5 razões porque a amamentação Cruzada é uma prática de risco

Recentemente, se acendeu a polêmica sobre a amamentação cruzada. Uma linda atitude para alguns, mas que é considerada de alto risco, sendo amplamente desencorajada por todos os organismos promotores de saúde ao redor do mundo, e formalmente desaconselhada e proibida pelo Ministério da Saúde através da Portaria n.º 1.016 de 26 de agosto de 1993 – DoU 167 DE 01/09/1993. Veja ela na integra aqui .

Mas porque uma atitude aparentemente inocente pode trazer riscos para a saúde materno-infantil? e porque repercutiu negativamente entre os promotores de saúde e ativistas pela lactância materna? Bem, vamos te dar cinco razões:

5 razões porque a amamentação Cruzada é uma prática de risco

1-            Amamentar é algo ÍNTIMO entre mãe e filho. Amamentar é antes de mais nada, um vínculo emocional. Então, você emprestaria seu marido para amiga avaliar se seu funcionamento sexual é adequado? Bom, aqui pelo menos está longe de cogitação. Então porque deixar seu bebê mamar em outra mãe?

  1.            Expõe o bebê e a mãe a microrganismos estranhos. Cada dupla mãe-filho desenvolve no próprio ambiente, o que significa a exposição a um grupo determinado de micro-organismos e potenciais agentes patogênicos, assim, o corpo da mãe produz um leite materno que responde a esse ambiente, contendo agentes imunológicos ativos (IGs), pequenas bactérias que irão povoar o seu intestino e uma pequena carga de agente patogênicos, para os quais a dupla já está imunizada. É dessa forma que a natureza nos permite garantir através da amamentação que os nossos filhos consigam se adaptar o melhor possível ao ambiente no qual se desenvolvem. Agora, o que acontece quando nosso bebê consome um leite materno que não é o nosso? Pois bem, eles está sendo exposto a uma carga de micro-organismos, agentes imunológicos e potenciais patógenos diferentes ao de seu ambiente normal, aquele que se encontra adaptado. No caso dos potenciais patogênicos ele não terá nenhum tipo de resposta imunológica desenvolvida, e ficará em risco de desenvolver qualquer doença. Sabe aquele resfriadinho leve que sua amiga teve semana passada? Pode virar um grande resfriado no seu pequeno se ela vir amamenta-o. 

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  2.            Risco de transmissão de doenças como AIDS, hepatite B ou C, citomegalovírus, caxumba, herpes, rubéola entre outras. Não podemos esquecer que o leite materno é um fluido corporal, com os mesmos riscos de transmissão de doenças que qualquer outro fluido corporal, até mesmo os fluidos involucrados na relação sexual. Adicionalmente, durante a mamada ao seio podem acontecer micro lesões e pequenos sangramentos imperceptíveis, que irão aumentam exponencialmente os riscos de transmissão de doenças para todos os envolvidos. A transferência de doenças pode ser direta ou indireta, pode acontecer do seio da sua amiga/parente para a boca de seu bebê ou posteriormente passando da boca dele para seu seio. Cada um de nos é um pequeno ecossistema em equilíbrio, a exposição a novos micro-organismos os torna potenciais patogênicos. Veja assim, você pode estar com a pele de seu mamilo perfeita, nenhuma dor, na pele de seu seio podem coexistir e equilíbrio algumas poucas bactérias e fungos, que estão sob controle pelo seu sistema imunológico que já é adaptado a eles. Mas quando amamenta o bebê da sua amiga, pode acontecer uma transferência indireta, o bebê carregar alguns desses grupos de micro-organismos, e já que ela não tinha uma resposta imunológica desenvolvida para eles, acabará adquirindo uma infeção mamilar. Isso vale em ambos sentidos, e ser você ou seu bebê a adquirir uma doença para a qual ainda não tinham proteção imunologica desenvolvida. 
  3.            Mas, a doação aos Bancos de Leite não é amamentação cruzada? Não! O leite materno doado para os Bancos de Leite, antes de ser destinado às UTIs neonatais, passa por um processo de pasteurização, onde todos os micro-organismos morrem e as proteínas dos agentes imunológicos e enzimáticos são desnaturalizadas, perdendo assim sua atividade biológica. O leite materno doado e pasteurizado é o alimento perfeito para os bebês prematuros que não tem ainda um sistema imunológico forte desenvolvido, já que é inerte e não irá transmitir nenhuma doença. 
  4.            Amamentar o bebê de outra mulher não é a melhor forma de ajudar e incentivar o aleitamento materno. Pelo contrário, se o bebê mama divinamente no seu seio e depois a mãe não consegue amamentar da mesma forma, o único que será passado para essa mãe será a sensação de frustração. Se deseja ajudar, e não sabe como, então encaminhe-a ao banco de leite ou consultora de amamentação mais próxima. Ofereça apoio emocional e mostre como a amamentação é um desafio para todas nos.


Referências:

Gomes CS, Fonseca JSA, Peres PLP, Rodrigues BMRD. Cross-breastfeeding, from Negligence to Moral Virtues: a Descriptive Study. 2015. Online Braz j nurs. 14 (3):263-72. DOI: http://dx.doi.org/10.17665/1676-4285.20155157

 

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Texto de Zioneth Garcia e Christiane Nóbrega

 

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