Pais que chefiam ou lideram?

Hoje trago para vocês uma linda reflexão de Thaiane Guerra Caetano, onde nos convida pensar sobre a postura que adotamos com nossos filhos no dia dia.

Vivemos grande influência da cultura da terra do Tio Sam, e a cada ano que
passa são lançados no mercado livros e mais livros, ensinando os pais a
dura e árdua missão de educar seus filhos. Teorias mirabolantes, muitas com
base na agressividade, está muito bem maquiada onde fingimos ser educação.
Mas poucos livros param para acalmar os corações desses pais desesperados.

Esses dias passando por uma grande de livraria me deparei com diversos
livros que prometiam noites maravilhosas de sono, filhos bem educados,
crianças que não fazem birras e mais uma enorme quantidade de promessas que
deixam de lado toda a fisiologia do desenvolvimento normal e saudável de
toda criança. Criança faz arte, criança chora, grita, ficam bravas, ficam
dóceis, isso é ser criança.

Voltei para a casa muito, muito pensativa com essas questões, com essas
respostas milagrosas e a única coisa que nao sai de minha cabeça: estamos
em busca do bebê ideal?

Estamos em busca de uma utopia que nos faça sentir bons pais, nessa
competitividade pelo filho que dorme bem, come bem e não faz birra? Será
que precisamos realmente de um livro que nos mostre como consertar nossos
filhos, ou precisamos encontrar o caminho para nos consertarmos?

Trechos comuns dos livros mais vendidos, e do dialogo entre pais:

” Diga NÃO bem firme e séria quando seu bebê estiver fazendo algo que não
pode”

” Mostre quem manda na casa”

” A criança TEM que respeitar a hierarquia”

” As vezes falar somente não adianta, então vale umas palmadas. Mas
espancar não”

E a pergunta vem à ponta da língua: Estamos falando NÃO demais para nossos
filhos? Estamos falando NÃO demais para a vida?

O não funciona muito pouco diante das crianças e é pouco eficaz, mas antes
que digam que estou tentando impor a verdadeira teoria do caos, vou abordar
um pouco as questões baseadas na administração.

Eu comecei a estudar administração desde os tempos do ensino médio, e mais
tarde tive que aprofundar os estudos na faculdade, porém só fui dar o
devido valor a estas teorias quando me vi perdida e enlouquecida no
ambiente de trabalho, onde as relações pessoais e profissionais eram
decadentes, e a estrutura organizacional totalmente hierarquizada e pouco
funcionante. E não preciso mencionar que este ambiente totalmente
desorganizado e prejudicial me levou a inúmeras sessões de terapia e a
vasta procura por literaturas.

Trabalhar em hospitais é uma verdadeira prova de vida. Onde as relações
tendem a ser hierarquizadas e as teorias de equipe multiprofissional
funcionam muito bem no papel.

Quem já teve um CHEFE, no sentido próprio da palavra sabe o quão pode se
tornar desafiante sair de casa e ir trabalhar. A figura do chefe é tida
como uma figura de autoridade, já a do líder é tida como uma figura de
orientação e motivação.

Nas organizações empresariais o chefe é tido como aquele que usa de
autoritarismo, coloca regras, tarefas e imposições, e seus subordinados são
obrigados a seguirem suas ordens que nem sempre respeitam as necessidades
especificas de cada um, demonstram inflexibilidade e pouca abertura ao
dialogo.

Já o líder é tido como um orientador, motivador, que consegue compreender
seu ambiente de trabalho e motiva as pessoas a atuarem de forma harmonica.
As relaçoes são horizontais e se mostra aberto ao dialogo e sua postura é
mais voltada a participação de todos.

A postura de chefia, tem proteção de sua hierarquia, onde pode agir com
liberdade a sua própria maneira, não necessitando servir de exemplo, pois a
ordem é: “faça o que eu mando”. Nessas empresas o ambiente é tomado por
descontentamento, desunião, falta de motivação e abandono de cargo, uma vez
que poucos conseguem se manter em um ambiente negativo por muito tempo o
que aumenta a rotatividade e diminui o bom funcionamento da empresa. Ou, o
funcionário adoece!

A postura de liderança já se reflete no exemplo do líder, o que demanda tempo
e paciencia e habilidades pessoais para contornar situações desagradaveis e
desafiadoras do ambiente de trabalho. Não conta com a proteção hierarquica,
pois normalmente a relação horizontal é mais valorizada, portanto está mais
exposto a críticas e também a elogios e a soluções compartilhadas de
problemas. O ambiente de trabalho costuma ser mais harmônico, motivador e
menos estressante, e o índice de absenteísmo é menor.

Mas o que tem  a ver as relações do ambiente de trabalho com a criação de
filhos?? Tem tudo a ver!

Se o funcionário motivado trabalha melhor, uma criança motivada também ira
se desenvolver melhor.

É muito mais fácil sentar na cadeira e dar ordens, ser impaciente por estar
preocupado com os ganhos, despesas e trabalho a ser feito e todas as
preocupações de um chefe, sem levar em conta os meios, só pensando no fim,
e sem ter uma visão muito clara do futuro, onde a preocupação maior é a
imediata, é a tarefa. Assumir a posição de liderança exige tempo,
paciência, perseverança e jogo de cintura. Para resolver problemas muitas
vezes necessitará um grande mergulho em si mesmo e o reconhecimento de
estruturas emocionais dolorosas, como motivar se está desmotivado?

Assim fazemos diariamente com nossos filhos. Temos inúmeros desafios em
nosso cotidiano, chegamos em casa cansados pelo trabalho, e o jantar
precisa ser feito, a casa precisa de cuidados, e ainda precisamos dar
banho, ajudar na liçao de casa, botar para dormir, etc, etc, etc.

Daí acabamos não dando atenção devida, e nossos filhos nos respondem a
altura, com impaciencia, com a birra. A birra nada mais do que a
demonstração de um descontentamento, que nem sempre é devido a taça de
cristal proibida, na grande maioria das vezes é pela atenção não recebida,
e a taça de cristal é somente a materialização desse desejo frustrado.

Cansados demais vomitamos nosso descontentamento na parte mais fraca da
casa: as crianças. Gritamos demais, agimos com violência, colocamos de
castigo, pois estamos cansados demais para negociar com o nosso filho que
se recusa a escovar os dentes. O problema é que isso nao funciona com as
crianças, a situaçao só fica cada vez mais dificil, e depois quando
esfriamos a cabeça, somos tomados pelo arrependimento. O caminho mais fácil
nem sempre é o melhor.

Nossos filhos são criados em um hierarquia verticalizada onde não é
permitido questionamentos, onde não é permitido que se expressem, que
chorem, onde precisam andar em cascas de ovos, onde devem muito e podem
pouco. Queremos filhos educados? Que se sentem na mesa de um restaurante e
se comportem? Queremos filhos perfeitos? Mas somos perfeitos? Somos pais
perfeitos?

Ser chefe é mais fácil. Mas transformamos nossa casa e nossas vidas em um
verdadeiro caos. Desrespeito, doenças, perdas e instabilidade emocional.

Precisamos pensar em relações saudáveis e não em quem manda na casa, se
oferecermos respeito e amor aos nossos filhos, eles nos retornarão respeito
e amor. Colocaremos em nossa casa a harmonia, o dialogo. Precisamos de
tempo, precisamos de jogo de cintura e sabedoria. Criar filhos é um grande
mergulho interior, precisamos trabalhar sujeiras que teimamos em jogar
debaixo do tapete, e isso não é facil, e por vezes é doloroso, porém é
necessário.

Esperamos filhos independentes e bem articulados, a maioria dos pais quando
compram estes livros estão em busca deste caminho. Mas como teremos filhos
independentes se não valorizamos seu próprio desenvolvimento? Se nos
posicionamos firmemente como seus chefes? Se não permitimos que eles se
articulem? Se exigimos obediência? Se temos uma relação hierárquica que não
é baseada em respeito?

As relaçoes estabelecidas no ambiente familiar são a base das relaçoes
futuras. E eu te pergunto, o que você espera destas relações para o teu
filho? Que ele saiba obedecer ou respeitar?

Beijo em todos

Thaiane!

Texto de Thaiane Guerra Caetano , escrito originalmente para Geração Mãe.

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Thaiane S. Guerra Caetano
Mãe do Nico e do Henrique
Enfermeira Obstetra atuante no Instituto Geração Mãe
Pós graduanda em Medicina Tradicional Chinesa
Especialista em Urgência Emergência e Terapia Intensiva
Formada em Hipnose Clínica
Consultora em Aleitamento Materno e Babywearing.

Atendimento Instituto Geração Mae:  Av. California, 678 – Ribeirão Preto / SP. Tel: (16) 3236-7655

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