SMAM 2020: APOIE O ALEITAMENTO MATERNO POR UM PLANETA SAUDÁVEL


Todos anos, na primeira semana de agosto a World Alliance for Breastfeeding Action (WABA – Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno) coordena a campanha da  Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM). WABA é uma rede global de indivíduos e organizações dedicados à proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno em todo o mundo com base na Innocenti DeclarationsThe Ten Links for Nurturing the Future” the WHO/UNICEF Global Strategy for Infant and Young Child Feeding.  No Brasil, é a IBFAN Brasil quem coordena as atividades e fornece a tradução oficial das informações da campanha

A SMAM é celebrada de 1 a 7 de agosto em comemoração à  Innocenti Declarations de 1990. A SMAM começou em 1992, com temas anuais incluindo sistemas de saúde, mulheres e trabalho, o International Code of Marketing of Breastmilk Substitutes (Código Internacional de Marketing de Substitutos do Leite Materno), apoio comunitário, ecologia, economia, ciência, educação e direitos humanos. Desde 2016, a SMAM está alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Em 2018, uma resolução da Assembléia Mundial da Saúde endossou a SMAM como uma importante estratégia de promoção do aleitamento materno.

Em 2020 (#WBW2020), o tema é “Apoie o aleitamento materno por um planeta saudável” busca destacar os vínculos entre amamentação e a saúde do planeta (1). O esgotamento e destruição de recursos naturais, e a emissão de gases de efeito estufa estão em seus níveis mais altos nos últimos 800.000 anos. Precisamos proteger nosso planeta e nossa própria saúde: (i) usando recursos como terra, água e fontes de energia de maneira responsável, (ii) conservando a biodiversidade e (iii) consumindo com cuidado.

A alimentação com substitutos do leite materno,  afeta o meio ambiente e clima devido à sua produção, embalagem, distribuição e métodos de preparação. Milhões de toneladas de latas de fórmula metálica acabam em aterros sanitários a cada degradando o meio ambiente. A indústria de substitutos do leite materno vale US $ 70 bilhões anualmente, e continua a comercializar seus produtos ignorando as recomendações internacionais e infingindo legislações nacionais. Durante o curso da pandemia de COVID-19, as violações do setor aumentaram e são uma causa de enorme preocupação. (2)

Por outro lado, a produção de leite materno requer apenas os alimentos adicionais que uma mãe precisa consumir, portanto, usa menos recursos naturais e quase não há nenhum desperdício. A amamentação é um dos melhores investimentos para salvar a vida de infantes e melhorar a saúde, o desenvolvimento sócio econômico dos indivíduos e nações. Aumentar a taxa de amamentação pode impedir mais de 823.000 mortes infantis e mais de 20.000 mortes maternas por ano. Não amamentar está associado com menor inteligência e resulta em perdas econômicas de cerca de US $ 302 bilhões, anualmente.

Pegada ecológica da amamentação (3)

A amamentação por seis meses após o nascimento requer, em média, 500kcal adicionais de energia por dia. Embora a amamentação possa requerer uma ingestão adicional de água, dependendo de fatores como níveis de clima e atividade, não há evidências da quantidade necessária além de atender aos requisitos fisiológicos. Diferentes tipos de alimentos têm CFPs (Carbon Footprint – pegada de carbono) variadas, sendo que dietas predominantemente baseadas em vegetais geralmente são consideradas mais saudáveis para o planeta. Todos os pais devem ser apoiados para fazer escolhas nutricionais e planetárias saudáveis, durante todo o continuum reprodutivo, que inclui a amamentação. Dependendo das nossas dietas, nossa pegada de carbono será diferente. Amamentação direta e a expressão manual do leite materno são eficientes em termos de redução de resíduos e economia de energia e outros recursos. Embora usar uma bomba para expressar ou ordenhar o leite requeira equipamento adicional, a maioria é reutilizável e, portanto, melhores para o ambiente em comparação com a alimentação por substitutos do leite materno.

https://worldbreastfeedingweek.org/2020/wp-content/uploads/2020/06/poster_Brazilian-Portuguese.pdf

Comparando pegadas de carbono (3)

Cálculo e comparação precisos da pegada de carbono dos substitutos do Leite Materno e amamentação são tarefas complexas e há apenas alguns estudos sistemáticos. A metodologia mais comum usada é a avaliação do ciclo de vida (ACV), que leva em consideração emissões de dióxido de carbono equivalentes dos processos de produtor para a mesa (fonte ao consumidor) e envolve muitas variáveis, fatores e premissas. Dois estudos que se concentraram na pegada de carbono dos substitutos do Leite Materno e a amamentação são apresentados aqui:

• Um modelo comparativo usando dados do Brasil, China, Reino Unido e Vietnã mostrou que a PCP associada à amamentação (incluindo energia adicional requerida pelas mães que amamentam) era 43%, 53%, 40% e 46% menor que a PCP associada à produção e uso de substitutos e leite materno. As diferenças refletiram principalmente os métodos de produção de leites substitutos e as dietas das mães que amamentam nos respectivos países.

• Um relatório de estudos de caso de seis países da região do Pacífico Sul e Ásia mostra quantas emissões de Gases de efeito estufa (GEE) surgem da fórmula láctea vendida. O relatório revelou que a produção de fórmula láctea está emergindo como uma importante fonte de emissões de GEE. O aumento desnecessário do uso de fórmulas de seguimento e de leite de crescimento para crianças em todos os países estudados é motivo de grande preocupação.

Referências

(1) https://worldbreastfeedingweek.org/

(2) https://worldbreastfeedingweek.org/2020/wp-content/uploads/2020/07/Press-Release-2020_eng.pdf

(3)https://worldbreastfeedingweek.org/2020/wp-content/uploads/2020/06/action-folder-2020_Brazillian-Portuguese-1.pdf

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*Texto adaptado por  Zioneth Garcia

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