Carta às mulheres que serão mães pela segunda vez

Essa é uma carta que escrevi faz alguns meses, para varias amigas que estavam esperando seu segundo filho, hoje a compartilho com vocês, pode ser útil para outras mulheres na mesma situação.

Quando recebemos a notícia da segunda gestação há uma mistura de sentimentos, muitas vezes nem foi planejada, ou foi pensada mas não assim, não agora, às vezes até era desejada e esperada, mas esse já, chega como um balde de água fria!  Hoje estou aqui para deixar um abraço e uma palavra de encorajamento, para contar que se tornar mãe pela segunda vez, apesar dos medos e dos desafios, pode ser algo maravilhoso, não há muitas certezas, apenas uma, ser mãe pela segunda vez vai mudar a forma como você vive sua maternidade.  

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Quando confirmei que estava grávida de novo senti uma mistura de medo e coragem, segundo filho então lá vamos nós! …. E agora? Será que o vou amar tanto quanto amo minha primeira filha? Às vezes demora um pouco mais que na primeira gestação para se tornar “real”, nossa rotina não mudou nada além de ajustar os horários das consulta do pré-natal. O corpo é diferente, a cabeça é diferente, agora temos muito mais ocupações, temos outro filho que precisa de nós. Então  até aquele serzinho dentro de nós começar a se manifestar, pode ser que seja ainda uma ideia distante em nossa vida. Às vezes, em pequenos instantes durante o dia, lembramos que estamos grávidas, um enjoo além do normal, os primeiros chutes, o desconforto ao dar de mamar ao primeiro filho, a dificuldade para ajustar o irmão mais velho no colo, o cansaço absurdo no fim do dia. Pelo menos por aqui, o mais normal era esquecer que estava grávida; a maior parte do tempo me perdia entre as responsabilidades de casa, trabalho e filha. Bem diferente da primeira gestação, onde tive tempo de sobra para cuidar da barriga e pirar nos  devaneios, imaginando e fazendo preparativos da chegada.

Mas a noite, enquanto a casa estava em silêncio, era eu com meu travesseiro e os pensamentos me faziam perder o sono, como será que vai ser? Como vou dar conta de dois com essa demanda absurda que recém nascidos tem?  Como vai ficar minha vida profissional? Acho que não vou dar contar de amamentação em tandem… Será que melhor desmamar? Como vai caber mais amor aqui dentro? Já amo minha filha de doer, não tem como amar mais do que isso!  As poucas mães de dois que conhecia me falavam sempre o mesmo, o amor de mãe não se divide, se multiplica! Mas era abstrato demais para entender. Quando finalmente precisei colocar a gestação em primeiro lugar, porque o corpo já estava no seu limite, entendi o que isto significava. Minha filha era minha prioridade, mas agora tinha outra razão para me manter bem e saudável.  

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Antes do parto do segundo precisaram nascer todos esses medos, tinham que sair de mim antes que o bebê respirasse por se só, de fato. Foi o parto antes do parto. Muita coisa na cabeça atrapalhando precisou ser deixada para trás antes da nova vida começar. E gente, quando falam que quando nasce um bebê nasce uma mãe, é certo, e quando nasce o segundo, ou terceiro, ou quarto filho… renasce a mãe! Somos completamente diferentes. Algumas coisas tiramos de letra, mas outras aparecem para nos desafiar ainda mais que na primeira vez. O dia mais glorioso pode ser aquele no qual conseguirmos colocar todo mundo para dormir a soneca da tarde, ao mesmo tempo! O dia mais cansativo é qualquer um.  Porém, uma coisa é maravilhosa, e vocês irão descobrir, a maternidade se torna mais leve, os problemas cotidianos quando se tem um filho parecem moleza frente ao novo desafio de equilibrar as necessidades de duas crianças de idades diferentes. Ligamos menos para “o que dirão” e muito mais para “precisamos estar bem e em paz!”.  

Com o primeiro filho muita coisa é experimentação, com o segundo a gente já sabe o que dá certo e usamos com segurança. O primeiro tratamos como se fosse quebrar, no segundo já sabemos que não quebra tão fácil não. Com o primeiro filho queremos ter o controle absoluto em todas as situações, o segundo filho chega para nos ensinar que não temos o controle do mundo, que precisamos dançar conforme a música e nos adaptar, para viver com qualidade, sem neuras.

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Tentamos manter o primeiro filho numa bolha de cristal criada por nossos ideais para alimentação, criação, relacionamentos, etc. Tentando criar um ambiente imaculado a maior parte do tempo, não permitimos nada além daquilo que nós escolhemos para ele. Mas o segundo filho chega para quebrar essa bolha e mostrar que nem sempre o que idealizamos funciona na prática, nos ensina adequar nossos ideais à nossa realidade e aceitar o que há, do jeito que se dá. Mas o melhor de tudo é que aprendemos a aceitar isso com leveza, sem dó, sem remorso. Se podemos escolher, somos responsáveis e vivemos com as consequências, se não temos escolhas então só devemos nos preocupar em nos adaptar às novas circunstâncias e seguir em frente. E na boa, com dois filhos o tempo livre é tão pouco que nem dá tempo de ficar remoendo escolhas! Com o segundo filho todas as teorias, as orientações, as dicas e os conselhos que tivemos na primeira vez, por vezes aplicados com dificuldade, são filtrados e aplicados com critério, usando apenas aquilo que realmente tornará nossa vida mais simples.

Mas não se iludam, o pós parto do segundo pode ser uma lama! A gente sofre pela mulher que foi, pela mãe que fomos, pelo recém nascido que temos que atender nesse caos e pelo irmão maior que está deixando de receber nossa atenção. Parece que falta mãe para atender as crianças, a vontade é de se clonar (mas provavelmente não confiaríamos no clone), há uma sensação constante de que está se fazendo tudo pela metade, atender o filho pequeno, atender o filho maior, cuidar de si mesma… A casa, bem, essa fica por conta do parceiro, deixa de ser prioridade. O parceiro? Não sei, só sei que precisa bastante paciência e ser muito, mas muito proativo e criativo. Por uns bons dias (ou semanas) parece que ligamos o automático enquanto tentamos nos achar.  Se ainda não aprendemos a desapegar, vamos aprender nessa fase e pode ser doloroso, mas é preciso, temos que aprender delegar, relevar  e aceitar a ajuda dos outros, até mesmo quando ela é meio desajeitada. Aprendemos organizar as prioridades, de uma forma ou de outra.

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Algo que descobri nesse pós parto do segundo filho, é que bebês recém nascidos para estarem bem e tranquilos só precisam de ter suas necessidades básicas resolvidas: contato físico, sono em dia, barriga cheia e fralda limpinha. Mas o irmão mais velho, esse sim precisa de algo além de suas necessidades físicas, essas, aliás podem ser bem resolvidas por qualquer outra pessoa além de nós (pode ser o papai, a vovó, a tia da escolinha), mas suas necessidades emocionais se tornam mais fortes e essas precisam ser resolvidas pelos seus pais. Nessa fase é nosso filho maior que precisa de mais atenção, sua demanda emocional pode ser muito maior do que antes, ele precisa voltar se sentir seguro do amor de sua mãe, ignorar isto pode tornar a vida familiar um martírio.  Por isso, se posso dar uma dica prática é usar sling, amamentar no sling, deixar o bebê recém nascido dormir no sling, dentro e fora de casa, o bebê recém nascido terá a maioria das necessidades básicas bem resolvidas, e nós, estaremos mais disponíveis para suprir as necessidades emocionais do filho mais velho, nem é preciso fazer muito, apenas estar disponível para ouvir o que tem a dizer.  

O segundo filho é mestre da resiliência, dá conta de ficar grudadinho no colo ou sling enquanto a gente fica um pouquinho com irmão, dá conta dos beijos babados e os carinhos um tanto brutos do irmão maior. O segundo filho dá conta de ficar no colo do pai com mãozinhas na boca enquanto contamos historinha de dormir ao irmão mais velho, sobrevive às brincadeiras do irmão mais velho e rapidinho aprende a se defender quando não gosta das brincadeiras do irmão.  A gente encanava tanto com o álcool gel na mão das visitas no primeiro filho, e agora é difícil parar a empolgação do irmão quando volta para casa e quer dar um oi bem apertado no irmãozinho, a gente até tenta, mas uma hora desiste, o bom é que o segundo filho dá conta desses germes também.

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A fase mais complicada é justamente o comecinho, os primeiros meses. Depois que os dois irmãos se descobrem um ao outro, que o bebê vê no irmão mais velho seu brinquedo favorito, e que o irmão mais velho se descobre como o herói do seu irmãozinho…. Ahhh aí a coisa fica boa mesmo. Evitando que destruam a casa, dá para fazer muita coisa enquanto as duas crianças brincam juntas, com pequenas pausas para separar brigas, até para retomar aqueles hobbies esquecidos lá na chegada do primeiro filho.

Parabéns para as que esperam seu segundo filho, não posso dizer que o segundo filho será melhor, pior ou igual que o seu irmão, só posso assegurar que será diferente de muitas formas, parecido em outras e igualzinho em varias.

 

Precisando ajuda para se preparar para a chegada do próximo filho?

A consultoria Mães com Ciência pode ajudar.  Saiba como funciona aqui ou  Agende uma consulta virtual aqui.

 

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