O nascimento Maria Isabel, meu nascimento de mãe

Meu presentinho de Natal de 2011 amanhã está fazendo 6 anos. Chegou um dia antes, todo ano gosto de ler e re-escrever meu relato desse primeiro parto, consigo perceber quanto mudei de lá para cá. Teria feito diferente? talvez, mas de nada adianta pensar nisso, o passado faz parte de nossa historia, e não pode ser mudado. 

Tive dificuldade para engravidar, fui diagnosticada com ovário policístico, e na época sofri muito, pois apesar de meu marido me confortar o tempo todo e dizer que me amava, eu sabia que ele queria ter filhos, e as famílias de ambos também estavam na torcida. Ouvi de um obstetra que não conseguiria sozinha, então desencanei, me concentrei em outras coisas enquanto começamos fazer exames para iniciar um tratamento de fertilidade, ele fez os mais chatos, e como numa espécie de milagre engravidei, nem chegamos ir à consulta com o especialista que já estava marcada (os exames foram em vão).

Com 35 semanas, levamos um susto, apresentei perdida de liquido, queda do tampão e um pouco de dilatação que resultou não ser significativa ( teve toque e todo o pacote de intervenções que possam imaginar na consulta). Porém, chegamos ir ao hospital e afortunadamente somente foi um susto, todo estava em ordem. Ao final até que foi bom o susto porque assim calculamos a rota para a maternidade, conhecemos o processo para internação e percebemos que realmente não estávamos preparados. O médico falou para repousar, e estar preparada porque era bem provável que nascesse antes das 38 semanas, a data provável inicial era 25 de janeiro, agora estava para 10 de janeiro, mas o fantasma dos partos antes das 38 semanas assombra toda minha família.  Na época rolou até bolão: chega no Natal?, no ano novo? Ou Santos Reis?

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Mas ao final ela chegou antes do Natal mesmo. Afortunadamente, nas últimas duas semanas tive companhia da sobrinha adolescente do marido, sem ela teria sido todo muito mais difícil. Tudo começou na quinta 22/12/2011, a sobrinha e eu terminamos a arrumação do quarto  que seria da bebê, do berço e das roupinhas, eu fiz as malas para maternidade bem feitas, nas duas vezes anteriores que fomos parar no hospital sempre faltou alguma coisa. Quando ficou todo pronto, documentos e roupas, eu falei para ela que estávamos prontos que agora já podia vir (até parece que ela entendeu). Por outro lado, meu marido, tinha confraternização do serviço numa cachaçaria, óbvio, bebeu todas e chegou em casa as 19:00hrs trançando as pernas e foi direto dormir.

O primeiro aviso do nascimento chegou as 03:30hrs da madrugada do dia 23 de dezembro, fui ao banheiro como costume, nos últimos meses e quando deitei de volta senti um “pop” na barriga, líquido começou a pingar lentamente pela minha perna, acordei meu marido pensando que seria outro alarme falso, mas o liquido não parava de escorrer, assim que depois de pensar por uns 20 minutos decidimos ligar para o medico, ele atendeu meio dormido e mandou ir para a maternidade porque provavelmente a bolsa tinha estourado, a orientação foi pedir para o plantonista ligar de volta  para ele, assim que desliguei as 04:00hrs, fui para o banheiro me aprontar a bolsa estourou de vez, já não tínhamos mais dúvidas, foi uma explosão de água, como nas novelas, anunciou que seria mãe nesse dia.

Paulo, de ressaca, tomou um paracetamol, acordou a sobrinha e lhe deu as indicações para ela se virar sozinha para ir ao aeroporto, já que nesse dia ela voltaria para Curitiba. Ele também ligou para todos os parentes anunciando o nascimento, isso era ao redor das 04:00hrs da madrugada!

O trabalho de parto foi acelerado, eu não tive contrações ritmadas, nem nada parecido, quando senti a primeira contração ela não parou mais até a bebê sair, mas não era aquela coisa de se descabelar, era uma cólica bem suportável.  Hoje, olhando para trás vejo as coisas pelas quais eu não queria ter passado. Eu escolhi ir para uma maternidade pela forma como eles me asseguraram que eu teria um parto “humanizado”, mas não foi bem isso que eu recebi. Apenas chegamos, foi feito o toque (que nem era para ter sido feito), e eu apenas tinha dois de dilatação, me levaram para observação, numa cama ao lado de um senhor que estava com suspeita de infarto, ao pouco tempo veio o médico plantonista me falar que tinha falado com meu obstetra e que ele estava a caminho, que esperariam para me levar a um quarto até ele chegar, mas que se eu não tivesse progresso em três horas teria que ser cesárea… Eu meio que entrei em pânico, toda a gravidez me preparando para um parto normal, o mais natural possível, e estava todo indo para o ralo! …Doula? que doula? eu nem fazia ideia que existia doula, eu li, muito, sobre o processo fisiológico, mal sabia eu que tinha que no Brasil tinha que chegar armada para conseguir parir (devia ter suspeitado depois de 3 obstetras se negarem me acompanhar no pre-natal por falar que queria parto normal).

Ao pouco tempo chegou um enfermeiro, me colocou o sorinho de rotina, com ocitocina, vale dizer que falei que não queria mas de nada adiantou, começaram as contrações, que até então não tinha sentido com força, mas também não foi aquela coisa toda desesperadora que esperava, estava preparar para a dor descomunal mas não a senti (conheci só no final). Entre as 04:40 e as 06:00 hrs o colo do útero se dilatou de 2 para 5, quando o meu médico finalmente chegou pediu para levar ao quarto.

Enquanto meu marido fazia a papelada para me levar para uma habitação, eu tive que aturar mil e uma historinhas das cesáreas dos netos do senhor ao meu lado, um favor da senhora esposa que o acompanhava…. Que ódio! Nesse momento o que eu mais queria era estar sozinha! Finalmente subi para o quarto, mas não fiquei lá por muito tempo, as 07:00 quando o médico voltou para me examinar já estava com mais de sete, e ele pediu para ir na sala de parto, as 07:30 na sala de parto já estavam colocando a peridural (sem eu ter pedido- e nem queria), enquanto esperavam fazer efeito a dilatação alcançou o máximo, passadas as 08 hs me pediram para começar fazer forçar, foram quatro grandes empurrões e com a “ajudinha”  do médico (episiotomia unilateral- que também não queria), nasceu ás 08:26hrs, de 36 semanas, pesando menos de 3Kg. Um olhar, não consegui segurar, vieram os pontos que senti completamente (e sinto até hoje) graças à anestesia mal aplicada, que paralisou o lado esquerdo, desde o rosto até braços e pernas, mas deixou complemente normal o direito (onde foi o corte da episiotomia). Vale dizer que nesse momento conheci a dor descomunal que até então não tinha sentido. 

 Meu marido ficou junto o tempo todo. Quando Maria Isabel nasceu levaram ela para uma sala ao lado, qual a minha surpresa depois de todo o que pesquisei, e que me juraram que ela ficaria sempre de meu lado!! Minha única preocupação foi que Paulo a seguisse. Eu não a tive mamando assim que nasceu. Vi ela novamente depois de três horas, as mais longas da minha vida.

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Fiquei duas horas numa sala de recuperação (vendo uma enfermeira jogar solitário no computador) , morrendo de sede porque não me deixaram beber nada, perguntando cada 10 min pela minha bebe , mas ninguém me dava respostas. Finalmente no quarto a levaram. Não tenho certeza, mas acho que ela recebeu fórmula ainda no berçário, já que quando a botei para mamar ela não pegava, e veio uma enfermeira me “ajudar” me beliscando os bicos e pegando ela como se fosse nada. Afortunadamente somente vi essa enfermeira uma vez, porque odiei. Na noite eu estava dando de mamar e veio outra enfermeira dar leite no copinho para eu “poder dormir”! Eu falando que não precisava, mas mesmo assim pego a bebê e levou embora! Foram dez minutos eternos, e eu me sentindo incapaz e inútil.

Eu não quis sorinho de rotina, nem episiotomia, nem anestesia, nem ficar com as pernas para o ar, e muito menos que ofereceram fórmula para minha recém-nascida, ninguém nunca me perguntou, ou se deu o trabalho de me ouvir, eu achava que o parto seria o mais natural possível, como o que a maternidade divulgava. Me senti enganada como usuária e violentada, tratada como uma criança que não sabe o que quer.

Muitas contam com ajuda da mãe, da sogra, das amigas, mas estavamos sozinhos em Ribeirão, nos não tivemos minha mãe, nem minha sogra, nem amigas, apenas a sobrinha adolescente (que tinha 16 anos) para nos ajudar. Se eu tivesse tido alguém experiente do meu lado, algumas coisas teriam sido diferentes.

Ahh mas o segundo parto, esse foi completamente diferente, veio para desconstruir e reconstruir, nascer de novo… depois conto. 

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