Quatro argumentos para ficar tranquila com a decisão de colocar as crianças na creche

Você precisou colocar seu bebê na creche para trabalhar, para descansar, ou para equilibrar sua saúde mental, e por isso está se sentindo mal?  Eu sei como você se sente, já me senti igual, por isso quero confortar seu coração nesse texto.

Sei que muitos profissionais falam que deveríamos ter nossos pequenos em casa até os 2 ou 3 anos, nos dando como razões os riscos de doenças, a baixa interação social que as crianças pequenas manifestam, ou até mesmo a necessidade de apego seguro de nossos pequenos. Já ouvi muito esse discurso, vi os vídeos que circulam nas redes sociais e escutei os mais diversos comentários. Já tentei ficar integralmente com os filhos em casa, mas foi economicamente insustentável e mentalmente desgastante.

Ficar em casa com os filhos não é o mesmo hoje que há 40 anos atrás. Hoje somos mães solitárias. Em casa, nossos filhos crescem com pouco ou nenhum contato com crianças da sua idade, tendo que nos desdobrar para dar conta de tarefas domésticas e atenção para crianças também solitárias. É EXAUSTIVO! em qualquer idade, seja com bebê de meses ou anos. Sei como é, amiga estamos todas no mesmo trem.

13227022_245452232484753_132932462318924358_n

Argumentos para ficar tranquila com a decisão de colocar as crianças na creche

Então vou te dar quatro argumentos para ficar tranquila com sua decisão de colocar seus filhos na creche.

  1. O sistema imunológico de seu filho está em formação, ele se molda ao ambiente. A sua casa ele já conhece bem. Se adaptou bem a ela. A cada novo ambiente no qual ele for conviver irá receber mais informação para fortalecer seu sistema imunológico. Por isso vacinamos nossas crianças, e por isso a maioria de vacinas acontecem entre 0- 4 anos, é justamente nessa fase que o sistema imunológico está mais ativo, evoluindo constantemente, compilando informação da maior quantidade de patógenos para criar as defensas que ficarão para o resto da vida no nosso organismo. Então, sim,  seu bebê provavelmente irá ficar doente quando for para escolinha pela primeira vez, enquanto se adapta a esse novo ambiente. Seja que o início for aos 4, 6, 8 12 , 24 ou 36 meses. Ele sairá do ambiente conhecido de seu lar, onde todos os agentes são conhecidos, e irá se expor a um novo ambiente, formado pela composição de todo o que é trazido de cada coleguinha da sua própria casa.  Seu filho pode ficar doente no começo, mas seu sistema imunológico ficará forte. Um sistema imunológico forte e resistente não é ruim.
  2. O comportamento social se aprende em sociedade, ele não é espontâneo. Nossos pequenos recapitulam no seu desenvolvimento social a evolução da socialidade de nossa própria espécie. Eles descobrem o outro, o semelhante, se sentem curiosos por ele (4-7 meses), passam tolerar sua presença como parte integral do seu ambiente (8 -9  m ), descobrem que existem limites de espaço e propriedade (é meu!! – 12-15 meses) , começam interagir de forma cooperativa (cada um tem o seu, cada um tem sua vez, brincam lado a lado), criam uma vida comunitária (compartilha brinquedos – 18-24 m), até realmente iniciar uma interação social (brincam juntos, criam histórias – +24 meses). O comportamento social se aprende ao interagir em grupo de semelhantes, crianças de idades e fases de desenvolvimento próximas, onde amergem as regras de convivência que irão reger esse grupo. Até mesmo crianças que ficam em casa a maior parte do tempo, precisam a interação com crianças de idades próximas para que possam estimular o desenvolvimento dessa consciência de grupo que será o treino para a vida em sociedade.images (4)
  3. Às vezes voltar ao trabalho é inevitável, as contas precisam ser pagas. Mas mesmo quando pode se escolher ficar em casa, é preciso cuidar do equilíbrio mental. Você precisa e merece cuidar da mulher dentro de você, para ser uma mãe melhor. Mesmo que você tenha todas as condições socioeconômicas para ficar 24 hs do dia em casa cuidando das crianças, é normal sentir a necessidade de um respiro de vez em quando. Ser mãe hoje é uma tarefa solitária, por isso, considero melhor uma mãe 18 hs por dia bem disposta, do que uma mãe 24 hs mentalmente esgotada, irritada e nervosa. Uma mulher tranquila é uma mãe mais feliz, e capaz de tornar consciente a formação de vínculo afetivo positivo com seus filhos.
  4. Nossas residências padrão de hoje são pequenas, ambientes limitados, com pouco contato com a natureza, onde a oferta de estimulação para as crianças é  limitada. O quê muitas vezes significa uma demanda enorme por criatividade materna para manter a energia das crianças bem focada, na medida que crescem a demanda aumenta, a necessidade de explorar cresce e o tédio começa tomar conta, e para conseguir conciliar as tarefas domésticas (um almoço por exemplo) acabamos recorrendo à TV e outros eletrônicos. Nesse caso, prefiro ver a criança indo para uma escolinha onde receberá atividades, brincadeiras e estímulos adequados para sua idade, sendo atendida por profissionais da educação infantil, do que ficar em casa sozinha na frente da TV por 3-4 horas por dia. (Veja mais sobre os efeitos de telas eletrônicas pelas crianças aqui).  

images (6)

Em países, onde as mães se reúnem facilmente nos parques e praças públicas, com acesso fácil ao transporte público, e renda garantida pelo estado para poderem cuidar dos filhos pequenos, ficar em casa seria um prazer e pode ser uma realidade para a maioria. Mas aqui, onde os cuidados caem prioritariamente sobre as mãe, onde mães precisam trabalhar para subsistir, onde sair com crianças é um desafio, onde a solidão é o pão de cada dia e onde contato social se limita ao oferecido pelo celular, acho perigoso generalizar uma orientação como “deixar a criança em casa até 3 anos” sem considerar este cenário sociocultural atual, pode chegar ser machista e opressora para grande parte das mulheres mães.

Preservar a infância e garantir ambientes adequados para o desenvolvimento das crianças é preciso, é essencial e urgente. Mas para isto não é necessário sacrificar a  saúde mental das mulheres mães nem colocar em risco a renda familiar (e segurança alimentar da criança). A primeira infância precisa tempo, para brincar, para construir socialidade, não é preciso aulas de mil e um disciplinas, mas sim cuidados e inclusão, para a criança e a sua mãe.

Precisa ajuda?

A consultoria Mães com Ciência pode ajudar com o sono, desmame , desfralde, ajustes na amamentação e educação positiva.  Saiba como funciona aqui ou  Agende uma consulta virtual aqui

Texto original de Zioneth Garcia

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s