Relato de desmame de Antonio

Hoje quero compartilhar com vocês o relato de desmame de Antonio.  Mesmo sendo segundo filho, e tendo amamentado a primeira filha até seus dois anos. Um novo filho, uma nova mãe e novos desafios apareceram. Não teve pega errada, mamilo caindo aos pedaços ou fórmula infantil   (como na primeira filha). Mas teve alergia alimentar descoberta bem cedo ( 2 -3 m) com direito a dieta restritiva e sensibilização posterior a vários alérgenos (proteínas do leite, ovo e oleaginosas). Não foi fácil manter a dieta limpa durante o primeiro ano, teve momentos muito complicados, de pânico até, como a vez que o coitadinho começou inchar e se coçar todo depois de ser exposto às migalhas de amendoim pelo chão. Superamos muita coisa até passar a barreira de um ano, e então começarmos reintrodução gradual através do leite materno (sempre acompanhada por profissional). Vivemos por meses com o fantasma do baixo ganho de peso, mas graças ao acompanhamento de profissionais muito competentes,conseguimos superar.   

Superamos entrada na creche com 5 meses, meio período longe tomando seu leite materno em copinho, fizemos introdução alimentar (BLW) e se mostrou um menininho cheio de caráter, meigo, mas com forte temperamento, difícil de persuadir.  Logo teve que ir integral para creche pelo novo trabalho, mas nessa fase já não enviava mais meu leite, enviava sim um leite vegetal. Mamava de manhã e grudava no seio quando voltávamos para casa. Tivemos fases de mamadas noturnas intermináveis, cansaço, olheiras, angústia de separação.

Dormimos em cama compartilhada até cerca de seus 15 m, sempre foi self service, mamava e rolava para seu canto. Um belo dia o quarto da irmã começou ser melhor, mais interessante e então passou dormir parte da noite na cama auxiliar ao lado da irmã, de madrugada ele aparecia na minha cama e não sei como, acordava com ele grudado no seio. Literalmente self service!  Perto dos dois anos reclamou pelo seu quarto e montamos então sua caminha no seu espaço. Com tanta coisa superada, e depois de um desmame conduzido na minha primeira filha estava certa que com ele seria um desmame natural, nenhuma outra ideia passava pela minha cabeça.

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O ritmo contínuo bom por umas semanas. Não sei dizer se foi pela idade ( 2 anos são UO!) ou pelas grandes mudanças que tivemos em nossas vidas (íamos mudar de cidade em breve, começou uma fase de desprendimentos e muito estresse) . O fato é que, ele começou uma fase de mamar a noite toda, de não querer mais soltar o seio na hora de dormir, até tentei voltar ao esquema cama compartilhada, mas ele não deixava, eu tinha que deitar na cama dele e acordava de manhã como se um bando de cavalos tivessem me pisoteado. Foi então que pela primeira vez me questionei se queria mesmo esperar um desmame natural.

Não era justo com com ele, com a irmã  e nem comigo, ser uma mãe impaciente e cansada o dia todo. Então tomei a decisão de controlar a demanda, de dia e a noite. De dia foi fácil, mais parquinhos, mais saídas, mais distrações (pintura, massinha, água no quintal). A noite foi um pouco mais complexo, para fazer um desmame noturno precisei ajuda do meu parceiro,  conversei bastante com meu pequeno, falei que estava cansada e que o seio também precisava descansar, e combinamos que ele iria mamar para dormir e depois só quando o sol tiver saído.

Antes de dormir nosso ritual era listar todas as coisas e bichinhos da rua, da casa e falar que estavam dormindo. O cachorro, o passarinho, as plantinhas, o sol, a irmã… todos foram dormir. Por último, mamava de ambos seios e dava  boa noite. No começo deixava mamar até dormir, mas começou não soltar, então comecei retirar o seio antes mesmo de adormecer e terminava de embalar no sono grudado no colo, porém sem mamar. Deixava água numa garrafinha ao alcance dele caso sentisse sede. Foram alguns dias conturbados, nos que o papai precisava intervir para que eu pudesse fazer respeitar nosso combinado de mamar só no dia seguinte. Como costumo falar às mamães, tudo está na força do hábito, determinação e segurança. Em algumas semanas ele já estava num ritmo de dormir a noite toda na sua cama, ou se acordava de madrugada ia até minha cama e deitava no meio da gente, dormia até ver o sol sair e então com o primeiro raio de sol ele pedia o peito.  

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Chegou a mudança de cidade, tudo novo, ansiedade a mil, sabia que seria um desafio para todos nós, e me preparei para encarar algumas semanas de amamentação feito recém-nascido, mas para minha surpresa não teve nada disso. Pelo contrário, a animação da viagem, as coisa novas que encontrou deixaram ele cada vez menos interessado no seio, começou um ritmo de mamar dia sim dia não, às vezes pedia no meio do dia, as vezes esquecia que tinha mãe, queria ficar brincando tempo todo, foi um alivio.

Precisamos ficar longe quase uma semana para que conseguíssemos finalizar a mudança, ficou com a vovó e com a irmã. Antes de nos separarmos, tive um conversa com ele, falando que eu iria voltar em breve, com o peito, tive medo de desmamar dessa forma, e novamente me surpreendeu, não só não desmamou, como continuou no mesmo ritmo mais algumas semanas, mamando para dormir, uma que outra vez de dia. Mesmo depois de nos estabelecermos na nova casa, dele dormir em seu novo quarto, manteve esse ritmo.

Estávamos indo bem, e novamente algo aconteceu, parece que a ficha caiu, não sei se foi a entrada na nova escolinha, se foi resposta tardia à mudança, ou mesmo resposta ao meu emocional que estava muito abalado pelo que tinha deixado para atrás.  A hora de dormir começou virar um tormento, uma luta na hora de soltar o peito, ao ponto que eu adormecia primeiro, na cama dele, e acordava moída no meio da madrugada. A irmã começou me estranhar, queria a mamãe também, se passavam dias sem eu conseguir dar ao menos beijo de boa noite.

Começou um ciclo torturante, para mim e para ele, eu estava estressada, ele não aceitava o pai, e então cheguei brigar, gritar com ele, por não dormir rápido, parece maluquice, mas o cansaço nos faz perder o controle às vezes. Meu marido assistiu, assumiu e me diz algo que mudou o rumo das coisas: Para dar de mamar assim, os dois sofrendo, é melhor desmamar. Para ele é pior mamar sofrendo e vendo você sofrer, do que encarar um não. 

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Apesar de sonhar com um desmame natural, vi que não era viável para mim nesse momento, meu emocional estava muito abalado. Optei por terminar de conduzir o desmame, ele só mamava para dormir, então era questão de inventar outra forma dele adormecer. Foi hora do papai. Por uns bons dias, era o papai quem colocava para dormir,  como? Sei lá, papai sabe se virar! Se tinha muita reclamação eu ia e dava de mamar um pouquinho e entregava para o papai de novo, mas essas intervenções foram ficando cada vez mais raras. Dava até raiva de ver ele saindo em minutos todo orgulhoso “Já dormiu!” (comigo demorava horas).

Gosto de pensar que o universo às vezes nos ajuda, nos mostra que estamos no caminho certo. Por essa mesma época chegou nossa esperada notícia, livres de restrição de ovo, era a única coisa que faltava introduzir. Conseguimos nos livrar das alergias alimentares e os problemas de ganho de peso. Foi o empurrãozinho que nos faltava. Não sei dizer quando exatamente, pela segunda metade de setembro de 2016 quiçá, com 2 anos e  7 meses. Me lembro que passou quase 15 dias sem mamar, e então estando nós dois sozinhos em casa, ele veio para meu colo, perguntei se queria mamar, ele diz que sim, fez carinho no seio, deu uma sugada bem leve e então veio um “tchau tetê”, olho para mim e diz “não sou mais nenê”. Nunca mais pediu, ele guarda um carinho enorme pelo tetê, faz carinho, gosta de deitar encima, de meter o nariz no meio dos seios para tirar um cheirinho, até hoje (com 4 anos).

Foi o melhor desmame que poderia acontecer. O melhor e mais respeitoso com ele e comigo. Estamos felizes e crescendo em paz.

Espero que esse relato possa ajudar outras mães encontrar seu próprio caminho.

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Texto original de Zioneth Garcia

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