O quê fazer quando a criança morde?

Ser pai ou mãe da criança que morde, é tão ruim quanto ser o pai ou mãe da criança mordida. Seja na escola, no parque, com os irmãos ou primos, as mordidas são um desafio em algum momento da vida da criança.

Quando começam explorar o mundo a boca se torna seu principal sentido, é uma fonte de exploração e rapidamente se descobre como uma forma de comunicação: gritos, balbucios, barulhos e mordidas. As mordidas então podem vir expressar uma gama ampla de sentimentos, são pedidos de atenção ou expressão de impulsos incontroláveis, podem acontecer em todas as crianças, em algum momento de seu desenvolvimento, sendo mais comuns entre 10 meses e 2 anos. Podemos ter mordidas de empolgação, felicidade, dor, coceira, frustração, desespero, raiva, cansaço ou apenas um pedido de atenção. A continuação ofereço algumas dicas para enfrentar o desafio de ter uma criança que morde.

Quando a criança morde:

  1. Avaliar o contexto no qual a mordida acontece, para descobrir o por que acontece, é essencial para definir a estratégia de correção. As mordidas podem aparecer nos bebês no início da dentição, quando sentem o desconforto são tentados morder o seio, o que deve ser rapidamente controlado para manter uma amamentação saudável (veja como responder às mordidas no seio aqui). Quando seu filho morde? se ele morde quando está feliz de lhe ver, quando você pega no colo na saída da escola, ou quando você chega em casa após o trabalho, ele pode estar simplesmente querendo dar um beijo. Se morde quando você conversa com outras pessoas, na rua, ou quando tem visitas em casa, é provável que faça para chamar sua atenção. Pode morder quando se sentir frustrado ou com raiva, porque você diz não, retirando ou lhe impedindo de pegar ou fazer algo que ele desejava muito. Também podem haver mordidas defensivas, aquelas que acontecem quando a criança se sente invadida, como as que acontecem num exame médico ou odontológico, ou quando um adulto ou criança tenta abraçar ou beijar insistentemente.  Nas crianças que frequentam a escola essas duas últimas talvez sejam as mais comuns, e motivo de grande preocupação por parte de pais e cuidadores.
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  2. Uma vez identificadas as razões pelas quais a criança morde, identifique as situações ou comportamentos detonantes e se antecipe. Dessa forma irá frear o comportamento antes de acontecer. Se a empolgação e felicidade de lhe ver é o detonante, que tal mudar a forma de dar oi?  troque os beijos por bater palminhas, dar gritinhos ou abraços apertados, por exemplo. Se a mordida é por raiva ou frustração, crie um comando curto que alerte a criança sobre seu comportamento “sem morder”, repita esse comando ao mesmo tempo que intervém retirando a criança do foco da frustração ou raiva (não se limite apenas falar é preciso tomar uma atitude), nesse ponto não interessa de quem é o brinquedo, quem pegou primeiro ou quem tem a razão, a prioridade é proteger a integridade física da outra pessoa (criança ou adulto).
  3. Ofereça alternativas às mordidas, sabendo quando e por que elas acontecem, você poderá oferecer alternativas: ensinar fazer o biquinho de beijo, pedir sua atenção puxando/ apertando sua mão ou falando mãe, proteger o brinquedo dando as costas à outra criança, recuperar o brinquedo pedindo ajuda de um adulto, se afastar da pessoa (criança ou adulto) que insiste em abraçar e beijar contra vontade, procurando a proteção da mãe ou adulto responsável. Para ensinar a criança esses novos comportamentos use o recurso das brincadeiras de faz de conta, historinhas e encenação com fantoches, com personagens fictícios. Mostre a situação como acontece normalmente, falando dos sentimentos dos envolvidos, e então recrie a mesma situação mostrando a correção comportamental, enfatizando nos novos sentimentos gerados. Introduza o comando curto que pode ser usado para alertar a criança da proximidade da mordida também nas historinhas e brincadeiras, faça a criança participar, alertando e corrigindo os personagens.
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  4. Reforce bons comportamentos e repita as orientações constantemente. Lembre que crianças abaixo de 3 anos ainda não possuem memória permanente, com o que a correção de comportamentos inadequados deve ser constante e repetitiva. Não basta uma historinha, uma conversa ou uma dúzia de alertas que frearam a mordida, é preciso repetir muitas vezes de diversas formas, sem baixar a guarda. Não é raro, acreditar o comportamento ter sumido e novamente acontecer após ter baixado a guarda. Não esqueça que a criança ainda está em aquisição de um sistema de autocontrole emocional. Um dia ruim, uma noite de sono difícil, uma refeição em atraso ou excesso de televisão, podem ser o suficiente para ter uma criança mais estressada do normal, e é então que a explosão de emoções pode ser mais forte. Tão importante quando mostrar o comportamento adequado, é reforçar positivamente quando a criança o manifesta. Mostre que você notou o bom comportamento “goste de ver que se afastou no lugar de morder!” , “fiquei feliz que conseguiu se controlar para não morder”, “muito bom! gostei de ver que conseguiu pegar o brinquedo de volta sem precisar morder!”.

Mordidas na escola:

Quando as mordidas acontecem na escola é uma grande preocupação, para pais e para docentes. O mais importante é ter calma ao avaliar a situação. Observem os horários e as situações onde as mordidas acontecem. Não é raro que estas aconteçam nas trocas de turno escolar, nos períodos de transição de jornada, onde em geral há muitas mais crianças reunidas numa mesma sala, as que estão indo embora junto às estão chegando, junto aquelas que são da jornada integral. Nesses momentos a atenção dos cuidadores pode ficar comprometida, as crianças estão agitadas e muitas situações detonantes podem acontecer. Por quê aconteceu a mordida? disputa de brinquedos? defensa pessoal (algum coleguinha querendo beijar ou abraças)? empolgação porque chegou o amigo? Acordo à situação deve ser a resposta. É  importante ter a garantia que onde esteja a criança tenha um par de olhos, levar para escola a mesma frase curta usada em casa para prevenir a mordida pode ser uma boa estrategia “sem morder”. 

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O contexto familiar também é muito importante, se sua família está passando por um momento difícil,  que tem trazido mais estresse para vida da criança, ou se apenas teve um dia difícil criança (chorou muito, está doente, teve médico ou exames), avise a escola, para que tenham atenção redobrada, dando muito mais compreensão e carinho à criança.

Avalie a rotina da criança, garanta bom descanso, alimentação em horários regulares e controle o acesso a dispositivos eletrônicos. Sono inadequado, refeições pobres e excesso de televisão podem gerar aumento no estresse da criança em nível fisiológico, deixando-a predisposta a crises comportamentais como as mordidas de raiva e frustração.

Para NUNCA fazer

  • Não morda a criança de volta.
  • Não bata na boca da criança.
  • Não a grite.
  • Não use termos pejorativos.
  • Não a exponha frente aos colegas ou aos pais dos outros colegas.

Esses comportamentos são irão aumentar a raiva e frustração da criança, dificultando qualquer possível abordagem corretiva, podendo tornar o comportamento pior do que já é.

Referências

Rosaria Fernanda Magrin Saullo; Maria Clotilde Rossetti-Ferreira; Katia de Souza Amorim. Cuidando ou tomando cuidado? Agressividade, mediação e constituição do sujeito – um estudo de caso sobre um bebê mordedor em creche. Pro-Posições. v. 24, n. 3 (72) p. 81-98 . set./dez. 2013 

Juliana de Albuquerque Venezian; Bruna Ronchi Oliveira; Maria Augusta da Costa Araujo. O manejo da agressividade da criança: o que uma mordida quer dizer?. An 7 Col. LEPSI IP/FE-USP 2009

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Texto original de Zioneth Garcia

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