Acompanhamento profissional para os problemas de sono das crianças

Quando se fala de problemas de sono, e especialmente em problemas de sono em bebês e  crianças, existe um consenso para ter uma abordagem do profissional que garanta o melhor diagnóstico e tratamento. Na grande maioria dos casos o uso de fármacos é completamente desnecessário. Pessoalmente procuro a cooperação multidisciplinar, dessa forma a criança e a família só tem ganhos na qualidade de vida familiar.

Um acompanhamento profissional adequado para o tratamento dos problemas de sono tem as seguintes fases:

Etapa 1  – Rotina diagnóstica para definir a causa das dificuldades com o sono.

Além da avaliação da rotina familiar, rotina da criança e o relato detalhado das dificuldades, é necessário avaliar e descartar problemas de saúde que possam alterar  descanso. Nessa etapa pode ser importante a avaliação por vários profissionais, pediatra, alergista pediátrico, gastro pediatra ou nutricionista materno infantil. Se você suspeita ou sente no seu coração de mãe que algo pode não estar bem com a saúde de seu filho, não hesite em procurar ajuda do seu pediatra, se estiver fora da sua competência ele poderá lhe encaminhar ao profissional mais idôneo.  

Adicionalmente, uma avaliação da saúde física e mental dos cuidadores também é muito importante, para garantir que as seguintes etapas do tratamento possam ser realizadas com sucesso. Dor cronica, dor aguda ou depressão, presente em qualquer um dos membros em convívio permanente com a criança, é um fator que traz estresse à vida familiar, e deve ser acompanhado pelo especialista em cada caso. 

Etapa 2 – Tratamento direto ou remoção da causa dos problemas.

Quando são detectados problemas de saúde devem ser controlados de imediato. Em crianças alguns dos problemas mais comuns são: anemia ferropriva, refluxo oculto, alergias,  inflamação de adenoides, estresse pela fase de desenvolvimento, entre outras. Algumas vezes uma correção do problema de saúde é suficiente para melhorar o descanso, porém, quando esta condição se arrasta por muito tempo é necessário uma abordagem para corrigir os hábitos de sono através de uma higiene rigorosa.


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Etapa 3 – Higiene do sono

Essa é talvez uma das fases mais importantes do acompanhamento dos problemas de sono. Já que mesmo detectando e corrigindo problemas de saúde, pode ser preciso ajudar ao organismo da criança encontrar um ritmo metabólico adequado.
Através de rotina e mudanças de hábitos, se busca encontrar as condições adequadas para o sono acontecer de forma saudável ao interior de cada família, estabelecendo ritmos de atividades que respondam às necessidades dos ciclos de sono/vigília e os ciclos circadianos do organismo da criança dentro da dinâmica familiar (e escolar). A regulação fisiológica do sono responde aos ciclos de luz e escuridão naturais, pelo que a higiene do sono deve considerar esses ciclos de luz naturais para potencializar a ação dos reguladores metabólicos produzidos de forma natural pelo organismo. Porém, não pode se deixar de lado a dinâmica familiar, uma rotina ajustada à realidade de cada família garante maior sustentabilidade da higiene de sono e seus benefícios em longo prazo. 

Etapa 4 – Abordagem comportamental.

Aqui se procura a extinção de comportamentos prejudiciais para o descanso. A abordagem comportamental baseia-se na compreensão do distúrbio do sono, envolvendo um diagnóstico familiar e da criança. Existem vários métodos, a abordagem utilizada no acompanhamento do Mães com Ciência é a extinção gradual e gentil utilizando a disciplina positiva, evitando o choro desassistido, focando na identificação e controle do estresse da criança.

O choro desassistido (popularizado com o método Estivil), trazido ao publico leigo através de vários livros, manuais e até programas de televisão; é outra abordagem comportamental que busca a extinção de comportamentos de forma abrupta, prometendo ser mais rápida. Porém, sua eficiência e as consequências em mediano e longo prazo, da sua implementação é motivo de um forte debate entre os especialistas.

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A escolha pelo método comportamental empregado deve contar principalmente com a aceitação e aderência dos pais. Uma recente meta-análise comparando estudos que utilizaram abordagem comportamental no tratamento da insônia pediátrica evidenciou que o sucesso do procedimento depende da compreensão e adequada implementação pelos pais.

Quando os problemas de sono estão associados a distúrbios comportamentais ou traumas psicológicos, é essencial o acompanhamento através de psicoterapia ou terapia comportamental feita por profissionais qualificados para tal: Psicólogos, psicoterapeuta ou psiquiatra, tratando-se de um acompanhamento não apenas para criança, mas toda sua família. 

Etapa 5 – Terapia farmacológica

O uso de fármacos para o tratamento da insônia em crianças deve ser acompanhado por profissionais: neurologista pediátrico, psiquiatra ou psicoterapeuta.   A terapêutica medicamentosa da insônia na infância é bastante restrita. Reservada especialmente aos casos onde existe um desequilíbrio bioquímico associado a uma condição neurológica atípica pré-existente. Crianças com distúrbios de comportamento, epilepsia, síndrome do espectro autista, TDAH, entre outros, são os principais beneficiários desta abordagem.

 Os fármacos utilizados no manejo da insônia do adulto pertencem ao grupo dos hipnóticos benzodiazepínicos ou não-benzodiazepínicos. Essas medicações não estão indicadas para uso em Pediatria, e não existem estudos mostrando sua eficácia ou segurança em crianças. Um dos fármacos mais populares é a melatonina, devido à facilidade de compra em farmácias online, sem necessidade de prescrição médica. Porém, é importante ressaltar que sem o adequado acompanhamento, diagnóstico, higiene e correção comportamental dos problemas de sono, a abordagem farmacológica é ineficiente.

Porém, estudos controlados, com seguimento em longo prazo, de tratamento da insônia em pacientes pediátricos são raros. A revisão da literatura sugere que a terapia farmacológica na infância é efetiva somente a curto prazo. As intervenções comportamentais, conduzidas por terapeuta experiente, são mais efetivas que o tratamento medicamentoso, a curto e longo prazo.

Referências:

Nunes ML, Cavalcante V. Avaliação clínica e manejo da insônia em pacientes pediátricos. J Pediatr (Rio J). 2005;81: 277-86. Disponível aqui

JANSEN, JM., et al., orgs. Medicina da noite: da cronobiologia à prática clínica. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2007. 340 p. ISBN 978-85-7541-336-4. Disponível online em  SciELO Books aqui

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Texto de Zioneth Garcia

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