Relactação e translactação: quando é necessário o uso da sonda?

Esse texto é um alerta especial para as mães, amigas e profissionais que indicam o uso da sonda em qualquer situação. A sonda se bem indicada é uma ferramenta preciosa que garante a amamentação e satisfação emocional da dupla mãe – bebê. A sonda não é substituto de mamadeira, e não garante a manutenção da amamentação saudável. Assim, quando mal indicada, usando a sonda de forma indiscriminada, sem controle, e sem adequada orientação, seu uso se torna um grande transtorno para a amamentação. A seguir veja algumas considerações importantes sobre a técnica de relactação e translactação.

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Relactação

A técnica de relactação é justamente para RE-lactar, para a mãe estimular a produção endógena do leite materno, usando o estímulo do próprio bebê ao seio enquanto ele se alimenta de outro leite que não o da sua mãe (pode ser leite materno doado e pasteurizado ou leite artificial), assim a relactação é indicada quando:

  • O bebê é nascido pré-termo e está em processo de transição à alimentação oral no seio. 
  • A e deixou por qualquer motivo de oferecer o peito e zerou ou reduziu drasticamente a produção de leite materno.
  • Quando a mãe adotiva deseja amamentar seu bebê

Quando se fala de relactação, é importante ressaltar que ela deve ter um começo e um fim, desde o primeiro dia que se usa deve  se estar ciente que não é para sempre, que num certo momento ela deve acabar. O recomendado geralmente é não estender a relactação por mais do que 6 semanas. É muito importante ter claro que a relactação sozinha não faz milagres, deve ser associada à livre demanda e autoconfiança. Se a mãe começa produzir qualquer quantidade de leite materno a relactação teve sucesso e não é mais necessária: pode começar diminuir o leite artificial usando copinho, por exemplo.

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Translactação

A sonda também pode ser usada para fazer a translactação, ou seja, complementar as mamadas usando o próprio leite da mãe ou outro qualquer leite. Translactação é uma técnica indicada quando a mãe tem produção de leite materno, mas, por alguma razão, precisa  complementar a cada mamada. Alguns casos em que a traslactação é indicada:

  • Quando houve cirurgia mamária e há o comprometimento de ductos ou glândulas (baixa ou nenhuma sensibilidade dos mamilos, redução dos seios com retirada de mais de 500-600mL de tecido, reposicionamento de mamilo, entre outros). 
  • Quando não há estimulo correto do seio e a produção é fisicamente afetada. Podem ser casos com hipotonia muscular (baixa força de sucção do bebê), que podem ser congênitos (de nascença) ou adquiridos pelo uso de bicos artificiais. Também há problemas com o estímulo do seio,  quando há algum grau de freio de língua curto. Nesses casos a avaliação de um serviço de fonoaudiologia é essencial. O uso da sonda de translactação não soluciona o problema, é uma medida de suporte para manter a amamentação enquanto o problema é solucionado mediante terapia funcional (no caso da hipotonia) ou frenectomia (no caso do freio de língua curto).
  • Quando se trata de um bebê prematuro, o uso de sonda no dedo é uma medida eficaz para preparar o bebê para o momento da sucção ao seio, ela é indicada quando não é possível alimentar o bebê diretamente no seio ou ao menos retirar da sua incubadora para receber em copinho, pode ser usado leite materno doado ou o leite da própria mãe de preferência. É preciso orientação de fonoaudiologia para estimular a sucção da forma correta.

Devemos ter claro que a translactação é uma medida transitória, sua duração é menor que a da relactação, e deve cessar quando o problema for solucionado. Se a complementação com outro, ou mesmo o próprio leite, continuar sendo necessária após os 3 meses de vida do bebê, seria ideal substituir o uso da sonda de translactação pelo uso de copinho de transição de bico duro, mantendo a amamentação e focando nos aspectos emocionais da amamentação.

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Dicas para garantir o sucesso da Relactação ou Translactação:

1- Lembre-se que existe sucção não-alimentar. Com a sonda fica difícil saber até onde o bebê continua com fome e até onde está sugando por conforto. Por isso toda mamada deve começar e terminar pelo peito sem sonda. Se o bebê adormece no peito, que seja no peito sem sonda.

2- Tanto para a relactação quanto  para a translactação é importante que desde o começo o fluxo da sonda seja regulado, para que o bebê se acostume com o fluxo de leite materno do peito. No seio nem toda sucção leva leite, o estímulo acontece de forma cíclica, duas ou três sugadas acompanhadas de um movimento amplo da mandíbula onde o leite materno é liberado em maior quantidade, após  qual você escuta ou vê a deglutição. Minha sugestão é que regule o fluxo da sonda prensando levemente, dobrando ela sobre se mesma, para evitar a saída do leite, e soltando quando for liberar, por exemplo.

3- Em qualquer caso, uma vez que se consegue Leite Materno em volume aceitável, o ideal é passar a oferecer o complemento (seja de fórmula ou o próprio leite) que está sendo passado na sonda, num copinho, ou copinho de transição de bico rígido.

4- Evite usar chupetas e mamadeiras, elas vão sabotar seus esforços com a relactação ou translactação (veja sobre a confusão de bicos )

5- Use o peito como forma de conforto de seu bebê. Nesses casos a sonda não é necessária. Ofereça mamadas sem a sonda sempre que você sentir que não é realmente fome. Para acalmar, adormecer, consolar, dar oi, etc.

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Uso inadequado da relactação e translactação

Quando a técnica de relactação  ou translactação é mal orientada, usando a sonda de forma indiscriminada, e não são tomadas as devidas precauções, o que deveria ajudar na amamentação pode condenar-a ao fracasso. Entre os problemas do uso inadequado da onda se encontram:

  • Rejeição do seio sem sonda
  • Rejeição do fluxo natural do seio
  • O bebê pode ter dificuldade para reconhecer no seio sozinho uma fonte de conforto.
  • Diminuição da frequência de mamadas levando à diminuição da produção de leite materno.
  • Dificuldade da amamentação fora de casa, muitas vezes cedendo ao uso de mamadeira fora do lar ou então evitando as saídas de casa e a socialização, trazendo problemas para a saúde mental da mãe.
  • Maiores dificuldades emocionais para a mãe no pós-parto
  • Desmame precoce pelo cansaço da dupla.

Por isso antes de sugerir para sua paciente, amiga, parente ou colega usar a sondinha, pense duas e três vezes se é isso mesmo que ela precisa. E se for o caso encaminhe ao serviço mais indicado: Uma consultora de amamentação, serviço de fonoaudiologia ou mesmo Banco de Leite (com minhas reservas).  Se você recebeu a sugestão de usar a sonda seja crítica. Você realmente precisa? Você se encaixa em alguma das situações acima descritas? Já tentou outras alternativas para solucionar seu problema?

Referências:

Rebeca Raposo de Aquino.2006. Alimentação do recém nascido pre-termo: Metódos de transição da gavagem para o peito materno. [Dissertação de mestrado UFPE – Orientadora por Dra. Monica Maria Osório] . Disponível aqui

Ministério da Saúde. 2011.  Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso: Método Canguru. Secção 8: Nutrição do recém-nascido pré-termo. Disponível aqui

Precisando ajuda?

A consultoria Mães com Ciência pode ajudar na retirada da sonda, recuperação da amamentação natural, problemas de sono, volta ao trabalho, entre outros.  Saiba como funciona aqui ou  Agende uma consulta virtual aqui.

*Texto de Zioneth Garcia.

 

 

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