O quê fazer durante as crise de choro?

O choro e a irritação da criança não é premeditada,  não são contra você, pai ou mãe, o objetivo do  choro não é lhe perturbar ou lhe fazer passar vergonha, esse choro é a expressão de um sentimento muito forte que a criança está sentindo nesse preciso momento. Então antes de mais nada, peço que por favor, avalie a sua urgência por calar o choro a todo custo e de qualquer maneira. Entendo que seja perturbador, incômodo e até vergonhoso para você ter uma criança gritando, chorando e se jogando no chão no meio da loja, no elevador, no shopping…. também morro de vergonha, mas faz parte! Acredite em mim quando lhe falo:  acontece com todo mundo em algum momento. Seja sendo a criança ou o adulto da situação.

A melhor forma de atacar as crise de choro, irritação ou “birra” das crianças é antes que estas aconteçam. Então uma passadinha por essas sugestões para prevenir as crise de choro vai ser legal.

Não deu para evitar? Agora precisamos lidar com o estado alterado de nossa criança, mesmo querendo meter a cabeça na terra, morrendo de vergonha e tendo que aturar os comentários e olhares ao redor, precisamos criar coragem e encarar a situação da melhor forma possível. 

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O mais importante ao lidar com a criança durante esses períodos carregados de emoções fortes é conseguir criar uma conexão positiva, mostrando acolhimento e empatia. Se simplesmente pedimos para a criança parar de chorar, garanto que não vai dar certo, tampouco vai dar certo lhe pedir calma ou explicar longamente o porque não é possível fazer o que ela quer. Uma pessoa alterada, ainda mais sendo criança, está fora do controle das suas emoções e muitas vezes fora do controle dos seus próprios sentidos, ela não escuta, não vê e não vai entender até que consigamos tirar ela desse estado perturbado. Provavelmente você já percebeu (ou já até sentiu) mais raiva na resposta dessa pessoa alterada quando lhe pedimos calma no meio da crise. Não sei vocês, mas quando estou muito brava e irritada, o que menos espero ouvir é “calma” meu desejo é ouvir que tenho razão ou que pelo menos já fui ouvida. Com as crianças não é diferente, antes de mais nada eles precisam se sentir ouvidos. Se ouve um “calma filho” ele vai entender que a sua mensagem não foi clara o suficiente e a vai repetir mais forte e mais forte até ser ouvida … Na cabeça da criança ela entende o pedido de calma como:

<< ele/ela não está entendendo, não quero calma…. estou muito chateado ela não viu então vamos lá ela vai entender>> ….  BUAAAAAA!!!

O quê significa se conectar de forma acolhedora e empática?

Antes de mais nada vamos estabelecer a comunicação  real, fazer a criança nos ouvir. Se você sabe o motivo do choro repita para a criança ouvir em frases curtas (de 2 -3 palavras no máximo), nomeie o sentimento dela e o reflita na sua linguagem corporal (olhar, expressão facial, postura e tom da voz). Enquanto seu filho se encontra em estado alterado, ele está mais para um homem das cavernas do que para homem civilizado, então não há problema falar de forma primitiva, com crianças pequenas é até melhor, queremos nos conectar com essa parte primitiva mesmo, o cérebro da criança vai entender. Mostre que você entendeu a razão do choro. Se dá para atender, então atenda, se não dá para atender ou ceder tente oferecer uma alternativa similar, se não há alternativas viáveis, acolha “pode chorar, quer chorar no meu colo?”.

Quiçá seja mais fácil me explicar com um exemplo:

João (2a 6m) está cansado, é quase hora da sua soneca mas sua mãe precisou sair de casa, na hora de entrar no elevador a mãe que está com pressa, aperta o botão do elevador antes mesmo do João pedir. Isto foi suficiente para detonar a crise. Então o que a mãe de João faz é repetir várias vezes e com tom irritado o parecido ao de João > “João Bravo, bravo bravo” “ quer apertar botão, apertar botão,  apertar botão” <  João então olha para ela com os olhos cheios de lágrimas e acena com a cabeça confirmando que era isso mesmo. A mãe de João estende a mão para lhe ajudar se levantar do chão, o pega no colo  e então diz: “Ahhh o elevador chegou, quer apertar o botão de dentro?  olha tem luzinhas bacanas” João desde seu colo se inclina para apertar o botão e depois se abraça à mãe.  

Notem que no exemplo a Mãe de João não tenta argumentar com ele como às vezes fazemos com as crianças “filho levanta do chão, que feio, vai sujar tudo”, “João me desculpa não sabia que queria apertar o botão, depois você aperta” ,  “Ahhh filho agora não dá para comer chocolate está quase na hora de comer”, “Não pode bater, faz dodoi, olha como o amigo está chorando” . Na hora da crises a criança escuta as primeira três palavras o resto é barulho vazio, então não adianta querer elaborar discursos e explicações para a criança entender o que deve fazer ou o porquê não pode fazer. É perder o tempo e correr o risco de deixar essa criança mais irritada ainda. As explicações longas se deixam para outro momento, quando estejam calmos, longe da crises.

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Nem sempre é possível ceder ao pedido ou oferecer uma alternativa aceitável para a criança, nesses casos o fato de reconhecer o motivo do choro, validar o sentimento e acolher será nossa única saída. Se não há mais o que fazer, abrace, mostre que entendeu e que estará aí para ele, lhe permita sentir, se expressar e lhe ajude criar mecanismos para se acalmar novamente.

“Está melhor? vamos respirar (respirando junto profundamente) 1…2…3…4…5…6…”

“Pode chorar a mamãe sabe , nenê está triste”

O problema não é o choro, o problema é deixar o choro desatendido. Se você está junto e acolhendo, está valendo, você está educando. 

10 dicas para lembrar do que fazer e não fazer durante as crise de choro 

  1. Atenda prontamente. Estabeleça a comunicação  real, faça a criança lhe ouvir, um barulho forte, um grunhido, repetição de uma frase curta que mostre que vc entendeu a mensagem.  
  2. NÃO REPREENDER. Repreender significa interpretar  comportamento da criança como “malcriação” quando na verdade ela está manifestando frustração com as ferramentas que tem.
  3. Mantenha a calma. Se a criança perceber que os gritos e choros incomodam, vai tender a repeti-los mais vezes, será seu mecanismo de chamar a atenção e se fazer ouvir até nas situações mais leves, se tornando rapidamente um padrão de comportamento.
  4. Não grite. Não use chantagens, nem ameaças. Nunca mande a criança parar de chorar ou “engolir o choro”. Isto são diversas formas de desvalorizar seus sentimentos.
  5. Não discuta nem tente argumentar com a criança no meio de uma crise.   

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  6. Depois de se conectar, tente tirar o foco da situação problema com delicadeza. Tentar tirar o foco do problema abruptamente pode ser muito rude, parecendo que você não se importa realmente com a situação e tendo o efeito contrário ao desejado.
  7. Prefira sair de cena e dar um tempo antes de atuar com violência. Se está em local público apenas garanta que a criança não vai se machucar e fique olhando o show, conte mentalmente e respire até se acalmar e aí sim volta enfrentar a situação.
  8. Quando se apresentarem comportamentos violentos foque primeiro em proteger a integridade física dela e dos outros (incluindo você). Segure a criança enquanto tenta se conectar através da linguagem.  
  9. Se for preciso se retire com a criança para um cantinho longe do foco do problema e tentem acalmar se juntos. Qual é sua estratégia para se acalmar nas situações de estresse? Ensine-a aos seus filhos durante as brincadeiras, tentem construir uma estratégia para trazer a calma nesses momentos: Respiração coordenada? Massagem? Mãozinhas dadas? Sussurrar no ouvido?  Beber água? Olhar um determinado quadro na parede? Uma música específica?  O que funciona em cada caso depende da personalidade e ambiente no qual cada um cresce, então vale descobrir o que abaixa seu estresse e o de seus filhos, vai ser de utilidade sempre.
  10. Evite sermões e explicações complexas durante a crises e nos minutos seguintes. A hora de conversar sobre comportamentos que precisam ser corrigidos é quando estamos em calma e com completa atenção da criança. 

 

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Entendendo as crises de choro ou “birras” 

Livro recomendado:
Harvey, Karp. A criança mais feliz do pedaço. Tradução Sonia Augusto. 2 Ed. Novo século editora, São Paulo. 2011

 

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