A cólica em bebês é um nome genérico que damos para qualquer choro sem causa determinada. Uma crença popular diz que os bebês sofrem de cólicas até os três meses, atribuindo estas ao amadurecimento do sistema digestivo. Embora o sistema digestivo do bebê esteja realmente em processo de amadurecimento, esse processo demora pelo menos até os seis meses ou mais. Muito além da famosa fase das cólicas. Então antes de dizer “meu bebê sofre de cólicas” é bom avaliar a situação com cabeça fria, me acompanhe na reflexão a seguir.
Pode ser um pico de crescimento ou salto de desenvolvimento?
Os picos de crescimento são os famosos estirões, no linguagem das avós, aquela fase na que parece que do dia para noite você percebe que o body não abotoa mais, o tamanho da fralda muda, as calças ficaram curtas, e aquela roupinha guardada para a ocasião especial simplesmente não serve mais! é seu pequeno ou pequena que andou crescendo, um motivo para se alegrar, não fosse porque provavelmente você sofreu com varias noites em claro. Por outro lado, estão os saltos de desenvolvimento , que são fases de aquisição de novas habilidades motoras ou cognitivas: levantar a cabeça, seguir os sons com o olhar, manipular as mãos, segurar objetos, rolar, sentar, balbuciar, engatinhar, andar, correr, falar, pular, etc. Os primeiros meses temos vários picos e saltos, um praticamente cada 3 semanas! Nessas fases os bebês ficam mais agitados e irritados mesmo, podendo mudar o padrão de sono e comportamentos em geral. Após os dois meses, com a aparição de algumas habilidades que facilitam a interação com o ambiente podemos ter irritação tédio, o que pode se confundir facilmente com sono, dor ou mesmo fome. Veja mais sobre os picos e saltos até os seis meses aqui .
Seu bebê tem choro com hora marcada?
O choro que acontece final de tarde ou começo da noite pode estar associado ao cansaço acumulado, não apenas do bebê, mas o da mãe. O choro parece mais intenso e o bebê parece mais irritado apenas pela falta de paciência. Se a mamãe está cansada e estressada, talvez com sono atrasado, o seu colo fica desconfortável e não acalma o bebê como poderia, entrando num ciclo cansaço e irritação. Esse estresse gerado pelo cansaço pode favorecer a aparição de gases ou a irritação no bebê. Bebês novinhos (até 3 meses) especialmente, se deixados acordados mais 2 horas ficam muito irritados e têm dificuldade para dormir. Observe os sinais de cansaço de seu bebê e coloque para dormir rapidamente, ele não sabe adormecer sozinho precisa de ajuda, do peito e do embalo. Ajuste a rotina familiar e a rotina do seu bebê. Se for preciso permita que alguma soneca seja no colo para que seja quebrado o ciclo de cansaço acumulado. Conheça a consultoria de sono aqui
Os puns são uma sensação nova para o bebê, então é normal ver reclamação, usar posições para facilitar o trânsito intestinal pode ajudar a aliviar o desconforto, posturas que assemelham as perninhas em posição de cócoras são ótimas nesse sentido. Chupeta pode entre outras, favorecer a inclusão de gases no sistema digestivo do bebê, eis mais uma razão para evitar seu uso.

Será a alimentação da mãe que amamenta?
A ideia que cortar determinados alimentos evita as cólicas do bebê não passa de um mito. A alimentação da mãe lactante deve ser completa e bem balanceada, você só precisa cuidar para não consumir os alimentos que já lhe causavam desconfortos digestivos antes mesmo da gestação, se repolho sempre lhe caiu mal, então evite a salada de repolho, mas se nunca lhe fez mal algum, então coma sua saladinha a vontade! Só mantenha o bom senso. A amamentação não é uma boa hora para dietas extremas nem aventuras gastronômicas. Coma bem, em horários regulares, se hidrate bastante e seja feliz, coma de tudo mas sem exageros. Café, chocolates, podem sim causar mal ao bebê lactante, mas só se consumidos em quantidades exageradas, mais de 6 xícaras de café ou 500gr de chocolate ao dia sim pode fazer mal ao bebê, pode fazer mal para qualquer pessoa! Porém, vamos combinar que um chocolatinho de 50 gr, pode ser um mimo delicioso e mudar o nosso humor, e melhorar a mamada, então um pouquinho pode sim!(veja mais sobre o manejo dos gases do bebê aqui)

Será que há alguma dificuldade com a amamentação?
Engasgar ao mamar, fazer barulhos como estalos durante a mamada, perda constante da pega durante a mamada, brigar com o seio, causar lesões mamilares ou fazer mamadas muito longas e exaustivas não são situações normais e podem sinalizar a necessidade de um olhar mais atento para ajustar a qualidade e efetividade das mamadas.
Situações como a hiperlactação ou fluxo forte onde a mãe produz mais leite do que o bebê consegue controlar podem levar a um aumento na distensão abdominal pelos gases produzidos no intestino. O leite materno possui açúcares para os quais os bebês possuem a enzima digestiva necessária, porém, quando a amamentação está descalibrada e a mãe produz mais leite do que o bebê consegue processar, em geral o leite em excesso é mais rico em açúcares, estes açúcares em excesso ficam disponíveis para serem consumidos pela microbiota que faz parte do intestino, através de processo de fermentação anaeróbia, onde se produz o CO2, o que resultará nos gases que incomodam seu bebê.
Os estalos ao mamar e a perda constante da pega durante a mamada podem sinalizar dificuldade com a mobilidade oral na boca ou na língua, o que pode ocorrer em situações de freio de língua curto, quando há aumento na tensão cervical e/ou mandibular, hipotonia facial ou alterações na simetria craniana do bebê. A pega inconsistente pode gerar uma aumento na entrada de ar no sistema digestivo trazendo mais desconforto para a digestão pela aerofagia. No caso de perceber qualquer dessas alterações é importante buscar o acompanhamento adequado com o pediatra, quem deve encaminhar a um atendimento com fonoaudiologia, odontopediatria, osteopatia ou neuropediatria.
Se seu bebê for menor de 3 meses, você percebe que chora ao posicionar para um lado, não aceita mamar na postura invertida no seio favorito, ao ficar deitado ou no colo vira a cabeça sempre numa única direção, vale a pena avaliar a possibilidade de torcicolo congênito. Ele pode levar a criança sentir dor ao virar a cabeça para mamar para um dos lados e isto levar à rejeição do seio. O torcicolo congênito pode causar um desconforto intenso que pode ser facilmente confundido com cólica, e deve ser é tratado com fisioterapia / osteopatia o antes possível para evitar alterações futuras no desenvolvimento motor. Entre mais cedo seja detectado melhor.
Veja 10 conselhos para tratar as cólicas em bebês
Precisando ajuda?
A consultoria Mães com Ciência pode ajudar nas dificuldades com o sono, a amamentação continuada, o desmame, o desfralde e a educação sem violência . Saiba como funciona aqui ou Agende uma consulta virtual aqui.
*Texto original de Zioneth Garcia
