5 características do cérebro infantil a ter presentes na hora da comunicação

Entender como funciona o cérebro da sua criança é essencial para poder se comunicar com ela de forma mais efetiva, com palavras e ações. Antes de planejar regras, combinados, rotinas de atividades, ou de criar um plano para tratar os comportamentos desafiadores, pare para pensar um pouco sobre seu filho ou filha. Quem é essa criança? Quais são seus gostos? Quais são suas capacidades na fase desenvolvimento atual? O quê comportamento pode esperar? Os comportamentos que espera da criança estão acordes à sua idade?  Você compreende as capacidades e limitações de seu filho na fase de desenvolvimento atual? A sua rotina oferece à criança a satisfação oportuna de todas suas necessidades?  Pensar antes de reagir trará uma nova perspectiva sobre a forma que se comunicar com seu filho ou filha.

Tenha presente que seu filho está em pleno desenvolvimento do córtex cerebral, o controle emocional, assim como o raciocínio lógico, se formam num processo gradativo, influenciado por fatores ambientais e determinantes biológicos. O seu exemplo, assim como as atitudes (e predisposição) dos cuidadores, tem uma função determinante  para o comportamento das crianças na primeira infância (entenda mais sobre as crises de choro ou “birras”)

A seguir cinco características do cérebro infantil que  você pode ter presentes para melhorar a comunicação com seu filho ou filha. 

Entender o cérebro da criança ajudará se comunicar melhor com ela

1- A mente das crianças é concreta. Conceitos abstratos, como sentimentos e tempo, assim como pedidos difusos ou muito complexos, são pouco compreendidos. Falas como – seja bonzinho, seja obediente, organizar essa bagunça, se comporte bem, daqui a pouco, em 5 minutos,- e similares, são pedidos que não fazem muito sentido para a criança. Sua mente pede instruções precisas e concretas, expressadas em ações executáveis de forma imediata. Por exemplo, no lugar de pedir para “organizar os brinquedos” , indiquem as ações específicas que esperam que faça -vamos colocar os brinquedos para descansar: coloca as bonecas na caixa azul, agora pega os carrinhos e coloca no estacionamento, vamos daqui a 5 minutos, dá tempo de dar duas voltinhas na quadra. Fale de forma simples, clara focando em pedidos específicos com ações pequenas executáveis de forma imediata.

2- O cérebro das crianças pequenas gosta de trabalhar, elas tem vontades e desejos, gostam de exercer o poder de decisão, buscando fazer escolhas sempre que podem, porém, ainda não tem noção de necessidade, de certo, errado, adequado, inadequado ou perigoso, pelo que as escolhas devem ser controladas pelos seus pais e cuidadores, garantindo a satisfação de suas necessidades. Entre 18 meses e 3 anos é comum responderem não sempre que questionadas se desejam fazer algo em particular. Por isso, evite perguntar se quer fazer atividades obrigatórias dentro das suas rotinas – vamos comer? Quer tomar banho?  Vamos dormir? – a resposta sempre será não, seja falando ou usando linguagem corporal. Tente falar frases afirmativas lhe permitindo decidir dentro de um universo de opções limitada (2-3 opções) que não  alterem a rotina familiar. Por exemplo, ela pode escolher na hora do banho qual brinquedo levar – é hora do banho, quer ir com um boneco ou umas canetinhas?, mas a hora do banho em si não é opcional, ela é certa dentro de sua rotina.  Use afirmações e escolhas limitadas para guiar a rotina

3- As prioridades da criança podem não ser as mesmas que as suas assim que não espere pro-atividade por parte da criança. Se está na hora do banho, não esperem que a criança tome a  iniciativa de parar de brincar e acudir ao chamado, então é melhor ir até ela e lhe guiar até o banheiro, orientando ações concretas e pequenas que ela sinta que pode executar facilmente: Tira o sapato, pega o brinquedo X, pega a toalha…. Com a constância  começará lentamente a antecipar as instruções, mostrando a tão desejada iniciativa.  Se uma ação precisa ser tomada quem deve tomar a iniciativa é do adulto

Foto por Pedro Son

4-As crianças tomam as conversas de forma literal, elas constroem a imagem de si mesmas através da imagem que projetamos delas em nossas falas e comportamentos. Conversas paralelas com as crianças presentes, e comentários que tendem a as rotular podem marcar a forma como ela se enxerga a si mesma e influenciar seu comportamento. Se constantemente ouve que é ruim de comer, ou que são sabem bater, ou que só quer a mãe, provavelmente se comportaram exatamente do jeito que ouve que é.  Tome cuidado com as suas falas e os rótulos que coloca na criança.

5- As crianças aprendem muito mais e melhor brincando. Atividades sensoriais e artísticas ajudam a estabilizar o temperamento da criança no dia dia, estimular a paciência e a concentração. Desenhar, pintar, usar massinha são atividades que podem  ser inseridas cotidianamente, de forma monitorada a partir de os 18 meses. Aproveite-as para usar nas saídas, por exemplo, ao jantar fora, ao visitar casa de outras pessoas. Criar historinhas ou ler livrinhos, brincar de faz de conta, são oportunidades de elaborar as novas emoções que estão surgindo dia após dia, e reforçar os conceitos que fundamentam as regras do seu dia dia. Ao brincar conseguimos apresentar em linguagem compreensível para a criança os conceitos e regras de convivência básicas, explicação dos comportamentos esperados ou considerados adequados em cada ambiente, ou mesmo as situações que acontecem com ele eventualmente (médico, escola, visitantes, chegada de irmãos).

Ao brincar conseguimos recriar situações vivenciadas no seu dia dia, várias e várias vezes, elaborando as emoções e comportamentos a cada tentativa, permitindo à criança se preparar para enfrentar essas situações na sua vida real. Por exemplo, o brincar de médico, trocando de papéis, deixando ela ser o médico,  pode ajudar a entender o que o pediatra faz e reduzir o estresse da criança durante a consulta do pediatra.  Brincar é uma excelente forma de apresentar, reforçar e corrigir padrões de comportamentos.

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Texto original de Zioneth Garcia

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