Relato de caso: viagem da mãe, sono e amamentação

O relato de hoje mostra um medo bem comum entre as mães que voltam trabalhar. Mas que se torna mais frequente nas mães que têm horários noturnos, plantão ou precisam enfrentar viagens eventuais na sua vida profissional. Dormir no seio é normal para muitos bebês, mas nesses casos em particular, é motivo de pânico.

O caso que quero contar para vocês é o de uma família de executivos de sucesso. Mãe e pai se dão ao luxo de escolher seus horários de trabalho, a mãe trabalha meio periodo em casa e conta com ajuda de uma babá. Numa primeira consulta acertamos a rotina para ela conseguir trabalhar em casa e conversamos sobre a forma da bebê adormecer, de dia dormia bem com a babá, a noite sempre dormia no peito a noite, mas para a mãe não tinha problema, ela gostava e optou por não fazer nenhum esforço para mudar essa situação.

Porém, surgiu uma oportunidade profissional única, daquelas que só aparecem uma vez na vida e deixar passar seria tolice. Ela ganharia uma viagem na qual receberia uma promoção, em reconhecimento de seu trabalho na multinacional.Na mesma hora me contatou, ao mesmo tempo que a alegria e orgulho, também a invadiu o medo de sua bebê não conseguir ficar bem sem ela, seriam cinco noites longe, apenas com o pai. Será que a amamentação resistiria ou seria melhor desmamar? A notícia também invadiu o pai de pânico, como que ele faria a bebê voltar dormir a noite se até então ele nunca tinha conseguido?

Durante a consulta fomos avaliando as alternativas, o pai não se sentia seguro para atender a bebê de noite, ele precisava dormir bem para dar conta de seu serviço.  A família considerou uma nova babá exclusivamente para noite que começaria uma dia antes da mãe viajar, mas descartamos a possibilidade porque não haveria possibilidade de ter uma adaptação gradual e poderia ter uma rejeição muito forte.

Então pensamos em uma das avós, que já ficaria com ela em outras noites. Haveria vários eventos teste antes da viagem, onde ela poderia ficar com a bebê para fortalecer o vínculo entre elas antes da viagem. As opções viáveis seriam então, a avó ficar em casa  a noite a bebê nesses cinco dias mantendo a mesma rotina de cuidados da babá durante o dia, ou a vovó ficar durante um período do dia e a babá de sempre conduzir a noite. Em qualquer caso ficou claro que o fato de  a bebê sempre dormir no seio era um hábito da dupla, mãe e bebê, que em nada iria afetar suas noites de sono na ausência materna já que em outros períodos ela conseguia adormecer fora do seio (com a babá ou com a avó).

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Mas então surgiu a outra questão: a amamentação. Será que sobreviveria cinco dias longe? Tinham se esforçado tanto, a bebê foi prematura e conseguir firmar a amamentação era um motivo de orgulho para o casal. Mas só saberiamos após a viagem. Orientei cuidados com a mama durante a viagem e rotina de contato entre as duas durante a viagem.


A viagem aconteceu, a rotina da bebê se manteve igual, o comportamento surprendeu todos, apesar de ficar mais dengosa e carente, pedindo mais colinho da avó, pai e babá,  estava conseguindo se sair muito bem, dormindo a noite sem precisar o peito. E o medo da mãe agora era: será que não sou mais necessária, vai esquecer de mamar no seio?

Sucesso de viagem, a mãe voltou realizada e para surpresa de todos, que achavam que a bebê não lembraria como mamar, assim que viu sua mãe as duas tiveram uma longa mamada. Recebi mensagem na hora, ela estava muito feliz de ter mantido a amamentação.
Como nunca foi objetivo para nenhum dos envolvidos, a amamentação pausou e contínuo após a viagem de onde parou.

Espero que esse relato traga paz no coração para as mamães que trabalham em plantões noturnos e tem medo de como será a noite sem elas. Já acompanhei muitos casos assim, e na grande maioria os bebês se saem muito bem, basta ter um processo de adaptação onde se permita o fortalecimento do vínculo com a pessoas ou pessoas que cuidaram da criança na ausência da mãe.

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Texto original de Zioneth Garcia

 

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