Amamentação prolongada: Uma mistura de doce, azedo, salgado e amargo.

Ultrapassar a barreira de um ano de amamentação no Brasil dos dias de hoje é uma façanha enorme, por vezes subvalorizada. Os benefícios da amamentação prolongada podem ser observados no campo nutricional, imunológico e psicológico. Não quero me aprofundar neles aqui. Nesse texto quero falar do gostinho que amamentação prolongada tem para quem a experimenta. Ela pode ser doce, azeda, salgada e até amarga. Apesar de deliciosa, a verdade é que nem tudo são flores, também há espinhos a contornar nesse caminho.

Amamentar o bebê maior de um ano pode ser um doce. Já não temos mais a neura de ter ou não ter leite materno que enfrentamos nos primeiros seis meses, nem temos a preocupação por se o seio será suficiente ou não.  Na verdade pouco importa o leite, já somos mães com mais de um ano de experiência na amamentação, e entendemos que mesmo não vendo uma gota o leite está lá.  Conhecemos bem nosso bebê e já estamos preparadas para qualquer mudança (já vimos e vivemos muitas durante esse período). Conhecemos de cor a carinha de prazer e satisfação de nosso bebê quando mama; mesmo que ele peça nas piores circunstâncias, damos o peito só por ver aquela carinha mais uma vez. E aqui entre nós, é um alívio conseguir que aquele furacãozinho que engatinha, anda, corre, mexe e trepa em tudo sossegue ao menos para mamar.

Amamentação continuada pode ser azeda, mas não aquele azedo ruim, um azedinho gostoso, até engraçado, porém que pode chegar até nos irritar. Esses bebês maiores inventam moda sempre: é a hora que começam testar mamar de bunda para o ar, de ponta cabeça, em pé, de puxar a blusa, enfiar a cabeça por baixo da blusa quando ela não da para puxar,  beliscar o outro mamilo, nomear e dar vontade própria ao “tetê”, virá quase um relacionamento a três: a mãe, o bebê e o “tetê”.  O importante é saber por limites na hora certa. Quando um determinado comportamento nos irrita, devemos falar para o bebê com firmeza e carinho, talvez até interromper a mamada se ela fica desconfortável e repetir a mesma atitude sempre que acontecer tal comportamento, para assim evitar que a situação aconteça novamente. 

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Pode ser salgado ter que continuar a lidar com pega errada, bloqueio de dutos laticíferos, mastites, sapinho, mordidas. Lidamos muito bem com eles e até achamos normal durante o primeiro ano, mas quando acontecem após o primeiro ano nos sentimos confusas por termos superado tanto e ainda ser assombradas por tais problemas. Mas é normal acontecer, tenho a sensação que é mais comum do que tudo mundo acha. Temos um bebê que anda, vai explorar e experimentar o mundo e depois volta pedindo para mamar e vai saber o que levou à boca antes e carrega para o peito; quiçá voltamos ao sutiã normal com copa rígida que pode propiciar os ingurgitamentos, ainda passamos pela aparição de caninos e pré-molares que certamente poderão causar uma grande tensão e alterar a pega do seio, ate mesmo serem testados no mamilo. Basta não abaixar a guarda e saber que nunca estamos livres de lidar com algum desses probleminhas.

O gostinho amargo da amamentação continuada fica por parte da pressão social. A mãe que amamenta um bebê crescido é alvo constante de críticas e comentários, por muitas vezes desrespeitosos não só com a mãe, mas também com o bebê que pode ouví-los. É muito comum as pessoas ao redor, parentes, amigos, profissionais até mesmo estranhos virem dar “conselhos” para desmamar logo, como se a mãe estivesse fazendo um mal enorme ao seu bebê quando na realidade é justamente o contrário. Amamentar um bebê crescido é tudo de bom, é amor na expressão mais pura. O problema não é a mãe que amamenta ou o bebê crescido que mama, o grande problema hoje é intromissão constante das pessoas que não fazem a mínima ideia do que significa amamentar no relacionamento da dupla mãe–bebê. Se nos primeiros dias o problema era o leite fraco e insuficiente, após um ano a amamentação vira a causa de todos os problemas: não comer, não dormir a noite toda, não aceitar outras pessoas, e tudo o que você possa imaginar.

A amamentação continuada pode ser tão gostosa, com essa sua mistura de sensações, que nos ajuda esquecer todos os problemas que nos afligiram no primeiro ano, no primeiro mês. E na medida que nosso bebê fica maior, o gostinho da amamentação de recém-nascido e da amamentação exclusiva vai se esquecendo, nosso bebê vira criança em um piscar de olhos, nos deixando com saudades e morrendo de vontade de começar tudo de novo, e então eis que muitas dizemos: Que venha o próximo filho!”

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Texto de Zioneth Garcia.

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