Tratamentos da fimose verdadeira

A dificuldade de retrair o prepúcio, presente de forma fisiológica na maioria de recém nascidos começa a se tornar uma preocupação se a limitação é mantida acima dos 3-4 anos, momento no qual surgem as alternativas de tratamento (veja uma explicação sobre o desenvolvimento de prepúcio aqui ) .Para as mães e pais de meninos, que tem dúvidas sobre os tratamentos disponíveis para fimose, aqui uma breve explicação.

“A retração forçada

Outrora aconselhada, não é um tratamento eficaz. Ela promove fissuras do prepúcio, levando à formação de cicatriz e ocorrência de fimose secundária. Para prevenir a fimoses secundária, evite mexer, puxar ou massagear o prepúcio de seus bebê. A retração limitada  não é um problema antes dos 3 anos, porém as fissuras por manipulação pode se tornar cicatrizes que sim podem se tornar um problema no futuro.

Corticosteróides

Em crianças com idades superiores a 4-5 anos e naqueles que desenvolvem balanites ou balanopostites (inflamação da mucosa da glande), a aplicação tópica de creme de corticosteróides no prepúcio 3-4 vezes por dia durante 4-8 semanas faz com que desapareça o anel fimótico e, geralmente permite que o prepúcio seja retraído manualmente.

Os corticosteroides tópicos são úteis igualmente em casos de balanite xerótica obliterante. Pode ser conseguida a retratibilidade completa do prepúcio em 75% a 85% dos casos tratados com corticosteróides tópicos. Os corticosteróides restabelecem a síntese de colágeno pelos fibroblastos ao nível do anel prepucial fimótico. Não foram referidos efeitos laterais, sendo um tratamento seguro e económico que pode ser utilizado antes de considerado o tratamento cirúrgico.

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Prepucioplastia

Na ausência de balanite xerótica obliterante, a prepucioplastia (incisão tripla do prepúcio) é uma opção terapêutica cirúrgica segura, mais rápida e menos radical que a circuncisão, com resultados funcionais e estéticos satisfatórios. As indicações para este procedimento são a balanopostite recorrente, a formação de balão durante a micção e a estenose fimotica grave. Quando se pretende conservar o prepúcio, um dos procedimentos possíveis é o chamado La Vega Slit, que consiste num corte ventral no prepúcio, proporcionando um pénis com aspecto semelhante ao não circuncisado. Trata-se de um método seguro, fácil de realizar e com bons resultados estéticos.

Circunsição

A circuncisão é um procedimento cirúrgico muito frequente, por vezes com indicações clínicas pouco esclarecidas. Apesar de um método simples, tem riscos e complicações, pelo que deve ser bem ponderada a necessidade da sua realização, sobretudo em crianças e recém-nascidos. A circuncisão corresponde à separação cirúrgica do prepúcio, sendo um dos procedimentos cirúrgicos mais frequentemente realizados em crianças no mundo todo. Globalmente cerca de um quarto dos homens são circuncidados por razões religiosas, culturais, médicas ou opção dos pais. As sociedades que praticam a circuncisão rotineiramente dividem-se em dois grupos. O primeiro inclui muçulmanos, judeus e alguns grupos étnicos de África e da América Latina, em que a circuncisão tem uma finalidade de uniformização dessa sociedade, a nível religioso ou cultural. O outro grupo inclui sobretudo os países anglo -saxónicos, onde a circuncisão tem uma finalidade preventiva (já iniciada nos finais do século XIX).

Mas, apenas um pequeno número de circuncisões é justificado por uma verdadeira fimose. As regras de higiene são suficientes e é desaconselhada a retração forçada do prepúcio. O conjunto de evidências existentes sobre os riscos e benefícios é tão equilibrado que não se pode aconselhar a circuncisão como um procedimento preventivo. Existindo um tratamento conservador e tópico disponível, parece lógico pensar que esse deva ser a primeira opção nos casos de prepúcios neonatais não retrácteis.No contexto dos dados epidemiológicos que mostram a resolução espontânea da fimose na maioria dos casos, o argumento de que a circuncisão é um procedimento cirúrgico minor e sem complicações é não só errado como irrelevante. É eticamente, assim como economicamente questionável operar uma criança para tratar um processo fisiológico “¹

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Um conselho que posso lhes dar, como mãe de menino, é permitir que seu menino conheça e cuide seu corpo, ensinar logo nas primeiras fase dos desfralde, quando começa a curiosidade pela própria genitália, como lavar o pênis na hora do banho (puxando a pele levemente permitindo a queda de água nele), cuidando dessa parte de seu corpo com o mesmo carinho de todas as outras partes, tornando natural a limpeza e a manipulação.

É normal os meninos experimentar, manipular, estranhar  e até curtir sentir seu pequeno pênis ereto, seja ao acordar, ao fazer xixi , ao limpar no banho ou até mesmo coçar por ai. Trate com naturalidade, para eles não existe ainda conotação sexual nessas pequenas ereções (essa está na sua cabeça de adulto). Permitir a criança pequena, conhecer e cuidar de seu corpo irá ajudar e facilitar no futuro, caso seja preciso alguma intervenção.

Lembre, em caso de dúvidas ou insegurança, consulte o pediatra de seu pequeno. É melhor avaliar e não ser nada importante, do que não avaliar e deixar de detectar os problemas a tempo de prevenir maiores intervenções.

 

1- Texto tomado de

Carlos B. Silva, Mário C. Alves, Jorge C. Ribeiro, Américo R. dos Santos. 2006. Fimose e Circuncisão.  Acta Urológica (23) 2: 21-26. Acesse o artigo completo: http://www.apurologia.pt/acta/2-2006/fimos-circ.pdf

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*Texto original de Zioneth Garcia

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