7 dicas para enfrentar a greve de amamentação

Numa greve de amamentação, o bebê ou criança pequena pode parar de mamar de repente, sem aviso prévio, simplesmente não quer mais o seio, deixando a mama à beira do ingurgitamento, a mãe muito preocupada , e tendo dificuldades para garantir sua nutrição e lidar com estresse sem a sucção do seio. 

Estamos falando de greve de amamentação quando é evidente que a criança não estava pronta para parar de se ser amamentada, e a mãe não tinha intenção alguma de ter um desmame abrupto, mas mesmo assim o bebê não pede ou se recusa mamar se ofertado o seio. O bebê e a mãe querem a mamada, e mesmo precisando e desejando o bebê chora ao ser posicionado para mamar, sendo difícil de acalmar. Em algumas circunstancias, é necessária outra pessoa para acalmar a criança, já que no colo da mãe e na posição de mamada chora ainda mais. A greve de amamentação é diferente do desmame por confusão de bicos, onde o bebê passa a substituir o seio com chupeta ou mamadeira, mantendo satisfeita sua necessidade de sucção.

Foto por Pixabay em Pexels.com

Quando pode acontecer uma greve de amamentação? 

Quando o bebê tem experiências desagradáveis ao seio, seja por sentir dor, medo, gosto ruim ou sensação de rejeição por parte da mãe, pode se recusar mamar. A dor causada por uma infecção de garganta, estomatite, sapinho, otite, aparição de pré molares ou presas, reação alimentar adversa (seja alérgica ou não), entre outros, podem levar a criança criar uma memória sensorial desagradável, a qual não irá querer repetir, rejeitando o seio mesmo depois de passar a causa da dor. Os gritos ou atitudes ríspidas tomadas após uma mordida durante a mamada, ou quando a mãe briga com outra pessoa enquanto amamenta, por exemplo, podem gerar medo no bebê, e ser mais uma causa de rejeição da mama. 

O gosto do leite pode mudar, nas primeiras semanas de uma nova gestação, quando a mãe toma alguma medicação ou suplemento (alopática ou homeopática) que possa alterar o gosto do leite,  ou quando há cumulo de acido láctico no organismo da mãe por cansaço muscular. Com a atividade física intensa, especialmente quando não se está acostumada, o seu corpo pode experimentar acúmulo de ácido láctico, evidente pela dor do cansaço muscular, o ácido láctico pode passar pelo leite materno, e alta concentração eventualmente alterar o gosto. Vale lembrar que a atividade física não atrapalha a amamentação, apenas é importante estar ciente das próprias capacidades e do seu metabolismo. Para uma atleta que virá mãe, seu organismo lidará melhor com o cansaço muscular, o tempo de recuperação de seu corpo após atividade física intensa é muito menor, sendo menos provável que altere o gosto do leite materno. Enquanto que, para uma mulher que começa a atividade física após a maternidade, e está apenas se adaptando aos exercícios, mesmo que sejam moderados, podem ser o suficiente para ter vários dias de dor muscular, experimentando altos níveis de ácido láctico no seu corpo, e mudanças no gosto do leite que produz. 

Em situações nas que a mãe experimenta perturbação da amamentação, seja por uma nova gestação, cansaço acumulado, alguma fase de seu ciclo menstrual, ou qualquer outra razão que a leve se mostrar irritada, desconfortável, distante ou mesmo sofrendo durante a mamada, a criança pode responder rejeitando a mamada para evitar ver sua mãe sofrer. Vale lembrar que na perturbação da amamentação, existe desejo por amamentar, mas os sentimentos de repulsa durante a mamada podem ser incontroláveis. 

Em greve de amamentação, e dependendo das causas, pode levar alguns dias para o bebê voltar se sentir seguro e confortável no seio. Tenha paciência, pode ser questão de 1 ou 2 dias, mas pode levar até uma semana. Enquanto retoma a relação do bebê com o seio, o mais importante é garantir a alimentação (com o aleitamento adequado) e manejo do estresse.

Foto por NIKOLAY OSMACHKO em Pexels.com

7 Dicas para enfrentar a greve de amamentação

1- Tente entender a causa da greve e se possível trate dela. Há dor na boca ou garganta? uma orientação do seu pediatra para aliviar esse desconforto seria ideal. A recusa veio depois de algum comportamento ríspido ou de rejeição, converse, peça desculpas, e tenha paciência para reconstruir o vínculo com o seio. Se suspeita do gosto, tome bastante água, se alimente como de costume e descanse, o seu corpo fará o resto. Se tente iniciou uso de algum suplemento, medicamento ou homeopatia recentemente, avalie a sua influência sobre o gosto do leite, suspenda o uso ou reduza a doses do suplemento. Se for um medicamento de uso obrigatório (ATB, antiparásitarios), ajuste os horários, de forma que o pico de atividade plasmática aconteça no intervalo entre mamadas, quando o bebê dormir ou puder ficar um longo período sem mamar.

2- Organize a rotina, entenda as necessidades nutricionais e emocionais da criança. Que hora é essencial a mamada nutricional? qual horário precisa mamar para relaxar? Sabendo os horários, poderá se antecipar e satisfazer a necessidade antes da criança ficar irritada. A pior estratégia para voltar ao seio é deixar a criança com fome ou chorando estressada. O descanso é essencial, se precisa manter a soneca no colo para garantir sua eficiência, faça! melhor que ter uma criança que se recusa mamar e irritada de sono.  

3- Manter o aleitamento é essencial, enquanto as mamadas não voltam ao seio, ordenhe regularmente e ofereça seu leite em colher dosadora, copo ou colher. Mesmo fora do seio o aleitamento deve ser uma experiência prazerosa, ofereça o leite na mesma, enquanto compartilham uma refeição em família, ou mesmo enquanto brincam. Mantenha uma postura passiva, ofereça devagar, sem pressa. Prefira oferecer porções pequenas frequentemente, no lugar de grandes quantidades poucas vezes ao dia. 

4- Capriche no colo e no contato pele a pele. Provoque a criança permitindo que brinque próxima ao seu dorso nú, ordenhe e mostre o leite, ofereça momentos de prazer, relacionados aos seio mesmo sem precisar mamar. Gradualmente poderá retomar o vínculo afetivo do bebê com o seio. Agora é a hora de usar todas as ferramentas para acalmar a criança que você conhece: colo, balanço, conversa, cantar suavemente, caminhada, etc. A criança precisa se sentir segura, protegida e calma com você, antes de qualquer tentativa de a colocar ao seio. 

5- Seja sutil na hora de posicionar a criança ao seio e mude o comportamento habitual de mamada,  tente uma posição diferente, um local diferente, uma postura diferente à que estão acostumados nas mamadas. Experimente amamentar em situações não usuais, como andando ou movendo-se. Mude o ambiente onde usualmente amamentava, troque a poltrona de amamentação de parede, coloque um quadro colorido atrás ou oferte em locais diferentes da casa. Tente também várias posições de amamentar: deitada, em cavalinho, postura invertida, no sling. A ideia é quebrar o padrão de comportamento associado às mamadas, e trazer leveza à hora de amamentar com a mudança. Porém, se a criança mostrar aversão ao peito é muito importante não a forçar, deixando-a nervosa só acentuará a rejeição ao seio. 

6- Ofereça o seio quando a criança estiver sonolenta, antes de acordar completamente e antes de dormir. Se ela estranha um pouco, mantenha a calma, segure firmemente no seu colo e ofereça o seio enquanto balança-a no colo, permita que encoste a boca no seio nu e se acalme, mesmo que não o pegue para sugar no primeiro momento.  Uma vez calma e sugando, relaxe. 

7- Enquanto retomam o ritmo da amamentação, não se preocupe pela amamentação noturna. É possível que por uns dias seu bebê manifeste aleitamento em ciclo reverso, mamando mais e melhor durante a noite que no dia. Organizar uma cama compartilhada por uns dias pelo menos, pode ajudar retomar o processo. 

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Texto original de Zioneth Garcia

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