Comunicação com crianças

 

As crianças pequenas são especialmente atentas à linguagem corporal, a força do toque, o seu olhar, seu tom de voz e a sua postura corporal é muito mais importante que as frases colocadas.  Talvez você já deve ter notado que as crianças percebem as situações familiares mesmo que ninguém tenha sentado explicar para elas, as crianças sentem quando devem se afastar de uma pessoa ou que alguma das pessoas no seu convívio precisa de companhia, podemos chamar de intuição, mas nada mais é que uma enorme sensibilidade na percepção de emoções através dos gestos e posturas corporais. 

As crianças nascem com um sistema de comunicação excelente, o choro, que garante a sua sobrevivência e satisfação de necessidades primárias. Com o tempo, o estímulo ambiental e o relacionamento com as pessoas no seu entorno, novas formas de linguagem se desenvolvem, gestos, grunhidos, olhares, sílabas, palavras. A adquisição da comunicação verbal acontece por associação, imitação e repetição. O significado das palavras se forma na medida que estas são associadas à linguagem corporal, expressão facial, tom de voz e postura corporal de quem as diz.

Adultos costumamos priorizar as formas verbais de comunicação, e por vezes acabamos esquecendo das sutilezas da linguagem corporal, muitas vezes ignorando-a. Em geral, para nós um “não”, é não e ponto, mas para uma criança pequena o tom de voz, a expressão facial, e até mesmo nossa postura corporal na hora de dizer “não” é muito mais importante do que a palavra “não”. Um “Não, cuidado” dito no meio de risadas, é um convite para brincadeira, e obviamente a criança continuará a fazer, já se o “Não, cuidado” vem acompanhado de um tom de urgência, expressão de preocupação e a atitude de retirada do local, então ele ganha um novo sentido.

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Ao nos comunicar com crianças é muito importante entender a fase de desenvolvimento com a qual estamos interagindo. Uma criança de 9 meses que acaba de começar engatinhar, está começando explorar seu mundo, e palavras como não, perigo, cuidado, ainda não existem em seu vocabulário, e para passar a ser parte dele será preciso de muita repetição (e coloca muito nisso), o bebê escuta “não”, ele para, olha para você, talvez dá uma risada e continua em frente, ele não está lhe desafiando, apenas não entendeu o que você está querendo dizer, talvez ele entendeu “vai em frente”. Já uma criança de 3 anos, entende bem o que significa um não, com o que ao ouvir-o responde rapidamente com frustração (que pode se traduzir numa crises de choro), talvez tente negociar, flexibilizar os acordos, encontrar brechas de interpretação, mas isto apenas porque já entende o não.

Cinco dicas para melhorar a comunicação com as crianças

1- Pense bem qual mensagem irá transmitir para criança antes de falar. Qual sua importância? Qual sua urgência? Se você não tem muita certeza sobre o que precisa ser dito, a criança também não terá certeza do que você espera e fará a interpretação que mais lhe convenha. Evite os conceitos abstratos “seja bonzinho” “seja bem educado”  são frases que não dizem nada para criança, ela precisa que você deixe de forma explícita o que espera dela “quero que me dê a mão na rua” “sem bater, mãozinhas fazem carinho” . Escolha uma ou duas palavras chaves que possam ajudar chamar a atenção da criança caso seja preciso lembrar do pedido “dá mão” “carinho”

2- Use todo seu corpo para transmitir a mensagem. Sincronize seu tom de voz, sua expressão facial e sua postura corporal. Se for preciso prenda a atenção da criança, olho no olho é a forma mais eficiente, porém quando estamos distantes, um barulho forte como palmas o um grunhido pode funcionar para chamar a atenção, especialmente em situações que pedem que a criança pare imediatamente. Porém, não espere milagres, se prepare para sair do lugar tomando uma atitude para retirar a criança da situação inadequada.

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3- Dedique tempo para a comunicação, pratique continuamente, explique com detalhes as atividades do dia, os porquês das coisas, os seus sentimentos.  Use os tempos calmos e as refeições para conversar, faça um balanço do período anterior e oriente sobre as atividades a seguir. Como foi a noite da mamãe? (se foi legal ou não). como será o dia?  como será a tarde? o quê aconteceu de legal na escola? Como está o papai na volta do serviço? (cansado, animado, ansioso para brincar com a criança?). Expressem os sentimentos lhes dando nomes, e usando a expressão facial e corporal para a criança se identificar, a comunicação com crianças é com todo o corpo.

4- Repita as regras e orientações sempre estes forem ser usados e ainda mais quando forem quebrados. Tenha paciência, aprendizado é um processo longo e repetitivo. A memória permanente é adquirida entre 3-4 anos, o cérebro da criança prioriza a aquisição de habilidades motoras básicas, com o que ao dormir, acontece uma especia de faxina mental, e as crianças literalmente esquecem boa parte de seu dia, ou seja, lá se foram todas as conversa e explicações que você elaborou, e ao dia seguinte precisará fazer tudo de novo. O aprendizado até uns 4-5 anos acontece com base na aquisição de hábitos, e hábitos só se adquirem com repetição constante e precisa. Rotinas bem estabelecidas e desenhadas ajudam muito nesse sentido. 

5 – Use via direta e indireta para reforçar as orientações. Tenha conversas diretas pedindo ações concretas da criança, é importante para que ela tenha certeza do que se espera dela, quando estiverem em uma hora calma:  Vc fez …. + me fez sentir ….+ precisamos que faça ou não faça (isto é o novo combinado) + assim ficaremos …. (mais felizes, mais tranquilos, etc). Por outro lado, a conversa indireta através de historinhas, brincadeiras de faz de conta com as bonequinhas, ou até mesmo desenhos, reforça e permite elaborar explicações sobre o seu dia, suas atividades e comportamentos, assim você poderá mostrar aquelas atitudes que desejam mudar ou reforçar, como acontece e como deveria acontecer.

Não se esqueça que a formação da linguagem e comunicação acontece por imitação e associação, o mestre é você, pai ou mãe. Por isso, deixo um convite para que avalie como você se expressa dentro de casa, a sua linguagem verbal, corporal, não apenas com a criança mas com todos os membros do lar, da família, da comunidade. O seus filhos vem você o tempo todo!

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Texto original de Zioneth Garcia

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