Reflexões sobre a culpa materna

A culpa materna é um tema que sempre me deu coceira, odeio essas duas palavras. Quantas vezes você, que é mãe, se sentiu culpada? Já me senti inúmeras vezes diminuída a uma migalha de mãe porque não consegui fazer com meus filhos do algo do jeito perfeito que sonhava. A culpa é o sofrimento gerado após reavaliação de um comportamento passado, considerado reprovável por nos mesmas. Esse sofrimento não deveria caber às mães que se esforçam por dar seu melhor a cada dia. A culpa não nos leva a lugar nenhum.

Não bastando nosso próprio julgamento, também precisamos aturar o julgamento de terceiros. Você já deve ter ouvido frases como: “ahhh se fosse meu filho não deixava … [se jogar no chão não, comer X , fazer Y, levar o cabelo ou a roupa Z …]”, “ deve estar com fome, esse peito aí não tem nada porque não da uma mamadeira logo” , “mas é falta de vontade para continuar só no seio” …. poderia ficar aqui só me lembrando das frases que já cheguei a ouvir pessoalmente e já ouvi que várias amigas e mães me relataram que tiveram que aturar. Tenho certeza que você que é mãe já deve ter uma enorme coleção delas. Todos se sentem no  direito de dar palpite sobre como deveríamos criar nossos filhos, mas e quem aparece na hora do aperto? Quem aproxima-se da mãe que lida com a crises de choro no meio do shopping ? Quantas mãos estão dispostas lavar louça, roupa e fazer comida para a mãe com filhos pequenos descansar?  

É fácil ver a palha no olho alheio, difícil mesmo é limpar a biga do próprio olho. Quantas pessoas apontam o dedinho e falam (ou pensam) mal da conhecida, parente ou “amiga”, julgando que ela poderia ter feito diferente, medindo a vida dela pela sua ótica subjetiva, “eu teria feito isto ou aquilo, ahhh eu JAMAIS, eu NUNCA teria feito desse jeito que ela fez”. Pessoas, apenas parem, a sua realidade, é só sua, a realidade da outra pessoa só ela sabe, se você consegue fazer tudo perfeitamente receba meus Parabéns! Aqui na Terra, os simples mortais às vezes tomamos decisões desesperadas em momentos desesperados, às vezes erramos, às vezes optamos pelo menos pior, às vezes escolhemos o que na nossa realidade achamos ser o melhor, e pode ser que esse melhor mude daqui uns meses, às vezes acertamos mesmo, no fim das contas as consequências são assumidas de qualquer jeito, certo ou errado, e o problema é de cada um.

Se você sente que não está conseguindo fazer da maternidade aquilo tudo que sonhava, saiba que não está sozinha! somos muitas as mães que gostaríamos conseguir fazer tudo de forma perfeita com nossos filhos, mas que enfrentamos vidas nada perfeitas, e temos que rebolar para fazer acontecer da melhor forma possível, o que muitas vezes pode estar mais próximo da escolha pelo menos pior do que para “o melhor” e recomendado pelos especialistas. Ser mãe não tem manual, nem receita pronta nem fórmulas mágicas. Assim como não podemos banalizar a evidência científica, não podemos banalizar a realidade por trás de cada mulher, cada mãe, cada família e cada filho. Cada uma de nós vive suas próprias batalhas diariamente.

Foto por rawpixel.com em Pexels.com

Você é a melhor mãe para seus filhos.

Cada escolha que se desvia desse “ideal” para seus filhos tem um contexto por trás. O grande problema dos modelos ideais é que eles são surgidos no mundo das ideias, onde todas a variáveis são controladas (ou ignoradas). As mães perfeitas só existem no mundo das ideias porque o mundo no qual essas mães existem é utópico. E gente, não sei se vocês vivem no mesmo mundo que eu, mas meu mundo está bem longe de ser perfeito, o que não significa que seja ruim, prefiro meu mundinho nada perfeito desde onde posso acolher e me comunicar com outras mulheres, mães, que vivem em mundos igualmente imperfeitos.

Você não conseguiu amamentar pelo tempo que gostaria? tudo bem! agora vamos caprichar na alimentação saudável. Não consegue dar a alimentação saudável que gostaria? Vamos pensar em escolhas menos ruins, e fazer da refeição um momento feliz. Não conseguiu ficar em casa com seu bebê o tempo que gostaria? Sei como é, temos que gerar renta para comer, então vamos fazer que o tempo juntos tenha a melhor qualidade possível. Você está cansada e se irrita com facilidade, chegando gritar com seus filhos? Que tal viver um dia de cada vez, e organizar prioridades!

Foto por NIKOLAY OSMACHKO em Pexels.com

Com esse texto quero lhe convidar para que você saia desse ciclo de culpa e autopunição, por decisões que muitas vezes foram forçadas pelas circunstancias da vida. Meu convite é tirar o olhar do passado, do que já não pode ser mudado, e começar olhar para frente, assumindo a responsabilidade de nossas escolhas, sem importar quais foram, ou por que. Analisarmos as circunstancias que nos levaram até nossas escolhas, e encararmos de frente as consequências, podemos olhar para frente, e pensar como posso fazer melhor em adiante, vivendo um dia de cada vez, sem pressa, sem pressão, dando melhor de si a cada instante, sem pretender sermos perfeitas.

Não se esqueça que cada uma de nos é a melhor mãe do mundo para nossos filhos, apesar dos erros que possamos cometer.

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Texto original de Zioneth Garcia

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