A “autonomia” do bebê crescido (maior de um ano) que é amamentado.

Em datas comemorativas, onde a parentada toda se reúne, costumam chover os comentários e indiretas para as mães que amamentam bebês crescidos, eu sei bem como é, já passei por ai duas vezes. Não deu beijo na tia? não foi no colo da avó? não quis ficar brincando com as outras crianças?  ahhh está estranhando por causa do peito… essa criança é muito apegada porque mama no seio -ainda-.  Não comeu todo o  prato de comida? ahhh não come por causa do peito… Deu trabalho para dormir? é só tirar do peito que tudo se resolve, dizem (estão enganados).

A pressão é tanta para o bebê ganhar mais “autonomia”, que o natal, a páscoa, ou mesmo o aniversário, são datas muito comuns para realizar desmames abruptos,  só para descobrir que sem o seio nada mudou, e pode ser pior.

A “autonomia” do bebê ou criança pequena é uma questão interessante, existe essa ideia que a amamentação “limita a autonomia” do bebê, porque então depende do seio para adormecer, para se acalmar, para se sentir seguro, etc. Não são poucas as mães e profissionais que são contra a amamentação acima de um ano por terem essa ideia. Acredito que seja resultado da falta de compreensão dos aspectos emocionais da amamentação. A livre demanda tem dois componentes: nutricional e emocional.

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Nas primeiras semanas do bebê é difícil diferenciar qual mamada é por fome e qual por chamego, mas na medida que o bebê cresce começamos a perceber que nem sempre mamam por fome e nem sempre mamam apenas por carinho.  Conforme o bebê cresce, a amamentação se modifica e o relacionamento da mãe com o bebê também. Mudanças nessa dinâmica da livre demanda fazem parte dessa evolução da amamentação, cabe a nós mães, ouvir e procurar ajustar as coisa quando algo não está confortável para tornar ao equilíbrio e satisfação da amamentação.

Uma queixa que ouço frequentemente  é o famoso “mama o tempo todo, não consigo fazer mais nada”,  pois bem, quando falamos de bebês crescidos precisamos olhar mais atentamente cada um dos componentes da livre demanda, nutrição (está se alimentando como deveria para sua idade? ) e afeto ( está recebendo a atenção que precisa?). Embora o peito sempre solucione o choro, nem sempre o que a criança pede está acordo com o que ela precisa. Se faz necessário questionar as razões emocionais por trás desses pedidos contínuos de mamadas que parecem atrapalhar a brincadeira, a refeição, a interação com a mãe ou o ambiente. Acima de um ano o bebê provavelmente obtêm do seio algo em torno de 20% de suas necessidades nutricionais (coisa de duas até três mamadas para valer) , o resto de mamadas são para obter atenção, chamego, conforto, relaxar, adormecer e se sentir seguro.

Se você já amamentou um bebê crescido deve concordar que às vezes usamos o peito de muleta, como outras mães usariam a chupeta, chorou vai para o peito, sem nem ao menos pesquisar a razão do choro, é fácil, quase automático. E se ele chora por sede? Ou porque ficou frustrado ao não conseguir alcançar algo? Ou porque não consegue verbalizar uma dor?

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Mesmo com a fala desenvolvida, as crianças não têm ainda a capacidade de se comunicar aprimorada, quando querem algo, qualquer coisa o primeiro que solicitam é o peito, e é justamente aí que entra na jogada o conhecimento e percepção que temos de nossos pequenos. Às vezes as crianças não pedem o que precisam, elas não têm amadurecimento para saber exatamente o que precisam. Está com sede ou fome? Pede peito. Está com sono? Pede peito. Está entediada? Adivinhem o que pede… peito. Como mães temos duas opções damos o peito ou damos aquilo que sabemos irá satisfazer completamente a criança. Qual é o problema de dar o seio? Nenhum, desde que sejamos conscientes das reais necessidades.

A “autonomia” , essa que nos cobram do bebê dormir sem o seio, aceitar outros cuidadores, comer “bem” , não se ganha automaticamente por tirar do seio, ela se CONSTRÓI com orientação, com estímulo, com conversa, interação e exemplo. O problema não é o seio. Dá muito bem para incentivar “autonomia” mantendo a amamentação, e dá muito bem para adormecer, acalmar e receber afeto fora do seio, enquanto se mantém as mamadas em alguns períodos. O problema é a ideia viciada de enxergar a amamentação de forma radical, é 8 ou 80, ou é tudo no seio ou é completamente sem.

Desmame

Se pensamos na amamentação como fase do processo de crescimento, e pensamos no desmame como um processo de mudança no relacionamento da mãe com sua criança, percebemos que esse processo é marcado justamente pela aquisição dessa “autonomia” . O que torna a criança segura e “independente” é a orientação e educação que recebe de seus pais e adultos ao redor, não se recebe peito, mamadeira, chupeta ou está desmamada.

Precisamos parar de enxergar a amamentação de forma tão quadrada. Mas mais importante ainda: precisamos questionar esses pedidos de “autonomia”.

Deixei assim “autonomia” entre aspas o tempo todo, justamente porque não sei o porquê cobrar autonomia de um bebê de 1 ano, de 2 anos, de uma criança de 3 anos. As crianças são crianças mesmo depois de desmamadas e continuam precisando do auxílio dos adultos para adormecer, se acalmar, reconhecer seus sentimentos e se sentirem seguras e amadas. Então qual é a autonomia que estão nos cobrando?

 

Veja também:

Evolução da livre demanda do seio.

Desmame com respeito

Desmame não é solução mágica

Amamentação prolongada: Uma mistura de doce, azedo, salgado e amargo 

 

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