Birras

Entendendo as crises de choro ou “birras” das crianças pequenas

Já se perguntou por que as crises de choro e birras são tão frequentes na primeira infância? Bem, a resposta se encontra em nosso desenvolvimento neurológico. Nós,  seres humanos, possuímos um cérebro muito complexo, e como outros primatas, nascemos com o cérebro em processo de desenvolvimento. Nenhum humano nasce com todas suas habilidades desenvolvidas. Nos não nascemos caminhando, falando ou nos comunicando perfeitamente com nossa mãe certo? Essas habilidades as adquirimos na medida que crescemos e interagimos com o ambiente que propicia o amadurecimento neurológico.

Desde que nascemos nosso cérebro começa evoluir, se tornando cada vez mais complexo. Aprendemos não apenas andar e falar, também aprendemos expressar nossas emoções, modular nossas reações e nos comunicar efetivamente com nossos semelhantes para conseguir viver em sociedade.

O bebê recém nascido nasce com o chamado “cérebro reptiliano” que é responsável pelas funções básicas de sobrevivência: batimentos cardíacos, regulação da temperatura corporal, respiração, sistema hormonal, até o choro quando está com fome, desconforto ou se sentindo desprotegido. Na medida que o bebê cresce, vai descobrindo outras formas de se relacionar com o ambiente, aprende como suas risadas podem causar reações nas pessoas à sua volta, na medida que se relaciona com o ambiente vai descobrindo então as emoções, as boas e as ruins, as alegrias e as frustrações. E haja frustração nos primeiros anos de vida! Quantas vezes ao dia você diz ao seu pequeno “não pode”? quantas vezes ele percebe que realmente não consegue ter tudo que quer? Imagina o nível de frustração que ele pode sentir ao não poder fazer quase nada do que quer ou deseja?

 

Cérebro da criança
Desenvolvimento do cérebro

Na medida que o bebê vai explorando o mundo,  desenvolve o cérebro límbico ou emocional, ele é literalmente dominado pelo desejo. Quando uma criança de 8,9,10,11,15, 18 meses quer algo, não há poder humano que a faça desistir, e então rola uma crise de choro até que ela encontre outro foco de seu desejo. É justo nessa fase que nossas habilidades humanas vão ajudar a desenvolver as habilidades humanas de nossos pequenos. Quando ver seu filho numa crise de choro ou “birra”, lembre se: ele não faz por mal, ele simplesmente não sabe e não consegue se controlar, é dominado pelas suas emoções. Ele não chora ou se debate no chão para lhe causar um problema, ele chora e grita justamente porque está enfrentando um grande problema.

As crises de choro, ou popularmente chamadas birras, são a manifestação de estados físicos ou emocionais nos quais o bebê ou criança (ou até mesmo alguns adolescentes ou adultos) se encontram em hiperagitação ou hiperestimulação, ou seja, sob excesso de estímulos no ambiente ou em situações altamente estressantes. Em geral essas manifestações da criança se dão como resposta a algo que está fora da rotina ou que está desagradando de alguma maneira, seja um desconforto físico como fome, sede, dor, cansaço, sono, etc, ou desconforto emocional como aborrecimento, frustração, tristeza, tédio, angústia, medo, entre outras ¹.

Na medida que nosso filho continua a crescer e com a ajuda das pessoas ao seu redor, que formam seu grupo social, o cérebro racional ou neocortex vai sendo desenvolvido, e assim vemos como essa pessoinha vai aprendendo se comunicar (não apenas falar mas expressar o que realmente quer ou sente) enquanto aprende a modular suas emoções.  Esse processo de amadurecimento dura a vida toda, é um caminho longo, leva muitos anos para aprender a reconhecer nossos sentimentos e nos comunicar de forma eficiente, muitos de nós, mesmo sendo pais e mães, continuamos em processo de aprendizado, trabalhando arduamente para termos maior autocontrole. Você lembra da sua última birra? Foi com sua mãe em plena adolescência? Ou com seu parceiro(a) após um dia de trabalho estressante? Quando foi a ultima vez que tiraram você do sério?

Apesar de sermos adultos e em teoria termos nosso cérebro racional completamente desenvolvido, eventualmente nos deixamos levar completamente pelas nossas emoções, fazemos coisas das quais nos arrependemos ou não nos orgulhamos, gritamos, choramos ou falamos coisas que não deveriam ser ditas. Se para nós, que somos adultos,  às vezes pode ser difícil lidar com as frustrações da vida, imaginem para uma criança pequena que é dominada pelas suas emoções, vontades e desejos?

Mas é justamente por nossa experiência de vida que seremos o guia perfeito para que nossas crianças alcancem um pleno desenvolvimento. Não é algo que acontece da noite para o dia, leva tempo, muita repetição e muita paciência.

Citação no texto:

(1) SENA, LIGIA MOREIRAS; MORTENSEN, ANDREIA C. K. 2014 EDUCAR SEM VIOLÊNCIA: CRIANDO FILHOS SEM PALMADAS. Editora Papirus. Pag 29.

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30 comentários

    • Raquel crianças de um ano se habituam a um determinado comportamento após muita repetição. Comunicação efetiva é a chave. Não apenas de falar e repetir, mas expressar com tom de voz, olhar e postura corporal a menssagem que a criança precisa ouvir.
      Ainda, ter claro o que essa fase pode ou não oferecer. Para apenas esperar e solicitar o que a sua criança realmente está em capacidade de dar, tomando una atitude proativa no caso de ela não conseguir entender um determinado limite.
      Também devemos considerar que eles podem entender e mesmo assim não conseguir controlar o impulso que é mais forte nessa idade.
      Além, é importante levar em conta o processo biológico de formação de memória, com um ano a memoria permanente não existe, assim que até um determinado comportamento se tornar padrão vai levar um bom tempo de repetição da mesm orientação e correção. Educar positivamente leva tempo e é preciso muita paciência para atender as peculiaridades de cada fase da criança.

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  1. Tenho uma filha de dois anos ela é muito nervosa e teimosa chora por qualquer coisa por isso as vezes dou uns tapinhas nela mais não adianta muito queria muito não precisar bater pq fico com pena mais não sei mais o que fazer agora nasceu minha segunda filha ela só tem um mês sou sozinha pra cuidar das duas e acabo ficando desorientada

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  2. Olá, tenho um filho d 2 anos e 9 meses, e eu nao sei o q fazer diante das birras e desobediência, ja coloquei d castigo ja dei palmadas mas nada resolveu…ele simplesmente nao aceita quando digo ‘vc nao pode fazer isso’, dai começa a gritar, e se eu tentar impedir, me dar tapas…Como devo agir diante dessas situações?

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  3. Me ajudem meu filho de três anos e muito agressivo e faz tolices quando estamos em locais públicos não aguento mais essa situação ele não abedece ninguém nem Amim e nem meu marido já estamos na situação em que nem saímos mais de casa pra não passar vergonha por aí fico triste porque ele é um menino super inteligente mais está insustentável essa situação.

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    • Olá Cleiviane,
      Seria importante estabelecer uma boa linha de comunicação co ele, estabelecendo regras claras e mudando os padrões de comportamento negativo que foram adotados por todos,
      Ele é uma criança, pelo que o seu comportamento e seus habitos respondem diretamente aos hábitos e comportamentos do seu entorno. Assim, para mudar os comportamentos inadequados na criança, precisamos começar por mudar os comportamentos nos adultos que podem ter levado à formação de tais respostas na criança.
      Uma abordagem desde a disciplina positiva seria ideal. Precisando ajuda para começar aplicar em sua casa, a consultoria do Mães com ciência está a disposição

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