Igualdade se aprende em casa

Sou mãe de menina e de menino. A menina chegou primeiro e depois de passar aquele turbilhão de emoções do puerpério imediato e amamentação, eu só conseguia pensar em como seria a vida dela para frente. A gente se vê lidando com tantos empecilhos aenas por ter escolhido ser mães. Que vendo aquela menina completamente dependente só pensamos no que a vida lhe tem reservado. O quê ela escolheria ser quando crescer, será que ia conseguir ter sucesso, e se quisesse ser mãe? Será que ia ter que parar a vida profissional? 

E então, quando saiu aquela campanha #meuprimeiroassedio no ano passado, chorei muito, meu marido viu o quanto. Fiquei com a sensação que minha filha, pelo simples fato de nascer do sexo feminino, estaria condenada a ser assediada, abusada ou desrespeitada. Não sei se chorei de cansaço, de desespero, de medo ou de frustração de pensar a dó que minha filha poderia ser submetida um dia, sem que eu pudesse protegê-la. Mas algo me fez acordar desse buraco em que estava me afundando, foi meu pequeno. Sim! lembrei me que também sou mãe de menino, e me preocupo muito com a forma que ele trata e irá tratar as mulheres no futuro.

Menino aspirando

Ainda lembrei-me que, entre minhas amizades, tenho muitas mães de meninos, que se preocupam por oferecer uma educação que não irá perpetuar o ciclo cultural que inferioriza e objetifica as mulheres. Não é um trabalho fácil, temos ao redor uma carga cultural enorme, uma tonelada de comentários do tipo “homem não chora”,  “menino não brinca de boneca”, “olha que gostosa filho” ,  “isso aí menina, vai praticando na cozinha” etc, etc. Comentários que já até me renderam algumas brigas familiares.

Mas tenho fé no futuro que está por vir, uma geração cheia de filhos e filhas de mães que se apropriaram de seus corpos e descobriram sua verdadeira voz, filhos e filhas de mães e pais que romperam esse ciclo de “é assim que sempre fizemos” e arriscaram fazer diferente. Filhos e filhas de homens e mulheres que estão em processo de transformação. Ainda nas ultimas semanas tenho acompanhado com muita esperança casais nos que a labor de cuidado das crianças, culturalmente cedida às mulheres, é  dividida par a par, e assumida com naturalidade pelo parceiro.

Meu irmão e minha sobrina

No dia internacional da mulher, só desejo que meus filhos vivam num mundo mais equitativo, que a igualdade de direitos deixe de ser apenas uma ideia e se torne uma realidade. Que os salários sejam iguais de verdade; desejo que a licença maternidade e paternidade respondam às necessidades dos filhos e não apenas da indústria; desejo que não exista mais o sexo frágil e que seja valorizada a verdadeira força interior de cada um de nós; desejo que minha filha possa viver sem medo e que meu filho não seja a causa do medo de nenhuma mulher.

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Texto original de Zioneth Garcia

 

 

 

 

 

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