Tudo o que você precisa saber sobre repelentes de insetos

Chega o calor e com ele os insetos. No Brasil, por vivermos em um país tropical, temos alto risco de exposição a mosquitos, vetores ou não de doenças. Recentemente vivemos uma grande preocupação por conta da explosão de casos de pessoas infetadas com o vírus da Dengue, Chikungunya e Zika. Por isso, é importante conhecermos adequadamente as medidas de prevenção às picadas de insetos. As medidas para prevenir as picadas de insetos vão desde o uso de repelentes tópicos, ambientais, até o controle por meio de inseticidas e focos reprodutivos. Lutar contra a propagação desses insetos é um trabalho de todos!

Repelentes tópicos

Repelentes tópicos podem ser sintéticos ou naturais. Eles atuam formando uma camada de vapor com odor repulsivo aos insetos sobre a pele. As características ideais de um repelente seriam: repelir muitas espécies simultaneamente, ser eficaz por pelo menos oito horas, ser atóxico, ter pouco cheiro, ser resistente à abrasão e à água, cosmeticamente favorável e economicamente viável. Um repelente não protege igualmente todos os seus usuários. A predisposição individual e substâncias exaladas pela pele (ácido lático, suor, CO2) podem interferir na sua eficácia. Realizar atividades físicas, o clima quente e úmido, a ingestão de álcool, vestimentas escuras, entre outros fatores podem diminuir a eficiência do repelente. Cada 10ºC a mais na temperatura pode reduzir o tempo de proteção do repelente em até 50%.

Há várias formas de apresentação dos repelentes no mercado:  aerosol, gel, loção e spray. Na imagem estão expostos os principais produtos disponíveis no Brasil, com tempo de ação estimado. É importante ressaltar que os repelentes tópicos não são recomendados para menores de seis meses, por isso é essencial também o uso de outras medidas ambientais. Existem diversas opções desde repelentes sintéticos com diferentes concentrações, até óleos naturais. Ao escolher um repelente considere a concentração de princípio ativo no produto, para que dessa forma possa planejar como deve ser sua aplicação.

Repelentes insetos

Os óleos são os mais antigos repelentes conhecidos e diversas plantas já foram utilizadas com tal propósito. Baseiam-se em essências de ervas, frutas cítricas, citronela, coco, soja, eucalipto, cedro, gerânio, hortelã e melissa, entre outros, e têm sido usados por séculos, com eficácia razoável. Em geral, são altamente voláteis e, portanto, com efeito de curta duração. Em concentração de 2%, o óleo de soja (Glycine max) conseguiu inibir picadas de Aedes por 94,6 minutos, sendo superior apenas ao DEET em concentração de 4,75%. Acredita-se que esse óleo possua um efeito mecânico adicional de repelência. O óleo de citronela (Cymbopogon nardus), por ser extremamente volátil, confere proteção curta e variável de menos de 20 minutos a até duas horas, em concentrações de 5 a 100%. Recomenda-se a sua reaplicação a cada hora de exposição. O óleo de andiroba (Carapa guianensis) puro (100%) mostrou, em um estudo brasileiro, efeito repelente discreto e muito inferior ao DEET 50%, com tempo de proteção para a primeira picada de Aedes de 56 contra 3600 segundos respectivamente.  O óleo de eucalipto-limão (Eucalyptus citriodora) teve seu princípio ativo isolado recentemente (p-menthane-3,8-diol: PMD). Em concentração de 30%, é comparável ao DEET 20% e confere proteção de até cinco horas, sendo o mais recomendado dos óleos naturais. Ainda, há recomendação de reaplicações mais frequentes do que no caso do repelente sintético. A Sociedade Canadense de Pediatria coloca o óleo de eucalipto como segunda opção de repelente (a ser usado quando DEET é contraindicado e a icaridina não é disponível comercialmente no país). A mistura de PMD e óleo de capim-limão (Cymbopogon citratus) foi superior ao DEET 15% e conferiu proteção por mais de seis horas contra o Anopheles. A maioria desses repelentes baseados em óleos vegetais precisam ser manipulados, apenas a citronela é disponível como produto comercial pronto.

Os repelentes físicos e ambientais

Os repelentes físicos e ambientais são utilizados para evitar o contato com insetos e são sempre indicados como adjuvantes aos repelentes no cuidado das crianças. Bebês novinhos, especialmente menores de seis meses, são particularmente beneficiados por esse tipo de proteção, pois têm pouca mobilidade e ficam em locais restritos e de fácil proteção (berços, cercados, carrinhos de bebê). Os repelentes tópicos, até o momento, não são indicados para uso em bebês menores de seis meses e devem ser aplicados com restrição entre seis meses e dois anos de idade. Em áreas de alta densidade demográfica de mosquitos, deve-se garantir que as portas estejam bem vedadas, as janelas, fechadas e com telas. Manter ambientes refrigerados com ar condicionado é uma forma altamente eficaz de manter mosquitos afastados do recinto, de tal forma que a OMS advoga que, em hotéis refrigerados, são desnecessárias outras medidas de proteção interna.

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Mosquiteiros simples ou com aplicação de inseticidas (permetrina) são indicados na proteção noturna de adultos e crianças e na proteção diurna de lactentes jovens. Tendas tratadas com inseticidas são altamente eficazes, seguras, duradouras e de acesso relativamente fácil. Os poros das telas de mosquiteiros/tendas não devem ser maiores que 1,5mm. O uso combinado de repelente tópico e tela tratada com inseticida parece ter o melhor custo-benefício na prevenção de picadas. O uso de vestimenta adequada (meias, blusas de mangas compridas e calças) é desejável, porém de baixa praticidade em um país de clima quente como o Brasil. Dá-se preferência a tecidos claros, devendo-se evitar cores muito chamativas. Muitos repelentes podem ser aplicados sobre roupas (DEET, icaridina), conferindo proteção prolongada e diminuindo o uso tópico das substâncias. Há, inclusive, tecidos especiais que já vêm embebidos com repelentes, sendo mais indicados para a prática de esportes radicais em matas.

O uso de repelentes ambientais deve seguir as orientações preconizadas para obtenção da ação esperada. Incensos e velas naturais só têm ação quando aplicados por horas contínuas e iniciados bem antes da exposição da pessoa ao ambiente. Velas e incensos de citronela não têm efeito repelente suficiente para que haja recomendação de seu uso isolado. O uso da vela de andiroba por tempo prolongado (48 horas contínuas) em área com cerca de 27m² previne até 100% das picadas de Aedes aegypti .

Inseticidas

Inseticidas são substâncias que, além de repelir, matam os insetos. Há diversos derivados piretroides (permetrina e deltametrina os mais comuns) em várias formas de apresentação como spray, serpentinas, impregnados em roupas, mosquiteiros e telas, entre outros. O uso de mosquiteiros e telas com permetrina é altamente recomendado para crianças, sendo seguro também para gestantes. A absorção pela pele é mínima. As telas com permetrina podem ser usadas em ambientes externos para proteção de carrinhos de bebê, berços, redes, bebê-conforto, com produtos comerciais já desenvolvidos e adequados em tamanho para cada um desses objetos.

Aerossóis de inseticida têm o objetivo de matar os insetos presentes no local e prevenir a invasão domiciliar. Possuem efeito curto e devem ser aplicados em recintos fechados (de 10 a 20m²) pelo menos duas horas antes de dormir. Recomenda-se o uso de aerossóis juntamente com serpentinas ou telas. As serpentinas (elétricas ou não) são os inseticidas vaporizados mais conhecidos e, usualmente, contêm um piretroide como princípio ativo. Um aparelho é suficiente para proteção durante a noite em um quarto de tamanho habitual se o ambiente não for muito ventilado.

Repelentes ineficazes

Diversos dispositivos habitualmente utilizados são considerados ineficazes para proteção contra picadas de insetos. Os repelentes ultrassônicos não se mostraram eficazes em diversos estudos, assim como dispositivos elétricos luminosos com luz azul. A luz atrai qualquer inseto, mas não previne definitivamente as picadas, visto que substâncias produzidas pelos indivíduos podem ser mais atraentes do que a luz. Bandagens embebidas em repelentes (pulseiras com DEET, por exemplo) também não são indicadas, uma vez que a repelência se dá por evaporação do princípio ativo sobre a pele e, comprovadamente, só protege até 4cm da área aplicada. Raquetes e outros instrumentos eletrocutores também não têm eficácia comprovada.

Vários estudos, até o momento, não demonstraram eficácia suficiente para justificar o uso sistêmico de substâncias na tentativa de repelência pelo odor exalado no suor. Nesse item, incluem-se extratos de alho e vitamina B1, amplamente usada na prática clínica.

 

*Texto adaptado por Zioneth Garcia

Tomado de:

Germana Pimentel StefaniI; Antonio Carlos Pastorino; Ana Paula B. M. Castro; Angela Bueno F. Fomin; Cristina Miuki A. Jacob. 2009. Repelentes de insetos: recomendações para uso em crianças. Rev. paul. pediatr. vol.27 no.1  acesso 30/Nov/2015. Disponível em:  http://www.scielo.br/pdf/rpp/v27n1/13.pdf

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