Manejando a crise de choro

O choro e a irritação da criança não é premeditada,  não são contra você, pai ou mãe, o objetivo do  choro não é lhe perturbar ou lhe fazer passar vergonha, esse choro é a expressão de um sentimento muito forte que a criança está sentindo nesse preciso momento. Então antes de mais nada, peço que por favor, avalie a sua urgência por calar o choro a todo custo e de qualquer maneira. Entendo que seja perturbador, incômodo e até vergonhoso para você ter uma criança gritando, chorando e se jogando no chão no meio da loja, no elevador, no shopping…. também morro de vergonha, mas faz parte! Acredite em mim quando lhe falo:  acontece com todo mundo em algum momento. Seja sendo a criança ou o adulto da situação.

A melhor forma de atacar as crise de choro, irritação ou “birra” das crianças é antes que estas aconteçam. Para isso tenha uma boa rotina, que atenda todas as necessidades fisiológicas da criança oportunamente, e trate a criança com respeito, estabelecendo com ela uma comunicação constante sobre suas atividades do dia dia. Uma passadinha por essas sugestões para prevenir as crise de choro pode ser legal.

Não deu para evitar? Agora precisamos lidar com o estado alterado de nossa criança, mesmo querendo meter a cabeça na terra, morrendo de vergonha e tendo que aturar os comentários e olhares ao redor, precisamos criar coragem e encarar a situação da melhor forma possível. 

Foto por Henley Design Studio em Pexels.com

O mais importante ao lidar com a criança durante esses períodos carregados de emoções fortes é conseguir criar uma conexão com o que ela sente, mostrando acolhimento e empatia. Se simplesmente pedimos para a criança parar de chorar, garanto que não vai dar certo, tampouco vai dar certo lhe pedir calma ou explicar longamente o porque não é possível fazer o que ela quer durante a explosão de sentimentos. Uma pessoa alterada, ainda mais sendo criança, está fora do controle das suas emoções e muitas vezes fora do controle dos seus próprios sentidos, ela não escuta, não vê e não vai entender até que consigamos tirar ela desse estado perturbado. Provavelmente você já percebeu (ou já até sentiu) mais raiva na resposta dessa pessoa alterada quando lhe pedimos calma no meio da crise. Lembre-se, a criança chora porque tem um problema, não para lhe causar problemas, foque em entender o problema da sua criança mais que nos olhares reprobatórios que receberá ao redor.

Não sei vocês, mas quando estou muito brava e irritada, o que menos espero ouvir é “calma” meu desejo é ouvir que tenho razão ou que pelo menos já fui ouvida. Com as crianças não é diferente, antes de mais nada eles precisam se sentir ouvidos. Se ouve um “calma filho” ele vai entender que a sua mensagem não foi clara o suficiente e a vai repetir mais forte e mais forte até ter certeza que foi ouvida … Na cabeça da criança ela entende o pedido de calma como:

<< ele/ela não está entendendo, não quero calma…. estou muito chateado ela não viu então vamos lá mostrar e ele/ela vai entender>> ….  BUAAAAAA!!!

Quando sua criança estiver em meio da crises de choro, primeiro se conecte de forma empática. Mostre que você entendeu a mensagem atrás do choro. Quando o choro estiver diminuindo, tente redirecionar a atenção. Se dá para atender a razão pela qual aconteceu o choro, então atenda, se não dá para atender ou ceder ao pedido ou satisfazer a necessidade, tente oferecer uma alternativa similar. Se não há alternativas viáveis só resta acolher. Mostre que você se importa pelos seus sentimentos e permita que os expresse. É muito mais eficiente para deter o choro um “pode chorar, mamãe sabe” enquanto abraça, do que um “para de chorar que não foi nada“.

O quê significa se conectar de forma acolhedora e empática?

Antes de mais nada vamos estabelecer a comunicação  real, fazer a criança nos ouvir. Lembre que a comunicação é verbal e não verbal. Esse exercício precisa prática. Se você sabe o motivo do choro repita para a criança ouvir em frases curtas (de 2 -3 palavras no máximo), nomeie o sentimento dela e o reflita na sua linguagem corporal (olhar, expressão facial, postura e tom da voz). Enquanto seu filho se encontra em estado alterado, ele está mais para um homem das cavernas do que para homem civilizado, então não há problema falar de forma primitiva, com crianças pequenas é até melhor, queremos nos conectar com essa parte primitiva que está dominando a emoção, o cérebro da criança vai entender. Quiçá seja mais fácil me explicar com um exemplo:

João (2a 6m) está cansado, é quase hora da sua soneca mas sua mãe precisou sair de casa, na hora de entrar no elevador a mãe que está com pressa, aperta o botão do elevador antes mesmo do João pedir. Isto foi suficiente para detonar a crise. Então o que a mãe de João faz é repetir várias vezes e com tom irritado parecido ao de João > “João Bravo, bravo bravo” “ quer apertar botão, apertar botão,  apertar botão” <  João então olha para ela com os olhos cheios de lágrimas e acena com a cabeça confirmando que era isso mesmo. A mãe de João estende a mão para lhe ajudar se levantar do chão, o pega no colo  e então diz: “Ahhh o elevador chegou, quer apertar o botão de dentro?  olha tem luzinhas bacanas” João desde seu colo se inclina para apertar o botão e depois se abraça à mãe.  

Notem que no exemplo a Mãe de João não tenta argumentar com ele como às vezes fazemos com as crianças “filho levanta do chão, que feio, vai sujar tudo”, “João me desculpa não sabia que queria apertar o botão, depois você aperta” ,  “Ahhh filho agora não dá para comer chocolate está quase na hora de comer”, “Não pode bater, faz dodoi, olha como o amigo está chorando” . Na hora da crises a criança escuta as primeira três palavras o resto é barulho vazio, então não adianta querer elaborar discursos e explicações para a criança entender o que deve fazer ou o porquê não pode fazer. É perder o tempo e correr o risco de deixar essa criança mais irritada ainda. As explicações longas se deixam para outro momento, quando estejam calmos, longe da crises.

 Nem sempre é possível ceder ao pedido ou oferecer uma alternativa aceitável para a criança, nesses casos o fato de reconhecer o motivo do choro, validar o sentimento e acolher será nossa única saída. Se não há mais o que fazer, abrace, mostre que entendeu e que estará aí para ele, lhe permita sentir, se expressar e lhe ajude criar mecanismos para se acalmar novamente. Vamos a outro exemplo:

“Lina tem 3 anos, ela está com seus pais na casa de amigos, ela vai na sacada e tenta subir no parapeito o que é rapidamente freado pela mãe. É primeira vez que ela tenta aquilo, tomou todos por surpresa e no susto começou chorar muito irritada, visivelmente com raiva e frustrada de não ter conseguido. Seu pai lembrou que ela estava vendo seu personagem favorito pular da janela para voar. Então ele tenta descobrir o motivo da raiva e chuta -Lina quer voar, está brava que mamãe não deixou sair pela sacada – e rapidamente lhe oferece uma alternativa, serve aviãozinho do papai? ao que Lina responde com uma enérgica negativa. Restando apenas um – pode chora minha filha, sei que está brava, mas não pode pular da sacada, quer o colo do papai para chorar? – uns minutos depois tentam novamente acalmar e redirecionar – está melhor? vamos respirar (respirando junto profundamente) 1…2…3…4…5…6… – você viu que os tios tem um gatinho, quer tocar nele? ” (duração total da crise 30 min)

No exemplo anterior, a crises foi superada mas ficou uma questão a ser resolvida, essa tentativa de voar pulando da janela deve ser retomada em uma hora calma, então a noite, na hora da historinha trazem a explicação sobre porque crianças não voam e porque nem todo da TV é real, tentando recontar a situação do problema e refletindo sobre porque não era possível aquele pedido. Se tenta abordar explicações logo após uma crises, os sentimentos podem aflorar e detonar ela novamente, por isso é melhor esperar uma hora mais calma, e aproveitar as brincadeiras e tempos de conexão para trazer as explicações e as novas regras ou combinados.

É importante ressaltar que o problema não é o choro em si, o choro é uma forma da criança se comunicar enquanto não alcança outros meios. O problema é deixar o choro sem ser atendido. Se você está junto e acolhendo e validando sentimentos, você está educando. Tenha sempre presente: Conectar, redirecionar e acolher.

Precisa ajuda?

A consultoria Mães com Ciência pode ajudar com a educação positiva, sono, amamentação, desmame , desfralde e ajustes na amamentação. Saiba como funciona aqui ou  Agende uma consulta virtual aqui

Texto original de Zioneth Garcia

Veja mais textos sobre educação positiva aqui

6 comentários

  1. Sou coordenadora em uma creche a a dois meses a professora do infantil 3 enfrenta o chora de uma criança de 3 e outa de 4 que chora e grita o tempo todo pela mae se bate nas poryas e derruba as cadeira e ficamos sem saber o que fazer.Isso tem atrapalhado as atividades co. as outras crianças que acabem ficando irritadas tambem .O que fazer para resolver essa situação?

    Curtir

    • Olá Rosineide,
      Seria importante acolher as crianças, talvez afastar do grupo para não alterar a turma toda, e permitir que se acalmem em outro local.
      Acolher o choro em primeiro momento, lembrem que o choro é uma forma da criança comunicar o que está lhe incomodando, ela chora porque tem um problema, e não para lhes causar um problemas, identificar a necessidade da criança e a satisfazer, lembre que nem sempre o que pedem é o que realmente precisam. As vezes o que eles precisam é justamente um pouco de carinho.

      Um acompanhamento bem próximo à família seria essencial, para descobrir se existe alguma situação familiar que possa estar causando estresse na criança e assim conseguir dar o devido encaminhamento para a família.
      Pode ser coisa de ajustar a rotina familiar, de garantir que as crianças descansem suficiente, a noite ou então dependendo da situação abrir espaço para que descansem na escola, por exemplo.
      Mas pode ser que o comportamento tenha uma situação mais complexo por trás, uma situação familiar, e nesse caso é importante ter o devido acompanhamento profissional (encaminhando a família a um psicologo ou terapeuta familiar por exemplo). Acolhendo a criança na escola lhe ajudando entender os seus sentimentos.

      Curtir

  2. Meu filho tem 2a 4m, tem hora que eu não consigo saber o que ele quer, ele só berra, berra, berra, eu não consigo fazer mais nada o tempo inteiro dou atenção pra ele, o tempo inteiro acolhendo choro e berro, qualquer coisa que eu não atenda, é uma berração sem fim, eu não consigo fazer ele entender que tem hora que não dá, que preciso fazer outra coisa, sozinha… Eu dou toda atenção, sento pra brincar, participo ele das atividades como lavar louça, misturar uma comida, mas ele só quer ficar agarrado no peito, o tempo todo… fico muito cansada 😩

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s