o pai por trás da Mãe com Ciência

Meus filhos sobrevivem sem mim! Eles tem pai.

Pai também cuida

Sabe aquela necessidade de controle absoluto que falei aqui , pois bem, a mesma impede que deixemos ao pai exercer e desenvolver toda sua potencialidade. As vezes ele nem tenta mesmo, porque não tem espaço para agir, ou se acomoda já que tudo está sendo feito sem ele.

Sabemos que há um transfundo machista nesta historia, que muita dessa sobrecarga materna tem uma causa direta na divisão de tarefas dentro do lar, onde mesmo com a mãe trabalhando fora de casa assume quase que integralmente os cuidados com a casa e os filhos. Não por gosto, e muitas vezes de forma inconsciente, reproduzindo um modelo cultural dominante ainda hoje.

Tem uma coisa que me incomoda nessa historia, principalmente por ser mãe de menino. Eu vejo nele um ser completamente capaz cheio de potencialidades. Não gostaria nem um pouco que meu filho se torne um crianção, para quem tenham que fazer tudo, ou que se sinta incapaz de cuidar de outros porque a mamãe não lhe ensinou sobre os cuidados com si mesmo e outras pessoas.

Menino aspirando
Meu Antonio passando aspirador no seu quarto

Mas uma esperança surge quando vejo como ele se derrete de amores pelo pai, como vive falando que vai ser “grandão” igual papai, vai ter barba igual papai, vai trabalhar igual papai e sim, também diz que vai ser papai igual papai.  Me molesta muito quando as pessoas, principalmente as mulheres, tratam ao papai como um completo inútil no referente às tarefas de cuidados do lar e dos filhos, ou quando outros homens tentam minimizar esse papel de cuidador. O pai é adulto em plena função de suas capacidades mentais e física, acho que é completamente capaz de lidar com dois ser humaninhos de 3 e 5 anos. É até melhor dona de casa que eu ora, a tarefa para ele é moleza.

5 dias sem a mamãe

Queria contar para vocês a experiencia de ficar longe de casa 5 dias inteiros seguidos. Acho que o máximo que fiquei longe foi um dia. Me aventurei viajar, a trabalho, por 5 dias seguidos, deixando o  papai como responsável da casa e dos filhos, sozinho! O mais interessante é que quando comentamos com a família, a mulherada toda quis se prontificar para vir cuidar… ai doeu por ele, eu confio nele e a parentada não?

Nesses dias longe, ligações de manhã e a tarde, gravações e fotos pelo whatsapp, xixi na cama, uniformes sujos, rotina de dormir, hora de acordar e levar para escola,  e muito curtir sem a mamãe ( para aproveitar que ela não está). Devo dizer que o papai se saiu muito bem, as dificuldades foram as esperadas, não saber o ciclo da maquina de lavar para determinado tipo de tecido, a roupa que não secou como esperado, coisas normais, que acontecem com a mãe também. Ele se virou bem com umas orientações pelo whatsapp, poderia ter deixado descobrir no manual da maquina, mas nem sei por onde anda. Na minha volta, a casa estava um brinco! não posso reclamar de nada, e também não me receberam com um monte de reclamações.  Estou até pensando uma segunda viagem, agora que sei que se viram bem sem mim fico até mais segura em planejar mais palestras e cursos fora da região.

Papais coadjuvantes precisam ganhar protagonismo

Tenho observado que nas consultas que faço, não é raro que quando há um pai, ele é um pai presente, mas muitas vezes com um papel secundário bem coadjuvante mesmo, no referente aos cuidados do filho. Na hora de colocar o filho para dormir é só a mãe, assim como na maioria de cuidados (banho, fraldas, comida, etc). Vejo mães que se recusam a deixar o filho sozinho com o pai porque ele não faz do jeitinho “certo”, do seu jeito, do jeito mãe. E ai caímos novamente na questão do controle absoluto. Sendo ou não um casal, precisamos um minimo de pontos comuns para educar nossos filhos, coincidir com os valores morais e as regras de convivência é essencial, claro, para chegar em acordo é preciso muita conversa e debate. Mas uma vez em acordo, não podemos esperar (e nem devemos) que o pai atue exatamente igual á mãe, ele pode ter seu jeito, diferente do seu, não é um confronto, são formas diferentes de ver o mundo e vivências diferentes na criação dos filhos, ambas importantes para enriquecer a vida da criança. Precisamos mesmo deixar que o pai se vire, que criei o seu jeito de se entender com seu filho. Pai não é e nunca será substituto da mãe, pai é pai, mãe é mãe. Mãe é um porto seguro, o pai é o vento que arrasta o veleiro ao mar.

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Constantemente eu recomendo às mães sair para relaxar sozinhas, sair com as amigas, ir na academia,  ter sua tarde de mimos (unhas, cabelo, roupas), deixando a criança (ou bebê) umas horinhas com o pai, para apenas relaxar e liberar estresse, se re-encontra com ela mesma para ser uma versão melhor com o filho. A maioria só consegue se deixam o pai com a vovó  (ou qualquer outra mãe) de guarda, é claro que nessas vezes o pai fica novamente de coadjuvante. Para o que se preocupar se tem mais mãos para fazer por ele? novamente se acomoda.

Então, minha proposta mamães é vamos colocar esses pais para se virarem sendo pais. Assim como nos, eles também precisam experimentar, tentar, errar e tentar de novo para se acertar. Nossos filhos só tem a ganhar. Experimente sair de casa e curtir sem deixar para atrás um manual de instruções detalhado, deixe ele descobrir ser pai, que sinta a necessidade de dar cuidado na pele, e não vale ter ajuda! Tem que se virar sozinho. No pior dos casos seus filhos irão sobreviver a umas horas de estresse, morrer não vão, o pai não vai deixar. Se não dá certo, pelo menos o pai irá aprender valorizar muito mais o seu esforço.

Precisa ajuda? A consultoria Mães com Ciência pode ajudar saiba como funciona aqui ou  Agende uma consulta virtual aqui

Texto Original de Zioneth Garcia

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