Hoje venho compartilhar com vocês um caso que me deixou sensibilizada, e especialmente preocupada pela saúde materna, apesar do foco da consulta ser o bebê, quando vejo que o comportamento do bebê responde ao comportamento familiar ao redor de uma situação de saúde materna particular, é imprescindível cuidar da mãe.
Os bebês respondem ao estresse do ambiente através de um maior pedido de colo e sucção. Por isso, é importante cuidar de si mesmos. Garantir um bem estar mínimo de cuidadores, dando atenção às necessidades fisiológicas oportunamente. O estresse gerado por não atender às suas necessidades fisiológicas será transmitido à criança através de sinais corporais que não controlamos voluntariamente: frequência cardíaca, respiratória, tensão muscular, olhar e expressão facial.
Colo, dor crônica, mobilidade reduzida na mãe e medo do tratamento comprometer a amamentação
A família entrou em contato procurando ajuda para ajudar o filho adormecer sozinho sem precisar de peito nem colo. Um bebê de 8 meses, grandão, que gostava muito do colo da sua mãe. Nada fora do normal. Porém, a mãe sofria de dores crônicas nas costas e braços, resultado de uma lesão antiga nas costas. Antes da gestação estava fazendo tratamento de controle da dor com medicação e fisioterapia. Durante a gestação interrompeu o tratamento por medo dos medicamentos fazer mal ao bebê, e a dor vinha aumentando desde então, o que lhe impediu de continuar com a fisioterapia de forma regular. A mobilidade da mãe estava cada vez mais comprometida, ao ponto de ter travado varias vezes e precisa de atendimento de emergência.
A rotina da criança não estava ruim, estava dentro do normal para a idade. Precisávamos encontrar um jeito de substituir o colo e o seio por outra forma de aconchego que facilitasse a criança se acalmar e adormecer. O bebê praticamente vivia no colo da mãe, era mais fácil trazer para o colo que se agachar para ficar no chão junto dele para brincar, o que piorava muito a dor. Recebeu várias recomendações de desmame abrupto para conseguir retomar o tratamento, mas preferiu não as seguir, ao ponto de parar de procurar acompanhamento médico por conta delas. A mãe deixou de lado os cuidados com sigo mesma para priorizar a amamentação.
O primeiro grande desafio foi justamente retomar os cuidados com a saúde materna, pesquisamos juntas a compatibilidades dos medicamentos com a amamentação, os mesmos que ela utilizava antes da gestação, para nossa alegria, eram compatíveis com a lactância. O seguinte passo foi procurar novamente o especialista e levar essa descoberta para ele lhe orientar um tratamento adequado novamente. Então, organizamos a rotina da criança, para que qualquer pessoa pudesse acompanhar, até mesmo o aleitamento, abrindo assim a possibilidade da mãe se ausentar 2- 3 vezes por semana para que pudesse realizar a fisioterapia e atividade física que estava precisando com urgência.

Por último, fizemos um processo para desassociar o sono com a sucção e com o colo, primeiro modificando o local de dormir. Com a saúde melhor, sem tanta dor, foi possível fazer a transição do berço para uma cama baixa do lado da mãe, e então substituir o embalo no colo por deitar junto, dando balancinho no bumbum e nas costas, incluindo também o pai em todo esse processo, para que gradativamente ele também pudesse ofertar estes cuidados. Deu um pouco de trabalho, mas finalmente, com muita conversa, muita paciência e carinho, o bebê passou adormecer fora do colo, para o alívio da sua mãe. E ela finalmente colocou sua saúde no topo da lista de prioridades da família.
Nesse caso foi preciso a ação interdisciplinar, vários profissionais e familiares envolvidos, ao redor de uma situação muito delicada. E você, mãe, já fez seu check up anual? sua saúde física e mental está em dia? Não espere chegar no fundo do poço para cuidar de você mesma, é preciso cuidar da mulher, para que possa ser uma mãe melhor!
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Texto original de Zioneth Garcia

