, com a mãe por perto, ao alcance da vista, para acolher o choro caso houver.
  2. Brincar após a mamada, sem a mãe por perto, mas presente no mesmo local, aumentando o tempo de alguns minutos até horas. 
  3. Despedida da mãe, após a mamada ficando a brincar, sem a mãe presente no local, porém disponível caso necessário. 
  4. Despedida, brincar após a mamada e oferta da alimentação, sem a mãe presente. 5- Ciclo completo.
  5. Despedida, brincar após a mamada, oferta de alimentação, e colocar para dormir. A mãe ofertará o seio ao acordar. 

Ao deixar a criança aos cuidados de outra pessoa evite a transferência de colo, é melhor que ela seja levantada e consolada após deixada no chão. Ao ser entregue no colo a criança fica com sensação de ter sido tirada dos braços da sua mãe, ficando à defensiva e dificultando a aproximação de outras pessoas. Já se sua mãe se despede, a deixa no carrinho ou no chão brincando, a outra pessoa pode se aproximar e lhe acolher, encontrando o bebê vulnerável e receptivo a esse acolhimento.

Nunca saia de fininho, a criança precisa perceber que sua mãe foi embora e ficou aos cuidados da avó ou papai. Ao sair sem a criança perceber, pode a deixar ansiosa assim que percebe a ausência da mãe, lhe procurando e esperando-a para seguir com suas atividades. Faça despedidas rápidas, é melhor sair e voltar em poucos minutos, enfatizando que a mãe voltou, do que tentar consolar a criança no colo de outra pessoa. Combinem um sistema de comunicação para que possam lhe informar se o bebê não se acalmar e seja necessário seu retorno.

Imagem canva.com – assinatura Zioneth Garcia

Mantenham os pequenos rituais do dia dia, mesmo sem a mãe presente: forma de acordar e levantar, na hora de comer, na hora de dormir (naninha, musiquinhas, cheirinhos, etc). Conversem constantemente sobre as atividades que estão fazendo e as que irão fazer em seguida. Dessa forma permite que o bebê acompanhe o que está acontecendo no seu ambiente, ganhando segurança e em consequência ajudando a ficar mais calmo.

Mesmo que planeje ficar em home office, se afaste para trabalhar, fique em um cômodo de porta fechada longe do alcance da vista da criança, dessa forma conseguirá tornar mais eficiente seu tempo de trabalho e evita múltiplas despedidas dentro de um mesmo período. Cada nova despedida é um novo pico de estresse, a criança não entende que sua mãe está presente e não está disponível. Ela vai procurar sua atenção constantemente enquanto lhe veja por perto, dificultando a aproximação da babá. 

Se objetivo é preservar o aleitamento materno, tente ficar longe dos bicos artificiais. Os métodos alternativos de aleitamento devem ser testados pela pessoa que irá cuidar na ausência materna. O aleitamento, mesmo fora do seio,  deve ser uma experiência prazerosa para  criança, estar no colo, conversando, tendo o seu ritmo respeitado, sem pressa. Se for preciso fazendo pequenas pausas, oferecendo o leite de forma mais passiva, para garantir que tome o suficiente, até  ficar satisfeita. 
Veja métodos alternativos a mamadeira para oferecer o leite

Se está planejando sua volta ao trabalho, esse período de adaptação deve ocorrer um bom tempo antes justamente para você poder auxiliar e amamentar caso a criança estranhe. O ideal é que programe pelos 2-3 semanas antes de começar a trabalhar para dedicar a esse processo. O mais importante é se sentir segura e confiar na pessoa escolhida para cuidar de seu bebê na sua ausência, isso permitirá que seu filho também confie e facilitará a adaptação. 

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Texto original de Zioneth Garcia

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