O mundo é cruel para as mães

Você é mãe e ainda está esperando o momento propaganda de TV? Comprou a ideia que a maternidade é maravilhosa, mas ainda não recebeu o pacote? Já se sentiu excluída em alguma situação? Você se sente sozinha rotineiramente? Pois é, você não é a única! A sociedade em que vivemos é CRUEL com as mães, nos dando padrões inalcançáveis de perfeição e inventando obstáculos e empecilhos para que nossas vidas não possam transcorrer com normalidade, se a gestação já é tratada como doença, se tornar mãe é praticamente a morte social.

O momento sócio cultural onde nos tocou sermos mães é um cenário de solidão, moramos em casas ou apartamentos, com pouquíssimo ou nenhum contato com nossos vizinhos, muitas vezes longe de nossa família (que pode morar ou não em outra cidade), com um parceiro trabalhando o dia todo e muitas vezes pouco preparado para lidar com nosso puerpério. Apesar da grande quantidade de informações disponíveis sobre os cuidados com o bebê, no dia dia somos nós sozinhas que temos que aprender empiricamente cuidar de um bebê recém-nascido (às vezes sem nunca ter ao menos segurado um). Isso sem falar do significado físico, hormonal e psicológico das mudanças que a maternidade traz para nossas vidas. Ser mãe ficando em casa sozinhas não é fácil, é triste, solitário, entediante, cansativo, não em vão existem tantos grupos nas mais diversas redes sociais, os que em muitos casos são a única janela para o mundo, enquanto ficamos em casa cuidando de nossos pequenos.

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Tem um dizer de vovó: “Cabeça vazia é oficina do diabo”, ou seja, sem nada melhor nossa cabeça vai inventar problemas. Eu me atreveria a dizer que essa fixação por pesos, tamanhos, fraldas de xixi, cocôs, arrotos, gases, cólicas, sonecas, etc, nada mais é que o reflexo da enorme solidão em que vivemos as mães, sem nada melhor o que fazer, concentramos nossa energia em observar cada respiração de nossos pequenos, e qualquer coisinha saindo do padrão que achamos ser normal é motivo de preocupação.

Não bastando termos que lidar com essa realidade solitária, quando tentamos dar a volta por cima, criar coragem e sair de nossas casas nos esbarramos com vários mitos que nos fazem sentir as piores mães do mundo por buscar um pouco de contato humano. Você já escutou frases como: “não pode sair porque seu bebê é muito pequeno para ….” , ”tem que esperar dar a vacina ….. para poder ir ….” , “não pode ir agora você é mãe”, “como vai dirigir com ele sozinha, quem vai cuidar dele enquanto você dirige?” “você amamenta então não pode beber/comer/ fazer/tomar qualquer medicamento…”, “não esquenta outra vez será, agora você é mãe e não pode participar de …..”, “Mas com quem vai deixar o bebê? no casamento/festa/reunião não pode levar ele”. Poderia continuar lembrando todas as frases que alguma vez ouvi durante esses anos de maternidade, mas ai não ia acabar nunca.

O estranho é que parece ser um fenômeno principalmente Brasileiro, talvez latino-americano, a mãe TEM que ficar em casa sozinha para “proteger” seu filho do mundo. Se pensarmos a fundo a base científica dessas frases descobrimos que é tudo MITO. Se o mundo fosse tão perigoso assim para o recém-nascido como que faziam nossos ancestrais nômades? O bebê novinho pode SIM sair de casa e ele gosta (porque sua mãe relaxa), o bebê novinho não corre nenhum risco ao ar livre (e o sol pode ajudar muito regular seu relógio biológico), a mãe pode sim ir a festas com seu pequeno (basta colocar ele num sling e curtir), pode comer normalmente, pode sair sem se importar se o bebê já tomou todas as vacinas obrigatórias (só no Brasil que se escuta a jóia de precisar vacina para sair de casa), pode aproveitar um cinema, pode (e deve) cuidar da sua saúde fazendo os tratamentos médicos e odontológicos que precisar, pode (e deve) cuidar de sua aparência fazendo os tratamentos estéticos que quiser para incrementar sua autoestima. Mas, principalmente, qualquer mãe pode (e deve) sair das quatro paredes da sua casa, sair para conversar com outras pessoas, com outras mães, respirar um ar diferente, relaxar, tirar o foco das mamada, as fraldas, e conversar com semelhantes sobre a fase que está atravessando.

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Por isso se você é uma mãe em pleno puerpério não fique sozinha em casa, saia! Vá ao parque, à pracinha, visite às amigas, encontre outras mães (com bebês de diferentes idades). Não se preocupe pela rotina do bebê, mantenha o ritmo, ele vai dormir onde for se você se atenta lhe ajudar relaxar na hora certa, esteja onde esteja. A chave é sair da rotina sem sair do ritmo!  Mas, se saiu do ritmo e bebê pulou uma soneca, relaxa não é o fim do mundo, o máximo que vai acontecer é um pouco de irritação e precisar um esforço maior para lhe relaxar na próxima soneca, mas garanto que depois de passar um tempo entre amizades ou relaxando fora de casa, vai importar bem pouco. 

Se você é uma mãe que já passou por essa solidão então abrace, convide, ofereça carona para aquela mãe que está com medo de sair de casa ou de dirigir com bebê novinho, compartilhe a maternidade real, a de chorar e se descabelar, ao tempo que desfruta de uma manhã ou tarde de sol. Quando conversar com outra mãe, seja pessoalmente ou através das redes sociais não esqueça: somos todas mães, enfrentando os mesmos desafios, somos antes que mais nada mulheres, humanas, que sem importar como, quando ou o por quê das nossas escolhas, temos que arcar com as consequências delas sozinhas. 

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