5 dicas para ajudar seu filho alcançar o controle de esfíncteres

O calor é a melhor época para desfraldar, dizem uns. Não, as férias é melhor porque você estará atenta o tempo todo, dizem outros. Mas o certo é que não tem tempo certo além do tempo da criança, pode ser no meio do inverno ou no ano letivo, observar atentamente, estimular adequadamente e tirar as fraldas no momento certo para sua criança pode ser a diferença entre um desfralde tranquilo, lúdico e positivo, ou um desfralde tortuoso, com escapes frequentes, retenção de urina ou fezes, cheio de frustração e roupas molhadas, por meses

Antes de começarmos a falar sobre como incentivar seu filho alcançar o controle de esfíncteres quero lhe convidar refletir sobre o que significa o desfralde na vida da criança, uma fase de mudanças, auto descobrimento e construção de autoimagem, autoestima e autoconfiança; então uma passadinha nesses dois textos vai ser de muita ajuda: Pensando no desfralde , As três dimensões do desfralde

Agora que você já entende bem o quanto é importante o desfralde na vida da criança, então aqui vão essas dicas para começar incentivar e estimular na medida certa o seu filho:

5 dicas para o desfralde

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1- Trate o processo de excreção, urina e fezes, de forma natural. Todos nós fazemos xixi e cocô, então permita que o bebê perceba desde pequenininho, mamãe e papai fazem xixi e cocô lá no banheiro e um dia ele também fará. Se não lhe incomoda deixe que ele acompanhe suas visitas ao banheiro. Boa parte do treinamento comportamental acontece pela observação e imitação. Quando a hora de tirar as fraldas se aproxima, a criança começa se interessar muito mais pelo que você faz no banheiro, talvez a reproduzir com seus brinquedos as idas ao banheiro, trocar as fraldas, xixi, cocô, puns se tornam rotineiros nas conversas e brincadeiras. As vezes ela mesma pede para experimentar sentar no penico ou privada, as vezes faz outras não. Faz tudo parte do processo, nesse ponto a criança está experimentando.

Uma dica importante, é aproveitar essa fase para reforçar o treinamento comportamental, deixe que a criança brinque de levar seus bonecos ao banheiro, entre no faz de conta, lembre o boneco dele de cada passinho que precisa ser seguido ao ir ao banheiro ( o boneco tem xixi? então leva ao banheiro, abre a porta, tira a calça, tira a roupa de baixo, senta, faz xixi, levanta , limpa com papel, sobe a roupa de baixo, sobe a calça, dá descarga, lava as mãos e acabou, aeeee que boneca esperta!). Não permita que o penico vire apenas mais um brinquedo e ande pela casa, até os bonecos precisam ir ao banheiro no banheiro!

 

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2- Facilite o reconhecimento e apropriação do espaço do banheiro  para seu filho. Prepare o banheiro de forma convidativa com adesivos, sabonete de formas legais para a criança, toalha de desenho, etc. Adequar o banheiro tornando-o um ambiente seguro e acessível para seu filho ou filha é muito importante. Escolha penico, redutor de assento, banquinho para apoiar os pés e para alcançar a pia de lavar as mãos, se vocês são leitores de privada então separe alguns livrinhos para a criança também ter disponíveis neste espaço. Deixe que a criança brinque e explore esse espaço para se sentir seguro.  

Você precisa se sentir segura e tranquila de deixar a criança no banheiro para poder transmitir essa segurança à criança. Se você sente que há nervosismo ou medo por parte da criança, relacionada à privada ou penico então trabalhe sobre ele, não inferiorize os medos da criança, a ideia é validar, acolher e lhe ajudar se sentir segura . Use historinhas de livros ou inventadas, brincadeiras de faz de conta, desenhos, ou qualquer outro recurso lúdico ao seu alcance para mostrar que o banheiro é seguro e pode ser legal.

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3- Observe o seu filho, o que vai lhe mostrar se ele está pronto ou não para retirar as fraldas é sua percepção do amadurecimento da criança. Andar, correr, pular, escalar, subir alguns degraus sem apoio, são atividades que requerem um controle do corpo que só é possível quando tem se alcançado um amadurecimento neuromotor apropriado nas extremidades inferiores, sugerindo que a região pélvica também pode estar pronta ou em via de estar  em breve. Falar da fome, do pum, do xixi saindo na fralda, da dor de barriga, se esconder para fazer cocô, são sinais de reconhecimento interoceptivo bem desenvolvido, o quê será essencial na hora dele reconhecer a vontade do xixi ou cocô.

Dizer não quero e principalmente dizer SIM quando questionado, e querer mesmo dizer sim, são sinais positivos de preparação cognitiva. Se a estes sinais soma as fraldas que ficam secas  2 -4 horas seguidas, as vezes a noite toda, e quando vem o xixi estas vazam e fedem na hora; então você estará na frente de uma criança cujo rim está pronto, filtra e funciona perfeitamente, que está apenas esperando um empurrãozinho para culminar o processo de reconhecimento de esfíncteres.

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4- Incentive a mudança de autoimagem da criança, alimentando a autoestima e autoconfiança através de pequenas tarefas no autocuidado, cuidado com outras pessoas, cuidado com suas coisas e cuidados e cuidado com as coisas do lar. O processo de desfralde é mediado pela mudança de autoimagem, a forma como ela se enxerga a si mesma dentro de casa,  dentro da família, e dentro de cada um dos espaços de convivência em comunidade está mudando. Suas capacidade motoras e habilidades comunicativas estão em evolução constante, e ela  sabe disso. Agora resta a nós, pais, mães e adultos ao seu redor alimentar uma imagem positiva de si mesma.

Dê pequenas tarefas para a criança, e deixe ela fazer mesmo que erre nas primeiras tentativas, uma camiseta do lado do avesso não faz mal a ninguém, tolere esses pequenos erros e corrija com cautela para não ferir sentimentos. Incentive passar sabonete “sozinha”, tomar banho “sozinha”, subir a abaixar as calças “sozinha”, vestir camiseta “sozinha”, se vestir “sozinha, é claro que o sozinha é entre aspas porque você precisará estar ao lado lhe orientando e dizendo cada passinho que deve seguir.  Aos poucos poderá ir passando tarefas com o cuidado das suas coisas: recolher os brinquedos espalhados, colocar as roupas sujas no cesto, dobrar suas roupas limpas, guardar na gaveta certa suas roupas limpas. E por último, tarefas com o cuidado do lar e outras pessoas: lhe ajudar pôr a mesa, mexer na salada do almoço, colocar as coisas no lugar (controle da TV, livros, etc). Quando uma tarefa seja cumprida, elogie, incentive a ideia de estar se tornando uma criança e não ser mais um bebezinho. Aqui vale a máxima Montessori: Não faça pela criança o que ela pode fazer por si mesma.

Fique atenta ao tempo da criança, é bem diferente do tempo do adulto, então talvez seja preciso revisar sua rotina para dedicar mais tempo a essas atividades de forma que a criança possa contar com tempo suficiente para aprender (errar e fazer de novo sem pressão).

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5- Se você não tem certeza se está na hora certa ou não, então, faça um teste! Deixe o bebê algum período sem fraldas, avise que o deixará assim e que ele sabe que o lugar do xixi é no banheiro, que pode ir sozinho ou avisar se quiser sua ajuda.  Não espere nada, apenas observe e acompanhe o comportamento dele, se você tem uma noção do ritmo metabólico dele (horários do xixi ou cocô) então pode até lhe CONVIDAR ir nesse momento, mas sem muita insistência. Não tem problema nenhum deixar a criança sem fralda uma tarde de calor, ou um final de semana em casa regado a brincadeiras no quintal. Apenas lembre que é teste, não deve ter cobrança nenhuma por trás. Se você percebe escapes cada 10-15 min, as roupas vivem molhadas ou seu filho se apavora com o xixi escorrendo pelas pernas então é melhor colocar a fralda de volta e trabalhar com ele por mais umas semanas até alcançar um maior amadurecimento e então testar novamente, seu filho não está pronto ainda, falta alguma coisa: a musculatura da região pélvica ainda não segura o peso da bexiga cheia, o rim ainda não está pronto, ele ainda não consegue segurar, enfim, a parte neurofisiológica ainda está em desenvolvimento, e com isso não temos como intervir, o máximo que dá para fazer é oferecer muitas oportunidades para exercitar essa região: correndo, pulando, subindo degraus, etc.

Se pelo contrário, você percebe que ele avisa antes, fica um grande tempo de roupa seca, tenta segurar para chegar no banheiro (mesmo que não consiga) e na hora do escape é uma grande poça de xixi, ela já está quase lá, é questão de trabalhar mais um pouquinho, incentivando e estimulando positivamente, seja na área comportamental ou emocional que já falta muito pouco. Às vezes a criança precisa mais uns dias ou semanas para se testar e então aí sim  começar a reta final da aquisição do controle de esfíncteres: Sair das fraldas de fato.

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Agora que já tem certeza que seu filho está pronto, então vai em frente, um passo de cada vez, primeiro o dia em casa; depois de dia fora de casa, aumentando gradualmente o tempo fora de casa; depois a soneca da tarde, levando ao banheiro antes e depois de dormir, e por último a noite. O cocô pode oferecer um desafio maior, então se no começo ele pede fralda para fazer não resista, permita e continue trabalhando com ele e lhe incentivando. Antes de começar tenha uma boa conversa, explique claramente o que vai acontecer, o que você espera dela, e não se esqueça de valorizar e incentivar cada progresso.

Não se aborreça com os acidentes, estes podem acontecer, a criança também testa seus limites (posso aguentar mais?), por isso é bom lhe lembrar ou convidar ir ao banheiro regularmente, nos horários que você já sabe que ele precisa ir (não cada 10 -20 min, isso é muito chato e frustrante!!!). Usar uma rotina desenhada nessa fase e colocar as idas ao banheiro em horários chave pode ajudar muito. Atenda a personalidade e temperamento de seu filho, ele gosta de ser mais autônomo ou prefere ter você perto sempre?  Nem todos gostam de ir ao banheiro com plateia, aprenda com seu filho, veja o que ele gosta ou não, e acompanhe. Em adiante, mantenha o estímulo constante ao desenvolvimento motor com muitas oportunidades para fazer exercícios físicos; continue o treinamento comportamental, lembrando cada passo ao ir ao banheiro; e não deixe de alimentar a autoestima, a autoconfiança e a autonomia. Não tenha medo de ser repetitiva, eles precisam dessa repetição para criar o hábito.

Precisando ajuda no desfralde?

A consultoria Mães com Ciência pode ajudar. Saiba como funciona aqui ou  Agende uma consulta virtual aqui.  

*Texto original de Zioneth Garcia

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