Crises comportamentais violentas nas crianças: como manejar?

Quanto vivenciamos sentimentos muito intenso temos expressões intensas, choramos, damos gargalhadas, gritamos, suamos, pode ser choro de extrema felicidade (como no nascimento de um filho) ou de grande tristeza *como na perda de um ser querido), gritamos de empolgação (quando vemos o show de nosso artista favorito) ou de raiva e dor (quando batemos o dedinho contra o pé da cama). As emoções intensas encontram uma forma de sair. Adultos, com um desenvolvimento emocional contamos com autocontrole e conseguimos modular essa resposta, dosar  a expressão ou até mesmo adiar (controlar o grito ao bater na cama para não acordar o bebê p.e). Mas devemos ser cientes que não podemos exigir esse mesmo nível de autocontrole das crianças. Elas estão começando conhecer suas emoções na primeira infância, ainda acertando as formas de as comunicar para o mundo, para seus pais. 


Chorar  descontroladamente, gritar, bater, se jogar no chão, bater a cabeça, puxar o cabelo, agredir outros ou se agredir, são formas da criança expressar um sentimento vivenciado de forma intensa: raiva, frustração, felicidade intensa, empolgação, tristeza, saudades, cansaço acumulado. Podem deixar a criança hiper estimulada, levando seu cérebro a encontrar nesses comportamentos uma válvula de escape para voltar se equilibrar, enquanto se adquire um sistema de controle emocional mais amadurecido. Veja Entendendo as crises de choro ou “birras” .

Manejar essas crises de comportamento quando se tornan mais violentas, é um verdadeiro desafio para os pais e cuidadores.

5 dicas para manejar as crises comportamentais violentas. 

1-Avaliar o contexto no qual a crises comportamental acontece, para descobrir o por que acontece, é essencial para definir a estratégia de correção. Quando seu filho tem esses episódios? se ele os apresenta quando está feliz de lhe ver, quando você pega no colo na saída da escola, ou quando você chega em casa após o trabalho, ele pode estar simplesmente querendo dar um beijo. Se apresenta esse comportamento quando você conversa com outras pessoas, na rua, ou quando tem visitas em casa, é provável que faça para chamar sua atenção. Pode agredir se sentir frustrada ou com raiva, porque você diz não, retirando ou lhe impedindo de pegar ou fazer algo que ele desejava muito. Também podem haver agressões defensivas, aquelas que acontecem quando a criança se sente invadida, como num exame médico ou odontológico, ou quando um adulto ou criança tenta abraçar ou beijar insistentemente.  


2-Identifique as situações ou comportamentos detonantes e se antecipe, uma vez identificadas as razões pelas quais a criança apresenta essas crises comportamentais violentas. Dessa forma irá frear o comportamento antes de acontecer. Se a empolgação e felicidade de lhe ver é o detonante, que tal mudar a forma de dar oi?  troque os beijos por bater palminhas, dar gritinhos ou abraços apertados, por exemplo. Se a crises comportamental é por raiva ou frustração, crie um comando curto que alerte a criança sobre seu comportamento “sem bater”, repita esse comando ao mesmo tempo que intervém retirando a criança do foco da frustração ou raiva (não se limite apenas falar é preciso tomar uma atitude), nesse ponto não interessa de quem é o brinquedo, quem pegou primeiro ou quem tem a razão, a prioridade é proteger a integridade física da outra pessoa (criança ou adulto).

 

3- Ofereça alternativas às explosões comportamentais violentas, sabendo quando e por que elas acontecem, você poderá oferecer alternativas: ensinar fazer o biquinho de beijo, pedir sua atenção puxando/ apertando sua mão ou falando mãe, proteger o brinquedo dando as costas à outra criança, recuperar o brinquedo pedindo ajuda de um adulto, se afastar da pessoa (criança ou adulto) que insiste em abraçar e beijar contra vontade, procurando a proteção da mãe ou adulto responsável, desafogar a raiva grunhindo ou falando, ou mesmo se afastando da situação. Para ensinar a criança esses novos comportamentos use o recurso das brincadeiras de faz de conta, historinhas e encenação com fantoches, com personagens fictícios. Mostre a situação como acontece normalmente, falando dos sentimentos dos envolvidos, e então recrie a mesma situação mostrando a correção comportamental, enfatizando nos novos sentimentos gerados. Introduza o comando curto que pode ser usado para alertar a criança da proximidade da crises comportamental, também nas historinhas e brincadeiras, faça a criança participar, alertando e corrigindo os personagens.

4- Reforce bons comportamentos e repita as orientações constantemente. Não basta uma historinha, uma conversa ou uma dúzia de alertas que frearam o comportamento violento, é preciso repetir muitas vezes de diversas formas, sem baixar a guarda. Não é raro, acreditar o comportamento ter sumido e novamente acontecer após ter baixado a guarda. Não esqueça que a criança ainda está em aquisição de um sistema de autocontrole emocional. Um dia ruim, uma noite de sono difícil, uma refeição em atraso ou excesso de televisão, podem ser o suficiente para ter uma criança mais estressada do normal, e é então que a explosão de emoções pode ser mais forte. Tão importante quanto mostrar o comportamento adequado, é reforçar positivamente quando a criança o manifesta. Mostre que você notou o bom comportamento “goste de ver que se afastou no lugar de bater!” , “fiquei feliz que conseguiu se controlar para não bater ”, “muito bom! gostei de ver que conseguiu pegar o brinquedo de volta sem precisar gritar!”.

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5- Seja exemplo. Expresse suas emoções de fora oportuna e adequada “estou muito bravo por ….” , “fiquei chateado com…”, “hoje no serviço fiquei muito irritado com….”.  As crianças estão sempre de olho!  mostre como podem expressar suas emoções, não apenas  nas situações relacionadas diretamente às crianças, mas com as pessoas ao redor, e se for preciso peça desculpas ou reconheça que atuo de forma errada, quando seu comportamento não for o adequado (aquele que você cobra de seu filho). Se você grita, seus filhos vão aprender se expressar gritando, se você chuta coisas, é provável que os pequenos imitem. Porém, tenha em mente que nem sempre o comportamento difícil é resultado de exemplos ruins, muitos comportamentos violentos são resultado de uma expressão emocional ainda descontrolada. Não é raro que mesmo sem nunca ter gritado ou batido, ela grite muito ou bata em você ou nas pessoas ao redor, no pico mais intenso da frustração ou raiva, é normal. Trabalhe com seu exemplo, mostrando a forma que você expressa seus sentimentos para a criança. Ao você se expressar, valida a possibilidade da criança se expressar.

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Veja mais:

O quê fazer durante as crise de choro?

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