Relato de desmame de minha Maria Isabel

O desmame de Maria Isabel não foi como eu esperava, na minha cabeça ela mamaria até perto dos 4 anos, tal como eu fui amamentada, e esperava que ela lembrasse do seu desmame com o mesmo amor que eu lembro do meu até hoje. Mas o que aconteceu foi bem diferente. Nova gestação, perturbação e uma súbita aparição de independência que me tomou de surpresa. A perturbação que senti durante a nova gestação foi o detonador para começar um processo de desmame gradual, acompanhando o ritmo dela sem deixar de ouvir meu corpo e meus sentimentos.

Descobri que estava novamente grávida quando Maria Isabel estava ao redor dos 19 meses, tive desde o começo da gravidez muita sensibilidade nos seios, o começo foi um período conturbado e experimentei alguns sentimentos de perturbação da amamentação, mas ser consciente deles foi um conforto e me permitiu procurar alternativas para contornar o problema. Saber que não era precisamente eu, quando queria simplesmente fugir, me confortou.

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Ela teve pneumonia bem no comecinho da gestação, e durante quase um mês se alimentou praticamente só de leite materno, então durante esse tempo, apesar de eu não me sentir bem quando amamentava e às vezes chorar de dor, não fui capaz de tentar controlar a demanda nem fazer nada, o estado dela não me permitia pensar em nada diferente a ela. Afortunadamente ela se recuperou completamente, quase não perdeu peso, mas em contra partida eu emagreci muito para uma grávida, mesmo sem ter enjoo matinal nem nada similar, perdi quase 4 K em 3 semanas. Mas ver ela saudável novamente foi minha recompensa a tanto sacrifício e estava firme a ir em frente. Na minha cabeça já estava me fazendo à ideia de amamentação em tandem. Mas a nossa luta para continuar foi além da perturbação.

Me pressionaram muito para desmamar ela logo, me fazendo Bullying, ligando toda semana para mim ou para meu marido para falar que perderia meu bebê se continuasse amamentar, chegando ao ponto de sugerir que meu esposo deveria me obrigar desmamar, tratando ele de frouxo por não o fazer.  Afortunadamente o GO que me acompanhava foi completamente a favor de continuar a amamentação e afirmou na frente de meu marido que não teria nenhum problema em continuar a amamentar, apenas precisaria me alimentar melhor. Chegou o ponto de não atender ao telefone quando era alguém da família do marido só para não ter que ouvir novamente a mesma conversa. “vai perder o bebê” “ainda não desmamou? é só passar babosa….”

A distância foi nossa amiga e consegui de novo a calma, mas decidi que se queria ir em frente deveria fazer algo para contornar a perturbação, estava na hora de controlar a demanda, ela já tinha 21 meses. Durante o dia foi simples, manter ela entretida com brinquedos, músicas, e me ajudando com os fazeres da casa, só dava de mamar quando ela mesma pedia, direitinho, nada de vir puxando a blusa, não oferecia mais.

A noite a coisa foi mais complicada, com a aparição dos molares ela ficou muito incomodada e mamava praticamente a madrugada toda, dormia só com o seio na boca, as vezes sujeitando-­o apenas pelo bico. Tentamos desmame noturno com o método Gordon, sem sucesso, simplesmente não fomos capazes de ouvir o choro dela desconsolado pedindo tetê nem por um minuto, foram duas tentativas completamente fracassadas. Nem ela, nem eu estavamos prontas para tal. 

O desconforto dos molares passou e começamos fazer atividades com ela final da tarde para gastar bastante energia, caprichar no jantar e a rotina da hora de dormir. A participação de meu marido foi essencial, é ele quem brincava com ela nesse horário, em quanto fazia o jantar, e depois dava o banho e brincava antes de dormir, a minha participação ficou limitada ao tetê para desligar a luz, assim ela começou fazer intervalos noturnos bem espaçados, e o meu descanso melhorou. Ela mamava coisa de 3 vezes ao dia, ao longo do dia todo, só quando ela pedia, e uma vez a noite no meio da madrugada apenas para me sentir.

Quando fiz 3 meses de gravidez Maria Isabel diminuiu abruptamente as mamadas, apesar do peito produzir bastante leite ainda, ela rejeitou o gosto, chegou cuspir o Leite do peito que estava na sua boca! Começou mamar só para acordar e para ir dormir, cheguei ter que tirar o Leite no chuveiro porque ela não quis bebê-lo. Mesmo assim as mamadas continuavam doloridas, o simples fato dela segurar o seio na boca me doía, então comecei conversar bastante com ela, pedir para abrir bocão, parar um pouquinho respirar e continuar, trocar de peito várias vezes e finalmente controlar o tempo da mamada, falando para ela que poderia mamar enquanto a mamãe contava até 10, dependendo da dor contava bem devagar ou bem rápido.

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Nunca falei que não poderia mamar, isso para mim já é um grande alivio, apenas falava “a mamãe dá tetê enquanto conta até 10”. Eis que nesse ritmo ela diminuiu as mamadas para ser apenas uma por dia, só para dar a boa noite e dormir, contando até 10 em cada seio após o papai ter brincado e dado beijo de boa noite. Me senti estranha por não ser mais necessária para ela adormecer, ela soltava no 10 e me pedia para ir embora ou deitar no meu lado da cama, quiçá fazer cafuné e só (fazíamos Cama Compartilhada). O peito nunca mais encheu , de fato as mamadas vinham acontecendo em seco, mas era algo de se esperar pela gestação.

Viajamos para visitar os parentes do marido, de forma inesperada, pois a viagem na real era para ver meus pais, porém problemas na documentação da pequena nos fizeram perder a viagem. Ficamos 3 semanas, ela pediu para mamar mais vezes do que o normal no dia da chegada, mas depois voltou ao mesmo ritmo. Com os parentes, os passeios, e as brincadeiras ela terminava exausta final do dia e passou mamar bem menos, nem dava tempo de chegar até dez e ela já soltava o peito, mas fazia questão de mamar dos dois antes de dormir.

Para completar não teve como ela dormir na mesma cama conosco, nem a cama nem o espaço ajudavam, mas acomodamos um colchão no chão grudado na cama fazendo um tipo de berço com travesseiros e cobertas, e para minha surpresa ela adorou a ideia de ter esse espaço só dela! Não permitia que ninguém deitasse com ela, ela mamava na minha cama e descia sozinha ao colchão, dava tchau e dormia abraçada da bonequinha da vez, acordando 1­ ou 2 vezes a noite apenas para pedir água ou me sentir. Nessas três semanas tinha noites que ela não pedia, começaram passar 2,­3 noites sem ela pedir, e eu não oferecia, ela pedia apenas cafuné ou massagem nas costas. Mesmo sem peito a minha presença na hora de dormir continuou indispensável. Vale dizer que a pressão para desmame parou, foi uma das condições para ficarmos todo esse tempo lá.

Na volta para casa encontramos as nossas camas separadas (dormíamos em cama compartilhada= cama solteiro + cama casal), a mulher que limpará a casa as deixará assim e quando tentei juntar as camas para dormir essa noite ela não permitiu, adorou a ideia de ter o seu espaço separado do nosso, esse dia na empolgação de dormir na sua caminha nem mamou, demorou um tempão escolhendo a boneca que dormiria com ela essa noite, e deu beijinho de boa noite no papai e e mim como se fosse uma menina crescida. Fiquei esperando ela acordar para pedir o tetê que tinha esquecido, e quem não dormiu essa noite fui eu, ela acordou apenas para pedir aguá e procurar a boneca perdida na cama.

Desde então ela já não pede mais tetê, e teve varias oportunidades para ela pedir, ao ver outras crianças mamando, tomando banho comigo, quedas, etc. Mesmo assim não pediu, cheguei até oferecer e ela não aceitou.

MaIsabel

Faltando apenas 6 dias para completar os dois anos me dei por desmamada, e, Sinceramente, eu ainda estou chocada com o jeito que ela simplesmente parou de mamar. Se perguntavam, ela dizia ser uma bebê grandona, dormia na sua caminha do lado da nossa (quarto compartilhado), ainda acordava entre 1­ a 2 vezes por noite para pedir água ou cafuné para voltar dormir.

Escrevi o relato 12 dias depois da ultima mamada, escrever sobre o desmame me ajudou aceitar que minha bebe não mamava mais, que não vai lembrar­ do seu desmame como eu, nem vai mamar do lado de seu irmãozinho quando ele nascer como eu imaginei. Mas estou feliz porque sei que dei o melhor de mim, dentro das circunstâncias que vivemos.

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Texto original de Zioneth Garcia

Um comentário

  1. Que lindo relato, Zio! Tobias ainda segue mamando, com 2a4m. Agora já dorme a noite toda e em sua cama. Mas ainda mama muitas vezes por dia (durante fim de semana, pois fica período integral na escola) e só adormece mamando. Estão nascendo os segundos molares. Já nasceram os dois de baixo, agora são os de cima. Quando terminarem de nascer, pensarei no desmame. Beijos!

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