Relato de caso: transição da rotina do bebê e home office

Uma causa muito comum de consulta é a transição de rotina. O bebê que parecia estar perfeitamente ajustado à rotina familiar, com um ritmo bem estabelecido de sonecas e atividades, começa de uma hora para outra dar trabalho para dormir, pular sonecas, e então um ciclo de cansaço acumulado e frustração se instala no lar.  O quê estou fazendo errado, ele estava indo tão bem? Agora nada do que fazíamos antes parece estar bom para ele.

O caso que venho compartilhar hoje, é justamente de uma mãe de bebê de 8 meses, que tinha uma rotina perfeita, o bebê dormia 1 hora a cada 3hs, fazendo até 3 sonecas por dia, mas após de começar engatinhar, já não queria mais dormir nesses horários, pulava a soneca, ficava irritado, choroso, o que dificultava o resto de atividades, mamadas e alimentação complementar. Apesar de contar com ajuda em casa e com o bebê, não estava conseguindo trabalhar em casa como deveria.   

Ela tinha ajustado sua rotina de trabalho em casa aos horários de soneca do bebê, pelo que a sua preocupação estava justamente em não conseguir conciliar mais trabalho em casa com cuidados com o filho, especialmente na hora de lhe fazer dormir, já que ele sempre dormia mamando. A mãe estava muito estressada, atrasada no seu trabalho e se sentindo em dívida com sua família.

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Expliquei que o padrão e necessidades de sono diurno e noturno, muda com o crescimento, os bebês vão virando crianças, ficando mais ativos, se permitindo ficar períodos mais longos sem dormir, alguns mostram aversão à palavra “dormir”. Ainda, nessa fase, quando começa engatinhar e ganhar sua autonomia motora, também aparece a angústia de separação, um processo cognitivo, o começo da formação do “eu”, indivíduo, separado da mãe.

Analisamos o período onde as dificuldades mais apareciam, e assim enxergamos um novo padrão, seu ciclo estava se ajustando para 4 horas desperto. Esse horário estava em conflito com seus horários de trabalho, ela era autônoma, fazia seu horário, então foi preciso fazer ajustes, especialmente na forma como estava encarando seu trabalho em casa. Trocar as 4 horas picadinhas ao longo do dia, interrompidas pelo bebê constantemente, por algumas horas em um mesmo período, assim ela poderia aproveitar por completo seu filho o resto do tempo.

Montamos um plano de ação com uma nova rotina, atendendo o novo ritmo metabólico que ele estava nos mostrando, conduzimos um processo para desassociar  o sono com a sucção do seio, incluímos exercícios cotidianos para atenuar a angústia de separação, e gradativamente fomos introduzimos o colo da ajudante de casa, o carrinho e a rede como novas formas  para o bebê adormecer, quando a mãe não estivesse disponível. Mas, muito mais importante que a rotina do bebê, foi a mãe conseguir organizar sua rotina de trabalho, e termos conseguido estabelecer dentro da rotina familiar o tempo em família.

 

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Ela estabeleceu 6 horas de trabalho por dia, tomavam café junto, e o bebê ficava aos cuidados da ajudante, ela, seguindo a nova rotina, era a encarregada de oferecer lanche da manhã, um leite materno no copo de transição e colocar para dormir, a mãe voltava aparecer na hora do almoço, pouco após o bebê acordar da soneca, almoçavam junto, oferecia o seio e voltava trabalhar por mais duas horas, parando a tempo de conduzir o ritual da segunda soneca do dia. No fim do dia, chegava o papai, que poderia ficar um pouco com o bebê caso ela tivesse pendentes no serviço. Mas após um tempo, com o trabalho indo em melhor ritmo, começaram curtir o fim de tarde em família,com caminhadas, jantar em família e um ritual de sono noturno que envolvia o papai também.

Mudanças que parecem simples, mas que levadas à prática precisaram de muito trabalho pessoal, abrir mão do controle absoluto não é fácil, especialmente quando se trata dos filhos. Mas afortunadamente, nesse caso, conseguimos e a vida familiar ficou bem mais leve.

Depois de umas semanas de acompanhamento recebi um retorno maravilhoso, ela estava plena, tinha conseguido colocar para dormir, após mamar, mas sem adormecer no seio. Um logro e tanto, para quem tinha organizado a vida laboral ao redor das sonecas feitas exclusivamente no seio.

 

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