O relato que quero compartilhar com vocês hoje é de uma consulta de amamentação. A mãe me chamou assim que chegou em casa. Preocupada por que seu seio estava começando machucar.
Cheguei a noite, fiz os procedimentos de rotina: avaliar a sucção do bebê e verificar a mama, enquanto conversávamos sobre o nascimento, o parto, os primeiros dias. Durante a conversa percebi que a mãe estava bastante desconfortável, quando começamos tentar colocar o bebê para mamar, para lhe ensinar corrigir a pega, foi muito difícil encontrar uma postura. Durante os primeiros três dias ela estava amamentando sentada, o dia todo, tinha recebido orientação na maternidade de não amamentar deitada.
Os pontos da episiotomia estavam muito doloridos, a pressão que a região pélvica recebia durante o dia todo e o cansaço acumulado estavam passando a conta durante a noite, com uma dor aguda que a tinha na beira do choro. Tinha todas as orientações médicas necessárias, porém, algo na sua dor estava fora do normal, a medicação não estava tendo nenhum efeito.
Como a maioria de mães de primeira viagem (me incluindo) a tendência inicial era levar o peito até a boca do bebê, dobrando as costas e forçando o pescoço, ficando ainda mais tensa a cada mamada. Corrigir a postura é o primeiro antes de iniciar a mamada. Sofremos um pouco para encontrar um postura onde liberasse a pressão da região pélvica, usamos travesseiro com furinho no meio para liberar a pressão da região da episiotomia, levantamos as pernas e a colocamos numa posição semi deitada. O papai aprendeu embrulhar o bebê para segurar as mãozinhas e pernas, para deixar seu corpo mais firme e fácil de posicionar na mama. A mamada então aconteceu lindamente, pega certinha, ciclos de sucção ampla, deglutição perfeita, um alívio para a mãe cansada e dolorida.
Um xixição na fralda, apenas para ter certeza que a mamada tinha sido boa. O bebê dormiu tranquilo, de barriguinha cheia, terminei de massagear e aliviar o ingurgitamento causado pela apojadura, acertamos as últimas orientações dos cuidados deixamos nos seguintes dias, com o bebê e com a mãe.
Mas, no meio da conversa, umas palavras da mãe chamaram minha atenção, ela reclamou da dor do pós parto, tinha se preparado para um parto normal, com o mínimo de intervenções, se exercitado com terapeuta, se preparado com informação, a dor no pós parto de um parto normal não estava em seus planos . Ela estava com problemas para aceitar o desenvolver de seu parto, não tinha falado isso antes, e foi muito importante que a sua mãe (a vovó) estava junto e conseguiu acolher. A consulta já tinha finalizado, mas não podia ir embora deixando a mãe assim. Conversamos mais um pouquinho, escutei tudo o que ela tinha para desabafar, chorou, acolhi como se fôssemos velhas amigas e então foi embora, não sem antes pedir para que logo cedo conversasse com o obstetra sobre a dor que estava sentindo e a dificuldade para ficar sentada.
Nos dias seguintes continuamos conversando, ela conversou com seu obstetra e após um retorno para avaliação, descobriram uma irregularidade na cicatrização da episiotomia, o que estava causando a dor aguda. Nova medicação e novos cuidados, e rápidamente a dor melhorou, possibilitando à nova família curtir e focar no estabelecimento da amamentação.
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*Texto original de Zioneth Garcia