Relato de desmame Adriana e Elena

Essa não é só uma história sobre desmame, mas sobre mergulhos, entrega, amor e respeito.

Começou com uma obsessão da minha parte por querer amamentar a minha filha, como se esse fosse o único caminho possível e para mim era. Passamos por mto choro, queda na produção de leite, episódio de desnutrição e, aos três meses da vida de Elena, acertamos a pega, fizemos o clique olho no olho. Que alegria esse dia, nunca esquecerei, na presença da abençoada Vilma Nishi.

Foi entao que começamos a querer diminuir a fórmula, mas foi um longo caminho, aos seis meses conseguimos. E meu leite enfim era suficiente para alimentar minha filha. E ela mamou, gostoso, como se fosse recém nascida, em paz, livre demanda! Eu nem ligava se meus peitos apareciam por ai, nada era mais importante e sublime! Teta sagrada, pura vida, amor líquido! Mas quando Elena completou 1 a e 8 m eu comecei a me incomodar com a livre demanda, mas minha prioridade era dar o melhor alimento para minha filha.
Eu comecei a ler sobre desmame noturno porque a falta de sono estava me enlouquecendo, literalmente, aliada à uma necessidade e vontade de voltar a trabalhar, me resgatar como mulher além da mãe que eu me transformara.
Em meados de junho decidimos iniciar o plano gordon e a primeira vez que ela dormiu mais de 5 horas seguidas eu e Rodrigo não podíamos acreditar. Fui voltando a dormir a noite toda e retomando a sanidade. Acontece que ninguém ensina desmamar e para mim o desmame natural não era uma opção certa, eu sempre admirei quem conseguia, mas estava sacrificante demais,  e o prazer em amamentar eu perdia dia após dia.

No início de julho fiz um calendário de papel, no qual todo dia eu e Elena arrancávamos uma pagina, conversando sobre como tinha sido …..
Só que esse plano não deu mto certo e entao conhecemos a dra Zioneth, com a qual fizemos uma consultoria e começamos a trabalhar questões que iam mto além do desmame: trabalhamos a rotina da Elena, a nossa comunicação e troca de afeto, passamos a dar amor e limite a ela de mil maneiras que nao por meio do peito. Usamos a linguagem falada e desenhada, usamos a água, usamos o banho, usamos o abraço, o carinho, o beijo.

Eassim, todo dia eu olhava para dentro de mim e procurava saber como eu estava me sentindo ao dar de mamá! E quando coloquei limite, ganhei fôlego e achei que chegaria no desmame natural. No entanto, sem as mamadas noturnas a produção caiu muito, ao tempo que Elena passou se desinteressar pelo mamá. Ela nos procurava de mil formas e o mamá ficava para as horas de ultra necessidade. Isso partiu dela e eu senti muito! Me culpei, duvidei se era esse mesmo o caminho….. quando ela fez 2 anos chegamos no ponto mais crítico porque eram as mamadas mais fundamentais que faltavam serem tiradas: a da manhã e a de antes de dormir, à noite! Eu não tive pressa, fui sentindo, até que tiramos a mamada da manhã, ela protestou muito, mas no segundo dia menos e no terceiro dia já pediu “leite”. Com essa mudança ela começou a acordar as 6 da manhã, dureza!!! Me arrependi!!!! Mas passadas algumas semanas ela voltou acordar entre 7:30 e 8 hs.

Quando resolvi tirar a mamada noturna, ela estava mais pronta do que eu! Assustei! Era um sábado e fomos na umbanda e eu chorei, lavei a alma, e quando tudo se acalmou pouco antes de nos chamarem, Elena pediu o mamá e eu dei! Ela mamou o seio direito e nos chamaram. Ela soltou tranquilamente o peito e fomos. Chorei mais um tanto. Fomos para casa e antes de dormir ela pediu o mamá. Eu dei, ela me mordeu. Ela vinha fazendo mto isso no último mês e dizia: “nada mamãe”. Mas eu não entendia.

Nesse sábado, 21/10/2017, porém, eu conversei com ela: “Elena, não morde filha, isso machuca a mamãe. Sabe filha, será que não chegou a hora de vc se despedir do seu amigão mamá? Ele foi seu companheirão por 2 anos e 1 mês e agora ele está cansado e podemos agradecer por tudo que ele nos ajudou, mas agora Elena cresceu e não precisa mais”. Ela me olhou, sorriu e fez um carinho no mamá. Eu achei que seriam palavras ao vento. Mas qdo deitamos na cama, ela pediu o mamá, eu dei, ela botou a boca, soltou e deitou e disse: “obrigada mamãe”. Eu disse: “filha, vc nao precisa agradecer a mamãe, a mamãe sempre estará aqui! Agradece ao mamá!” E ela: “obrigada mamá!”, deitou e dormiu.

Senti que tinha sido uma despedida, mas duvidei. À noite, no domingo, ela pediu novamente, eu dei. Ela brincou com o bico e antes que eu falasse qualquer coisa ela soltou. Eu ofereci o outro e ela não quis. Ela apenas pediu novamente no sábado e eu perguntei se ela não preferiria um monte de beijos e abraços!! Ela sorriu e foi assim!